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Manaus Hoje
JULGAMENTO

Marcelaine irá cumprir 7 anos e 9 meses de prisão por homicídio tentado qualificado

Marcelaine Schumann, Rafael Leal, Charles Mac Donald, Karen Arevalo Marques foram condenados pelo crime de homicídio tentado qualificado contra a vítima Denise Almeida 02/06/2016 às 21:02 - Atualizado em 02/06/2016 às 22:11
Alexandre Pequeno e Joana Queiroz Manaus (AM)

O veredicto dos cinco réus Marcelaine Santos Schumann, Rafael Leal, Charles Mac Donald, Karen Arevalo e Edney Costa foram dados na noite desta quinta-feira (2), pelo juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri, que presidiu o julgamento. 

Após mais de nove horas de debates entre o Ministério Público e a defesa dos acusados, foi decidido:

O juiz determinou que a pena base de Marcelaine foi de 13 anos de reclusão em regime fechado. Levando em consideração o fato de ser ré primária, ter confessado o crime, mesmo insistindo na tese de apenas ordenar um 'susto' na vítima, a pena final foi fixada em 8 anos e 8 meses de prisão. Pelo fato de Marcelaine ter sido presa preventivamente pelo crime, resta cumprir a pena de 7 anos e 9 meses em regime semiaberto

Charles Mac Donald foi condenado por homicídio tentado qualificado, com a pena base de 14 anos de prisão. Com os atenuantes, a pena foi reduzida a 9 anos e 8 meses. Pelo fato de Charles já estar preso, a pena deve ser cumprida em 8 anos, 2 meses e 5 dias de regime fechado.

Rafael Leal dos Santos, atirador da vítima Denise de Almeida, teve como pena base em 15 anos de prisão em regime fechado. Porém, o juiz levou em consideração o fato de o acusado ser réu primário, a confissão do crime, a pena ficou em 9 anos e 8 meses de reclusão. Como Rafael já estava preso previamente, sua pena fical é de 8 anos e 2 meses de regime fechado.

Karen Arevalo Marques teve a pena base inicial fixada em 12 anos de reclusão em regime fechado. O juiz levou em conta a confissão do crime, a primariedade da ré e reduziu a pena dela a 7 anos e 8 meses de prisão. Pelo fato de já estar presa previamente, a acusada recebeu a condenação de 6 anos, 5 meses e 18 dias em regime semiaberto.

Edney Costa Gomes foi inocentado das acusações e absolvido do julgamento. Por estar preso previamente, ele está automaticamente livre.

Indenizações

O juiz também decidiu que a condenada Marcelaine Shumann terá que pagar uma indenização de R$ 7 mil para a vítima. Rafael e Karen terão que pagar a quantia de R$ 3 mil cada. Charles Mac Donald desembolsará R$ 5 mil para a vítima dos disparos.

1º dia de julgamento

O julgamento dos acusados foi iniciado na manhã desta quarta-feira (1º). Os réus entraram no Tribunal do Júri algemados e apenas dois deles, Rafael e Charles, estão vestindo o uniforme amarelo do presídio. Marcelaine e Karen estiveram vestidas de roupa de civil.

O interrogatório de Marcelaine começou por volta das 15h e durou cerca de duas horas. “A minha intenção nunca foi tirar a vida da Denise, mas eu estava tomada por um momento muito ruim da minha vida, de instabilidade emocional. Peço que me perdoe”, disse a ré durante interrogatório. Marcelaine falou ao juiz da 3ª Vara do Tribunal do Júri, ao promotor de Justiça Rogério Marques e aos advogados de defesa.

O interrogatório do acusado Rafael Leal, suposto atirador do crime, começou por volta das 17h15. Rafael conta que morava na mesma rua que Charles “Mac Donald”, e afirma que estava inconsciente ao efetuar os disparos.

“A intenção não era matar”, disse o réu, contando que estava embriagado e entorpecido no momento do crime e que não sabia manusear a arma. Das cinco balas disponíveis, ele conta ter usado apenas três.

Iniciado por volta de 18h, o acusado Charles Mac Donald, acusado de ser o negociador do crime contra Denise, negou ter entrado em contato com Rafael para que atirasse na estudante. Ele contou que, na época, conhecia Marcelaine há alguns anos e a mesma lhe propôs ajudas financeiras.

Em seu depoimento, Karen nega o fornecimento da arma, e explica que apenas indicou o possível portador do revólver, o homem identificado como Itaituba. Karen também nega o recebimento da carta direcionada a ela, com o intuito de pressionar Marcelaine.

Último a ser interrogado, o vigilante Edney Costa, preso em dezembro de 2014, alega que não conhecia Marcelaine e que não fez a intermediação entre Charles e Karen. Ele contou ainda que foi torturado diversas vezes pela polícia.

2º dia de julgamento

O segundo dia de julgamento dos acusados de arquitetar a morte da estudante Denise Almeida, no estacionamento de uma academia, em 2014, começou com duas horas de atraso devido a demora na liberação de dois réus, presos no Centro de Detenção Provisória Masculino.

O promotor de Justiça Rogério Marques, que faz a acusação, iniciou os debates falando sobre a conduta de Marcelaine. Segundo ele, para a socialite era normal ter um relacionamento com dois homens, porém ela não aceitava o amante, o empresário Marcos Souto, ter outra amante (que era Denise Almeida)

Em seguida, a advogada Maria Esther iniciou a defesa de mais três envolvidos no caso: Charles Lopes Castelo Branco, o “Mac Donald’s”, o negociador; Rafael Leal dos Santos, o “Salsicha”, o autor dos disparos contra a universitária; e o vigilante Edney Costa.

Após isso, ocorreu a réplica pelo Ministério Público, de duas horas. Na réplica, o promotor do MP-AM Rogério Marques Santos, começou falando que sobre o calibre da arma usada por Rafael para atirar em Denise. O promotor ainda expôs a contradição dos réus em relação ao valor supostamente prometido para que o crime ocorresse.

Entre os argumentos defendidos pela defesa da ré Marcelaine, durante a tréplica, o advogado Eguinaldo Moura disse que a vítima Denise Almeida provocou a socialite, a ponto de ela encomendar a surra. A tese defendida, foi a de lesão corporal.

"Era ela [Denise] que perturbava a Marcelaine. Se ela quisesse matar a vítima, não seria mais fácil comprar a arma e dar ao Charles? Não há nenhuma prova que Marcelaine tentou matar Denise. Não houve risco de vida, a vítima conseguiu dirigir após o ato", defendeu. Ao pedir a absolvição de Marcelaine, Eguinaldo citou alguns versículos bíblicos ao júri.

O crime

A vítima, Denise Almeida, foi alvejada com dois tiros no dia 12 de novembro de 2014 dentro do carro dela, quando saía do estacionamento da academia Cheik Clube, no Centro de Manaus. Denise foi surpreendida por um homem que bateu no vidro do carro e efetuou três disparos. Denise foi hospitalizada e sobreviveu. Segundo a polícia, o objetivo era matar ou deixar a vítima aleijada.

Marcelaine foi denunciada pelo Ministério Público do Estado pelo crime de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, seguindo o inquérito produzido pela Polícia Civil do Amazonas. Ela poderá ficar presa durante 15 anos em regime fechado caso seja condenada a pena máxima, segundo o juiz Mauro Antony, responsável pelo caso, que corre em segredo na Justiça.

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