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Manaus
Enchente

Cheia deste ano estará entre as 12 maiores dos últimos 115 anos

A informação é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Jochen Schongart, que fez o prognóstico de acordo com o modelo matemático que desenvolveu para a previsão de cheias do rio Negro 23/03/2017 às 10:58 - Atualizado em 23/03/2017 às 13:38
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Previsão confirma a tendência de que as enchentes com maior intensidade estão cada vez mais frequentes no Amazonas (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Silane Souza Manaus (AM)

A cheia de 2017, no rio Negro, em Manaus, deve ser uma das doze maiores no registro do Porto da capital, que existe desde 1902, devendo alcançar entre 28,88 e 29,48 metros (média de 29,18 metros). Confirmando, portanto, a tendência de que as enchentes com maior intensidade estão cada vez mais frequentes no Amazonas. As informações são do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Jochen Schongart.

Ele fez o prognóstico de acordo com o modelo matemático que desenvolveu para a previsão de cheias do rio Negro, e evidenciou o aumento das grandes cheias, assim como das secas severas, que tem sido observado nos último 30 anos. “Esta intensificação do ciclo hidrológico da bacia amazônica é resultado de níveis máximos (cheia)  e mínimos (seca) mais intensos e frequentes”, afirmou.

Conforme Schongart, a amplitude de diferença da cheia e da seca era em média de 10,2 metros, porém, nessa fase de intensificação do ciclo hidrológico, aumentou para 13 metros e chegou a atingir 15, como em 2011. Para ele, os fatores por traz disso são vários, como o El Niño e La Niña, que resultam em menos e mais chuva na região, respectivamente, além das oscilações decadais do Pacífico, que tem fases frias e quentes.

“Essas fases frias e quentes duram 20 a 30 anos e quando o Pacífico está na fase fria da oscilação decadal nós observamos nos dados que tem tendência de haver cheia maiores”, relatou o pesquisador. “São vários os fatores que influenciam no regime de cheia nas nossas modelagens, que resulta num modelo bastante robusto de parâmetros explicando 76% da variabilidade da cheia”, completou.

Outro fator que contribui para a tendência de aumento de cheias é o aquecimento das águas superficiais do Atlântico Tropical Norte causando maior evaporação das águas. "Este vapor da água esta sendo importada na bacia amazônica pelos ventos alísios durante a época chuvosa aumentando as chuvas na bacia Amazônica".

Jochen Schongart salientou, ainda, que a grande discussão acerca da intensificação do ciclo hidrológico é para saber se ela ocorre em razão apenas de causas naturais ou se também é um efeito do aquecimento global.

O pesquisador, que faz parte do grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua) do Inpa, ressaltou ainda a importância deste tipo de previsão para o poder público. “É uma ferramenta muito importante para a criação de políticas públicas para mitigar os impactos sociais e econômicos que uma grande cheia pode causar para as zonas urbanas críticas e para os ribeirinhos”, frisou.

Saiba mais

Em 2015, o nível do rio Negro, em Manaus, atingiu 29,66 metros, em 2014 e 2013 foram registradas as marcas de 29,33 metros e 29,50 metros, respectivamente, e em 2012, atingiu 29,97 metros, a maior cheia no registro, e em 2009, foi de 29,77 metros. Antes disso, Manaus teve cheias acima de 29 metros somente na década 1970 (1971, 1975, 1976), e nos anos de 1953, 1922 e 1909.

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