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A força do ‘acreditar’

Analfabeto até os 10 anos, Júnior apostou na educação para vencer 11/05/2013 às 19:39
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Júnior Brasil trocou os corredores das feiras e mercados de Manaus pela carreira na Polícia Federal, onde é perito
Ana Celia Ossame Manaus (AM)

Oportunidade e sonhos são palavras belas e mágicas na vida do perito da Polícia Federal Júnior César Brasil de Morais. Especializado em vasculhar as contas de políticos e empresários envolvidos em desvios de recursos públicos, Júnior só aprendeu a ler aos 10 anos de idade, mas a partir daí serviu-se da alegria do saber para acreditar que poderia mudar sua vida e hoje quer ser um estímulo aos jovens sem esperança.

Filho de uma família pobre, que contava com o trabalho dele para ajudar no sustento casa, Júnior trabalhava em feiras e mercados. A chance de dar uma guinada no destino que parecia traçado para poucos desafios chegou em 1992, com um anúncio do Jornal A CRÍTICA, lançado pelo então presidente da Rede Calderaro de Comunicação (RCC), jornalista Umberto Calderaro Filho.

Oportunidade

Em uma parceria com o cursinho, A CRÍTICA lançou um concurso para selecionar 17 candidatos a bolsas de estudo de segundo grau, hoje ensino médio, no Colégio Objetivo. Estudante de escola pública, Júnior resolveu que iria concorrer e ser aprovado naquela seleção, o que acabou acontecendo e não foi por acaso, acrescenta ele, dizendo ter sonhado com esse momento, depois saboreado por toda a família e amigos. “Recebi os parabéns do próprio ‘seu’ Calderaro”, lembra ele, que na escola de classe média constatou a diferença social dele para os demais alunos, mas não se intimidou.

Pelo contrário, vibrou com a qualidade do material didático disponível que iria fazer diferença na sua preparação para outros passos. “Estudei e aproveitei ao máximo”, disse ele, que trabalhava nessa época na Manaus Moderna e, entre as caixas de frutas e verduras, caminhava na leitura das ciências.

O resultado não poderia ser diferente. Em 1995, foi aprovado para o curso de Contabilidade da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Depois, de olho nos concursos públicos, continuou a estudar e, em 1996, foi aprovado em concurso público para a Secretaria de Fazenda do Estado de Rondônia, onde morou por seis anos, concluindo lá o curso de Contabilidade.


Para ele, que mantém os amigos do tempo da Feira da Manaus Moderna, hoje parece fácil olhar esse passado de grandes dificuldades e sofrimentos, com olhos de alegria pela superação. Mas isso só é verdade porque ousou sonhar e não perdeu a oportunidade dada pelo fundador do Jornal A CRÍTICA.

Fé nos estudos fez apostar na esperança

Sem nunca perder a esperança de voltar ao Amazonas, pois queria trabalhar e servir o seu Estado de origem, Júnior, que é casado e pai de dois meninos, Artur, 8, e Heitor, 5, viu no lançamento do concurso para perito na Polícia Federal para o Amazonas, em 2001, a chance de voltar à sua terra. Mesmo com concorrência nacional, a vaga foi dele.

“Sempre acreditei que o ensino é o caminho para a vitória. Mesmo tendo começado tarde nele, ouvi aquela voz que disse ser aquele o momento”, afirma ele, que é bacharel em Contabilidade, especialista em Adminstração Pública e mestrando em Controladoria e Contabilidade, curso que o levou de volta à Ufam, de onde tem convite para dar aulas, mas como passa o dia inteiro na PF, prefere, por enquanto, passar o tempo disponível com os filhos e a família.

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