Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Crise econômica

Ano de 2016 terminará com 27 mil empregos a menos que em 2015, aponta Cieam

Os segmentos mais prejudicados continuam sendo o de duas rodas e de eletroeletrônicos



389148.jpg Foto: Antonio Lima
06/12/2016 às 10:47

O Distrito Industrial de Manaus fecha 2016 com menos 25% de trabalhadores em relação ao ano passado, segundo o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco. “A quantidade de pessoas, hoje, envolvidas é menor do que ano passado que tinha 107 mil trabalhadores no Distrito. Este ano nós temos em torno de 80 mil”, disse.

Apesar do desaquecimento da economia, o final do ano não será diferente de 2015, o presidente do Cieam destaca que os segmentos mais prejudicados continuam sendo o de duas rodas e de eletroeletrônicos, que são os principais.

Périco afirma que dependendo da empresa e do segmento, a quantidade de produtos estocados possibilita que as férias dos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) podem ser prolongadas ou não, evitando as demissões.

De acordo com a Moto Honda, as férias coletivas fazem parte do calendário anual da empresa. Neste final de ano, acontecerão de 19 de dezembro 2016 a 2 de janeiro de 2017, totalizando 13 dias, assim como no ano passado. Atualmente, a Moto Honda conta com cerca de 6 mil colaboradores.

Contraponto

O economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Inaldo Seixas, enfatiza que não há uma melhoria da economia do Estado mesmo com o saldo positivo de empregos.  “[...] São saldos muito pequenos. Mas que a gente acredita que não vamos ter uma melhoria significativa nem na questão do emprego, nem na questão da renda. Nós estamos em uma anunciada queda do PIB (Produto Interno Bruto), nós vamos terminar 2016 com uma queda importante”, explicou. 

Queda na produção industrial e alta taxa de desemprego foram apontadas por Seixas como provas de que a economia não está em recuperação como os gestores insistem em declarar. “Apesar de que existe uma retórica política dos que estão no poder agora de dizer que a expectativa está melhorando, de que existe mais confiança, isso é mais um voluntarismo deles do que os indicadores diários que a gente encontra na economia”, destacou Seixas.

Perspectiva

Para o economista, a expectativa do mercado era de que o consumidor voltasse a comprar mais, porém a atitude é contrária. “Se a gente não tem expectativa do consumo privado, não tem expectativa que o investimento volte, o que pode esperar para 2017 é uma situação complicada da economia, uma situação de estagnação”, afirmou.

Pnad e Caged explicam

O último dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é relativo ao mês de outubro e evidencia que o mercado de trabalho perdeu 74.748 empregos com carteira assinada no período, número bem inferior ao registrado no mesmo mês de 2015, quando foram registrados 169.131 vagas a menos no País. 

Já a taxa de desocupação de Manaus (16,5%), segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  colocou a capital amazonense na terceira posição do Ranking de Cidades Brasileiras com alto índice desocupação, somando um quantitativo de aproximadamente 178 mil pessoas desocupadas. 

No Amazonas, a taxa foi de 13,6%, com isso, o número de pessoas sem trabalho em todo Estado alcançou 240 mil. Os indicadores mais recentes da Suframa são do mês de setembro e evidenciam a diminuição de aproximadamente 14,4% dos empregos no Polo Industrial de Manaus.

2017 difícil  

O economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Inaldo Seixas, revela que há um espaço ocioso dentro das empresas e que não se pode esperar que em 2017 sejam contratadas mais pessoas. “Mesmo que no primeiro trimestre de 2017 se tenha uma expectativa positiva da economia, não vai se gerar novos postos de trabalho. Vai se trabalhar com o que tem, inclusive colocando mais gente na rua. Então as expectativas são desalentadoras”, contou o supervisor técnico do Dieese.

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