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Manaus
Violência doméstica

A difícil e importante decisão de se denunciar a violência contra a mulher

Parceria entre Defensoria Pública e Delegacia Especializada leva atendimento itinerante e promove a proteção dos direitos das mulheres vítimas de violência doméstica 18/08/2016 às 21:12 - Atualizado em 19/08/2016 às 08:04
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A expectativa é fazer 200 atendimentos nos dois dias de ação (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Nos últimos dois meses, a dona de casa Juliete da Silva*, 25, tem vivido momentos de terror dentro de casa. As agressões verbais e psicológicas feitas pelo marido após 11 anos de relacionamento evoluíram para uma agressão física: ele a queimou com o ferro de passar roupas, deixando uma marca que Juliete levará para o resto da vida. E não estamos falando da cicatriz deixada pela queimadura no antebraço da dona de casa, mas do trauma que vivem as vítimas de violência doméstica.

Juliete contou que, depois do extremo da violência do marido, ela pensou em procurar ajuda policial, mas os 11 anos de união estável “pesaram” na decisão inicial. Foi o medo de que uma nova – e fatal – violência acontecesse que a encorajou a denunciar o companheiro à polícia. E quando ela soube que o projeto “Defensoria nos bairros” estava atendendo mulheres vítimas de violência doméstica até o fim desta semana, foi a oportunidade que faltava para que ela, enfim, tomasse a coragem necessária para procurar a polícia.

Com um dos três filhos no colo, ela foi até o estacionamento da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), no Eldorado, Zona Centro-Sul, onde está estacionado o ônibus do projeto - uma parceria entre a delegacia e a Defensoria Pública do Estado (DPE) - e denunciou as agressões à defensora pública Caroline Braz. “Meu esposo nunca aceitou que eu trabalhasse, sempre dizia que mulher dele tinha que cuidar de casa e dos filhos. Depois que descobri um caso extraconjugal dele, pedi a separação e, desde então, tenho passado por agressões verbais, psicológicas e físicas”, disse.

Discussões

Segundo Juliete, em dezembro, o companheiro, que é motorista, mudou o comportamendo dentro de casa. “Ele parou de dar atenção e até mesmo condições adequadas de vida aos nossos filhos. E depois que descobri que ele estava diferente porque tinha outra mulher, começaram as humilhações. Toda vez que o chamava para conversar e resolver a nossa situação, ele me ameaçava, mas nunca pensei que as coisas pudessem chegar a esse ponto”, relatou.

Juliete se refere à agressão sofrida por ela recentemente, durante mais uma discussão entre os dois. “Foi mais uma tentativa de conversar com ele, que estava passando a camisa dele. Começamos a discutir e, no meio da discussão, ele me deu vários murros no braço e me queimou com o ferro. Fiquei com medo e decidi seguir o conselho da minha cunhada e procurar ajuda antes que o pior acontecesse”, desabafou, aos prantos.

Até o fim da tarde

A defensora pública Caroline Braz, responsável pela unidade móvel, informou que a ação se estende até o final da tarde de hoje.  A medida reforça a comemoração dos 10 anos da Lei Maria da Penha.

Com a unidade móvel próximo à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), a ideia é colaborar com as denunciantes. “Na unidade, as solicitantes podem receber orientações ou até dar início às questões familiares que precisam ser resolvidas em separação, como é o caso de pensão alimentícia, partilha dos bens, guarda dos filhos, comprovação de paternidade e outros assuntos importantes”, explicou.

Após o acompanhamento, a Defensoria Pública encaminha as denúncias diretamente para a Justiça, que fica responsável pela continuidade do processo.

Procurando ajuda?

Caso alguém queira buscar orientações ou dar entrada em qualquer processo envolvendo união, situações familiares e violência doméstica, pode procurar o Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher Vítima de Violência da Defensoria Pública, localizado na avenida Presidente Kennedy, 399, Educandos, Zona Sul. Mais informações: (92) 3232-1356/98477-3249.

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