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Ribeirinha do Uruapeara, Dona Líbia comemora 80 anos e ensina: 'Temos dois ouvidos e uma só boca'

Líder da comunidade do Uruapeara, local da tradicional festa e procissão fluvial de São Sebastião, ela vem a Manaus para conviver com os filhos, mas o que a faz feliz é o lugar onde passou a infância, casou-se e teve sete filhos 27/10/2017 às 20:27 - Atualizado em 27/10/2017 às 20:28
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Dona Líbia Almeida Neves (de blusa branca, na primeira fileira) com familiares em seu aniversário em missa de Ação de Graças
Antonio Ximenes

Dona  Líbia Almeida Neves fez oitenta anos e toda sua família comemorou com uma grande festa hoje (27/10), no Condomínio Reserva do Parque, na Ponta Negra, em Manaus. Religiosa, fez questão que se rezasse uma missa em ação de graças na Paróquia São Jorge. 

Nascida no Lago do Uruapeara, no interior de Humaitá, uma comunidade em que se chega somente de barco, depois de uma viagem de 12hs partindo da sede do município, Líbia, como é conhecida, representa uma tradição ribeirinha passada de mãe para os filhos, filhas, netos, netas , bisnetos e bisnetas.  

"Todos os dias tem que agradecer a Deus. Criança tem que obedecer os pais. Temos dois ouvidos e uma só boca, então temos que ouvir mais do que falar. A família é uma benção divina e tem que ser preservada", ensina.

Líder da comunidade do Uruapeara, onde se realiza a tradicional festa e procissão fluvial consagrada a São Sebastião, ela vem a Manaus para conviver um pouco com os filhos, mas o que à faz feliz é o Uruapeara, onde passou sua infância, casou-se e teve quatro filhos (Rômulo, Raimundo JR, Luiz e Radson) e três filhas (Lourdes, Meiry e Lúcia). Ela tem 22 netos e 10 bisnetos. 

"No interior, a gente conversa com os vizinhos e todo mundo se conhece.Aqui na cidade é diferente, se vive dentro de casa e não dá para pescar, plantar e cuidar dos filhos com liberdade. Lá não tem violência, mas na cidade tem muito bandido", comenta.

Viúva de Raimundo Ferreira Neves (Barão Dico), com quem viveu mais de 44 anos, dona Líbia lembra que nos anos em que seu marido era vivo, a família tinha seringais no Uruapeara com centenas de trabalhadores, mas que depois de muita luta para resistir aos preços ruins da borracha, os filhos tiveram que vir morar e estudar em Manaus. 

"Eram outros tempos, onde a gente tinha de tudo na floresta, mas o dinheiro foi ficando curto e o meu marido teve que vir para Manaus. Eu nunca deixei vender nossas terras no Uruapeara, porque quero terminar os meus dias lá olhando o lago", lembra ela.

Filhos

O filho Raimundo Junior, 54, empresário do setor de engenharia de combate a incêndios, disse que a festa para a mãe é uma homenagem ao jeito que ela ensinou a todos: "A gente veio do interior e crescemos com os ensinamentos dela de fazer tudo em família e a cuidar um dos outros".

O empresário Radson Neves, 44, filho caçula, disse que a missa e a festa de aniversário à mãe é uma homenagem a toda uma história de vida ribeirinha e de quem se dedicou sempre à família.

A filha Lúcia Neves, 53, disse que a historia de vida da mãe e do pai dela é uma lição de amor e dedicação. "Ela casou quando tinha 13 anos e o meu pai 30 anos. Viveram nas barrancas do rio Madeira e no Lago do Uruapeara. Tiveram os filhos nas condições mais adversas, mas souberam nos ensinar e educar para a vida. Hoje estamos unidos por ela,  à quem somos eternamente gratos".

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