CUSTOS DA CONSTRUÇÃO

Nova onda da Covid atrapalha possível queda nos preços da construção no AM

Após forte alta nos preços dos materiais de construção, no ano passado, a expectativa para 2021, de queda nos custos, está ‘em xeque’ pelo novo caos na saúde pública do estado

Lucas Vasconcelos
17/01/2021 às 21:43.
Atualizado em 09/03/2022 às 10:26

(Foto: Reprodução/Internet)

No ano passado, apesar da pandemia do coronavírus não ter paralisado as atividades da construção civil do Amazonas, o setor foi impactado pelo aumento excessivo do preço dos materiais no segundo semestre de 2020. A expectativa de muitas construtoras do estado era que em 2021 os preços começassem a estabilizar. Porém, com esta volta de crescimento de casos e internações no Estado, o equilíbrio dos valores dos insumos permanece em incógnita.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (SINDUSCON-AM), Frank Souza, os preços dos materiais da construção foram maiores que a inflação vigente, chegando a aumento de até 100% nos insumos.

"Os preços dos materiais efetivamente subiram em uma escala muito maior que a inflação. Tivemos casos de aumento de 100% do insumo. O cimento, um dos principais produtos, chegou a aumentar 40%; enquanto o aço aumentou 50% e o PVC cresceu 80%. É uma média de aumento de 15 a 20% se computados a cesta de insumos na indústria da Construção em geral no estado do Amazonas. Ressalto que aqui [no Amazonas] temos uma logística mais cara na região Norte, muitas vezes não computadas na tabela de preços SINAPI [Sistema Nacional de Preços e Índices para a Construção Civil] que é nacional", contou o presidente.

Frank Souza acrescenta ainda que o maior impacto do aumento dos preços dos materiais é no desequilíbrio de contratos de imóveis já firmados do Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa, Minha Vida).

"O maior problema gerado pelo descompasso de preços de material é nos contratos do atual Casa Verde e Amarela que já tem seus preços estabelecidos na origem para as mais diversas faixas de imóveis. Hoje representa 85 a 90% do que é produzido no estado, o governo vai ter que rever estes valores de curto prazo para tornar viáveis novas contratações e equilibrar as já contratadas uma vez que no valor atual não consegue produzir o contratado. Em contratos já pactuados com a iniciativa privada este equilíbrio se dá de forma contratante-contratado em ajuste direto entre as partes; quando já concluído a transação e vendido, no caso do imobiliário, se houver descompasso entre a inflação e o valor do aumento, este custo vai ser absorvido pelo incorporador", explica Souza.

Insistência

Em meio a isso, o presidente da entidade conta que ainda estão sendo feito trabalhos no âmbito regional e nacional com o intuito de reestabelecer o equilíbrio da cadeia da Construção Civil.

"Trabalhamos um forte diálogo com a cadeia fornecedora localmente e através da CBIC [Câmara Brasileira da Indústria da  Construção], fizemos pesquisa de preços em vários fornecedores; hoje alguns produtos básicos, principalmente por aumento de produção da indústria já tiveram redução de valores porém muito distantes do que era praticado no período pré-pandemia", detalhou o presidente.

Expectativas

O presidente do SINDUSCON-AM conta que, apesar de não poder mensurar como será o comportamento do setor neste segundo momento da pandemia no Amazonas, acredita que com a vacinação, a Construção Civil voltará a registrar ótimos índices, com veio contribuindo nos últimos anos.

"Há uma dúvida de como esta segunda onda pandêmica irá se comportar. Temos visto o alongamento dos prazos para reabrir os comércios e algumas atividades; o próprio consumidor está retraído, tenho esperança que em breve vamos poder ter a população vacinada podendo voltar a economia a níveis anteriores, produção na indústria da construção com mais normalidade, gerando negócios e movimentando o mercado em geral", declarou Souza.

Frank Souza prevê ainda um crescimento do setor para o ano de 2021, com o aumento da procura de imóveis neste período de isolamento social.

"Com todos os percalços gerados pelo aumento de preços, desequilíbrio, prevejo um 2021 com crescimento maior que em o obtido em 2020, uma vez que imóvel é bem essencial para qualidade de vida e nunca foi tão buscado como agora para melhoria dos ambientes, uma vez que o lar passou a ser muito mais usado que antes da pandemia e o aumento do home-office trazido/reforçado pela pandemia", concluiu Souza.

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