Sábado, 24 de Agosto de 2019
SEM DITADURA

A esperança em um nome: venezuelanos em Manaus sonham com presidência de Guaidó

Abrigados em um acampamento ao lado da rodoviária de Manaus, venezuelanos afirmam que encontram no nome do presidente da Assembleia Nacional a esperança para reconstituição do país



18/02/2019 às 17:03

Afundada em uma crise política, a Venezuela recebeu no último dia 20 de janeiro, a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino do país. Opositor de Nicolás Maduro, o político foi reconhecido por diversos países como o verdadeiro líder da Venezuela, o que não agradou o atual governo. Em Manaus, venezuelanos que fugiram da fome no país vizinho tem no nome de Guaidó uma esperança.

Em um acampamento ao lado da Rodoviária de Manaus, localizada no bairro Flores, na Zona Centro-Sul, o venezuelano Ravel Rivero, de 42 anos, vive com a sua família. Falando sobre o cenário político do país, o homem destaca a revolta com o governo de Nicolás Maduro e sonha que o opositor declarado do presidente e também líder da Assembleia Nacional assuma legalmente a presidência.

"Estamos aqui na rua, no chão. Estamos aqui por uma necessidade. Viemos da Venezuela, porque o governo de Maduro não conseguia oferecer o que estávamos precisando. Imigramos para o Brasil, mas estamos esperando que mude o presidente. Queremos um presidente novo que solucione todos os problemas", disse o homem.

Ravel lembra que quando estava na Venezuela já ouvia falar sobre Juan Guaidó. Antes, ele era só o líder da Assembleia Nacional, mas agora representa muito mais que isso para o povo venezuelano. "Quando estava na Venezuela. ouvia falar sobre Guaidó, sim. Ele é o nosso nome de esperança e queremos que se torne o presidente do nosso país, porque se as coisas melhorarem, vamos conseguir voltar para lá", destaca.

O venezuelano sonha com o momento de receber a notícia da saída de Maduro da presidência. "Estamos aqui esperando uma notícia positiva, porque queremos voltar para a nossa pátria. Viemos para o Brasil por uma necessidade, porque na Venezuela não tínhamos roupas e atendimento médico. Não tínhamos nada", afirmou o imigrante.

Nova oportunidade

Após desafiar o governo de Maduro, Guaidó recebeu uma resposta negativa da corte de Justiça venezuelana. O juiz Juan José Mendonza, presidente da Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ),  pediu que a Justiça atuasse contra o líder da Assembleia Nacional e o parlamento.

Mesmo com a disputa política intensa entre Maduro e Guaidó, o venezuelano Marin Velasquez, de 22 anos, que está em Manaus há dois meses, acredita que o opositor do atual presidente merece uma oportunidade para reconstituir a Venezuela.

"Ele (Guaidó) é uma boa esperança para o país, para nós venezuelanos, já que Maduro mostrou que não é um bom presidente e nunca estará apto para ser. Acredito que ele merece uma oportunidade, porque a situação na Venezuela está insustentável. Sou técnico de informática e deixei o curso de engenharia no meio para imigrar", lamentou o jovem.

Questionado se voltaria para Venezuela, caso Maduro renunciasse ou fosse tirado do poder venezuelano, Marin destaca que sim. "Voltaria, porque continuo louco pela Venezuela, mas agora é melhor continuar aqui do que voltar para lá. Aqui tem comida", destacou.

Dentro da legalidade

O venezuelano Anival Gutierrez, de 43 anos, que também mora no acampamento ao lado da rodoviária, também sonha com a mudança de governo na Venezuela. No entanto, o homem pede cautela e que tudo seja feito conforme a Carta Magna do país.

"Minha opinião é que se isso for legal, dentro da Carta Magna do país, tudo deve ocorrer bem. É necessário que agora seja implantado qualquer instrumento ou argumento para que a Venezuela consiga sair dessa grande crise. Eu acredito que por meio do Guiadó muitas coisas boas devem chegar para o nosso país", disse.

Diferente dos colegas, Anival encontra no nome de Jesus uma esperança para que a crise na Venezuela acabe, mas também destaca que Juan Guaidó será muito bem vindo, caso consiga ser eleito pelo povo venezuelano de forma democrática.

"Se Deus permitir que Guaidó seja presidente da Venezuela, escolhido pelo povo, ou indicada por ele, será muito bem vindo. Queremos que as coisas começem a acontecer na Venezuela não só para beneficiar um grupo, como tem acontecido nos últimos anos, mas o coletivo", completou.

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