EM PROL DA VIDA

Em Manaus, mulheres superam medo da agulha para doar sangue no Hemoam

Nem a forte chuva impediu que dezenas de mulheres participassem da campanha "Super Doadoras", que acontece até as 17h deste sábado (14). Objetivo é reverter quadro de poucas doações do público feminino

Karol Rocha
14/03/2020 às 15:07.
Atualizado em 10/03/2022 às 10:14

(Foto: Divulgação)

Nem a forte chuva e o nervosismo impediram que a operadora de caixa, Maria Celis Soares, de 41 anos, deixasse de doar sangue pela primeira vez. A atitude, em prol da vida e saúde de uma colega dela de trabalho, fez com que tomasse a decisão mesmo temendo a agulha.

Ela e dezenas de outras mulheres participam, na manhã deste sábado (14), da campanha “Super Doadoras” que acontece em parceria com Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) e tem o objetivo de chamar a atenção do público feminino para a doação de sangue.

A ação acontece até as 17h deste sábado, e se concentra nos blocos A e C da Fundação, localizada na avenida Constantino Nery, bairro Chapada, zona Centro-Sul de Manaus. “Uma colega de trabalho vai fazer uma cirurgia e precisa de sangue com urgência. Eu estou tremendo e nervosa, mas é por uma boa causa. No ano passado, nós perdemos uma outra amiga de trabalho na mesma cirurgia e na época, não doei para essa pessoa. Com isso, eu achei que deveria vir, eu estou aqui e vou continuar doando”. 

Diferente de Maria, a profissional de educação física, Thaís Mel da Silva, 35, demonstrava tranquilidade durante o processo de coleta de sangue.  É a oitava vez que ela realiza doação e encoraja outras mulheres para que possam faz o mesmo. “Eu me tornei doadora por conta da causa mesmo, uma bolsa de sangue salva quatro vidas e doou a cada quatro meses”, contou. “É claro, a gente sente a agulha, mas nada que seja algo insuportável, o mais importante é pensar que isso beneficiará várias pessoas”, complementou.

As mulheres doam menos

O intuito do grupo “Super Doadoras” é tentar reverter a estatística desfavorável às mulheres no número de doações de sangue. As mulheres são a minoria no número de doações de sangue, representando 30% do total de doadores. Na visão da idealizadora do grupo, Silvana Reis, a iniciativa é importante por que é necessário informar às mulheres de que elas também podem realizar o procedimento.

“Em dezembro, a forma que eu fiz para chamar a atenção delas não foi pelo whatsapp, não foi através de lives e nem pela televisão, foi indo nas universidades, nas escolas, academias e nesse momento, elas vinham até e me perguntavam: como é a agulha?. Eu não minto, a agulha é grossa e dói, mas tem tantas coisas que doem e não salvam vidas. Acredito que a falta de informação faz com que a mulher não venha doar e a gente precisa mudar isso”, destaca ela, que é doadora há mais de 20 anos.

“Todo o doador tem que se sentir heroína, um super herói da vida real”. As mulheres podem doar a cada três e os homens a cada dois meses, com isso, a próxima campanha voltada às mulheres acontece em junho.

Dia da mulher

Durante a campanha, as doadoras poderão participar de uma sessão de embelezamento como escovas, chapinhas, design de sobrancelhas, colocação de cílios, maquiagens, spa para as mãos e pés, limpeza de pele, massagens e também, confraternizar através de um café da manhã, lanche e almoço que será oferecido com música ao vivo. O momento é em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

Esta é a terceira edição da campanha “Super Doadoras”, a primeira ultrapassou 100 doações, deixando 111 bolsas de sangue. A segunda arrecadou 252 doações, sendo 136 de mulheres, um recorde para instituição num único dia. E a meta para esta 3ª edição é de 300 bolsas de sangue.

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