Domingo, 05 de Dezembro de 2021
Portas Fechadas

Hospital Padre Colombo fecha e atendimento a gestantes em Parintins é remanejado para Jofre Cohen

Fechamento da unidade teve como base uma recomendação do DPE-AM. Prefeitura da cidade tratou o caso como ‘repentino’ e ‘arbitrário’



68595_ex_CFFB5565-C422-4C62-853F-280A0C43AA53.jpg Foto: Reprodução
05/10/2021 às 16:22

O Hospital Padre Colombo, em Parintins (a 369 km de Manaus) encerrou – ou pelo menos suspendeu – suas atividades no dia 30 de setembro. A decisão partiu da Diocese da Igreja Católica da Cidade, que administrava o local, e teria como como base denúncias de casos de violência obstétrica.

De acordo com defensora pública Lívia Azevedo, da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), há cerca de três meses, o hospital Padre Colombo teria comunicado as autoridades a cerca de uma reforma que teria que ser realizada, justamente na parte dos leitos de obstetrícia. A prefeitura de Parintins ficou ciente dessa reforma e sabia que seria necessária a realocação dos leitos e uma consequente diminuição da disponibilidade deles no local.

“Até julho deste ano, haveria em Parintins 36 leitos de obstetrícia disponíveis e com a reforma e realocação destes leitos, isso foi diminuído para 23. O que a prefeitura tomou de providencia foi que ao invés de pegar esses leitos, que ficariam diminuídos, e realoca-los em outro hospital – nesse caso o Jofre Cohen – a prefeitura simplesmente diminuiu a quantidade de leitos no município, ficando apenas aqueles que estavam disponíveis no hospital Padre Colombo, que é um hospital particular, da diocese e não público, tendo apenas um termo de cooperação com o SUS”, afirma a defensora pública.

VISTÓRIA

O fechamento do hospital e a consequente reforma no local teve como principal motivo, uma recomendação da Defensoria Pública do Estado. O local havia sido alvo de uma inspeção feita pela DPE-AM, que teria verificado uma alta sobrecarga de atendimentos obstétricos, resultando em superlotação e ausência de vagas.

“Com a Pandemia, houve um crescente número de partos e o hospital realizou um número desproporcional [de partos] ao que vinha realizando antes da pandemia. Então estava algo muito sobrecarregado e com isso a defensoria foi até o local fazer uma visita in loco. Conversamos com a direção do hospital, verificamos a situação dos leitos, realmente a parte interditada para a reforma não tem a menor condição de realizar nenhum tipo de procedimento, há rachaduras profundas, tanto no teto, quanto nas paredes e no chão. Os leitos foram realocados para outra parte do hospital, mas estavam superlotados, tanto a sala de pré-parto quanto sala de observação, todos os berçários também estavam lotados. Além disso, existiam sete mulheres nos corredores e nos bancos do hospital em trabalho de parto e precisando de atendimento. Foi assustador, não só por uma questão de moralidade, mas principalmente de humanidade”, relata Lívia Azevedo.

Segundo levantamento feito pela DPE-AM com a diretoria do hospital Padre Colombo, só no mês de agosto deste ano o local realizou 240 partos, que é o dobro da média prevista no contrato da diocese com o SUS e a prefeitura de Parintins. Tal situação, fez com que a DPE-AM enviasse uma recomendação ao Governo do Estado e a Prefeitura de Parintins, visando que tomassem providencias para proporcionar um atendimento de qualidade e humanizado as gestantes.

“O Estado não nos respondeu e a prefeitura informou que a problemática da sobrecarga de partos seria por conta da vinda de mulheres do Pará, mas isso não é verdade, pois fomos verificar junto com o hospital o registro dessas mulheres e a quantidade que veio do Pará é ínfima, insignificante a totalidade. A prefeitura já tinha ciência da situação e mesmo assim não reabriu o hospital Jofre Cohen, na verdade o descredenciou, sendo que até antes da pandemia, ele realizava rotineiramente partos”, afirma.

REABERTURA DO HOSPITAL JOFRE COHEN

A Crítica tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Parintins, mas até o momento não obteve retorno. Sobre o caso, a prefeitura de Parintins tratou o fechamento do hospital Padre Colombo como ‘repentino’ e ‘arbitrário’.

Para contornar a situação, o poder público municipal informou que a todas as mulheres e crianças que necessitem de atendimento de obstetrícia e pediatria vão para o hospital Jofre Cohen, que desde a sexta-feira (1), realiza tais atendimentos. Segundo a Prefeitura de Parintins, uma força tarefa para organizar o Jofre Cohen foi montada, visando não permitir que ninguém fique desassistido.

Segundo a DPE-AM, a reabertura dos leitos no hospital Jofre Cohen só foi realizada por conta do fechamento do hospital Padre Colombo. Na segunda-feira (4), uma comissão da defensoria foi até o hospital realizar uma vitória no local.

“Nós já fomos lá [no Jofre Cohen] e verificamos como estão alguns leitos e conversamos com a direção do hospital. Eles estão organizando os espaços, mas o atendimento já está sendo realizado”, afirma a defensora pública Lívia Azevedo.

SES-AM MONITORA SITUAÇÃO

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) afirma que está acompanhando a situação em Parintins e trabalha junto com o município para ampliar e adequar o Hospital Jofre Cohen para que possa prestar os atendimentos obstétricos antes realizados no Hospital Padre Colombo.

Segundo a SES-MA, entre sexta (1) e segunda-feira (3), uma equipe da Secretaria de Atenção Especializada do Interior se deslocou para o município. Tendo à frente o secretário do Interior da SES-AM, Cássio Espírito Santo, a equipe contou ainda com profissionais da Gerência da Rede Materno Infantil da secretaria para colaborar com a readequação do Hospital Jofre Cohen (HJC), administrado pela Prefeitura local, e garantir os atendimentos obstétricos advindos do Hospital Padre Colombo.

“O fechamento do HPC exigiu uma grande mobilização das equipes de saúde local. Para abrir espaço aos atendimentos obstétricos, foi aberto um novo serviço de emergência no Bumbódromo para situações menos graves a fim de desafogar o hospital municipal. A SES-AM ainda mantém uma equipe da Rede Materno Infantil no Jofre Cohen, para garantir que as gestantes, puérperas e bebês recebam o acolhimento necessário no hospital. Assim como, elaborar cronograma para qualificação dos profissionais no atendimento obstétrico e neonatal e organizar protocolos de atendimento”, afirma a nota da Secretária de Estado de Saúde.




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