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Criminalidade

Avenida Torquato Tapajós se transforma no cinturão dos assaltos a ônibus

O capitão Italo Dávila, que comanda a área da 20° Companhia Interativa Comunitária (Cicom), conversou com a equipe de reportagem e informou que a maioria dos assaltos são cometidos por adolescentes 15/04/2016 às 09:29
Show passageira
Passageira leva bolsa velha e celular fora de moda para não dar vida boa aos galerosos que assaltam na Torquato (foto: Jander Robson)
Kamyla Gomes Manaus (AM)

“É sair de casa para trabalhar com medo de não voltar mais. Estamos inseguros”, disse o motorista de ônibus Alan Ricardo, de 37 anos, relatando sobre a quantidade de assaltos a coletivos que tem ocorrido com frequência em certos trechos de uma das mais longas e movimentadas avenidas da cidade: a famosa Torquato Tapajós.

O capitão Italo Dávila, que comanda a área da 20° Companhia Interativa Comunitária (Cicom), conversou com a equipe de reportagem e informou que a maioria dos assaltos são cometidos por adolescentes. Não tem uma linha de ônibus certa para assaltar, a maioria que passa naquela via se torna alvo deles.

“A maioria que pratica isso são reincidentes. Nós apreendemos e dias depois eles são soltos e voltam a praticar o delito”, contou.

A reportagem conversou com alguns motoristas e cobradores do transporte público, muitas das histórias são de medo e trauma. Cobrador há 10 anos, Marcelo dos Santos, de 38 anos, contou que já perdeu as contas de quantas vezes foi assaltado. O último assalto que se tornou vítima naquela avenida foi há aproximadamente um mês.

Passageiros relataram que os suspeitos entram em dois ou três, e sempre com mochila. Chegam a fazer parada e ao entrar no ônibus, ainda dizem “Perdeu, perdeu, isso é um assalto”, em seguida descem e percorrem até a rota de fuga deles, que fica em uma área verde ali mesmo na Torquato Tapajós.

Todo mundo traumatizado

O cobrador Marcelo disse também que chegou a ficar dias com a imagem do assalto na cabeça.

“Eu fiquei bastante traumatizado e assustado. Quando alguém entrava no ônibus eu já ficava atento”, relatou.

Tem até gente que chega a sair de casa com uma mochila velha e celular fora de moda para não correr risco de virar alvo dos assaltos, que é o caso da técnica de enfermagem Marcilene Lago, 38.

Outro motorista, que pediu para não ter o nome revelado, disse que já chegou a se afastar da função por cinco anos, mas teve que retornar. Já rolou assalto até de escopeta. O comandante esclareceu que o policiamento na área é constante.

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