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Manaus
TRADIÇÃO ORAL

Contadores de histórias: profissionais que nos fazem viajar pelo mundo da imaginação

No dia deles, A CRÍTICA apresenta a atividade de contação literária, que também passa pelo teatro até os guias turísticos dos patrimônios públicos 20/03/2017 às 05:00
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Salete Dutra é pedagoga, gerente do Centro Cultural Usina Chaminé e também é responsável pela contação para crianças e jovens no local (Fotos: Márcio Silva e Divulgação)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Quem nunca ouviu uma fábula, conto ou narração por meio de uma pessoa que não atire o primeiro livro, mas possa conhecer melhor quem são esses abnegados personagens que nos fazem viajar pelo mundo da imaginação e acrescentar vida ao nosso dia a dia. Hoje (20) é o Dia do Contador de Histórias, e A CRÍTICA foi conhecer melhor quem são esses fundamentais expoentes.

A acadêmica do  7° período de de Arquivologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sílvia Angelina, foi, de 2013 a 2016, contadora de histórias na Biblioteca Emídio Vaz, que fica localizada na rua Dr. Alminio, 73, Centro. Concursada da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), ela hoje está lotada na Biblioteca Pública como auxiliar, mas sempre que é solicitada vai ao Emídio Vaz para a alegria da garotada.

Ela contava livros infantis e histórias clássicas como Três Porquinhos, sobre o Dia da Consciência Negra, da “Menina Bonita de Laço de Fita” da autora Ana Maria Machado, “que respeitava as diferenças”, e de disciplinas como Matemática e outros.

“No início eu recebi um um treinamento especializado para a contação de histórias. A faixa etária que a biblioteca atende é de 4 a 12 anos, mais o público em geral e adulto e até mesmo alunos da Ufam. Sinto saudades da época de ter essa relação com as crianças, de sentir a energia delas e o sorriso de apresentar principalmente a estação de astronomia, onde havia o planetário. Eles ficavam maravilhados”, conta ela.

Para Sílvia Angelina, a sensação de contar histórias é “uma experiência bacana e que nos faz sermos criativos, ter imaginação e nos empenharmos para aguçar a imaginação das crianças; o que mais me gratifica é ver o sorriso delas e incentivá-las a lerem e mostrar que a leitura é algo bom”.

Chaminé

No tradicional Centro Cultural Usina Chaminé encontramos dois personagens que amam contar as histórias sendo um pela forma literária e outro pelo contexto histórico. Na parte literária, encontramos com a pedagoga e gerente do espaço, Salete Dutra. “Com a leitura feita através dos livros, contos e pelas próprias lendas regionais nós tentamos fazer com que as crianças que estão na fase da percepção e descoberta interaja e receba de forma clara com tudo isso. Após o termino da fábula e da lenda, a criança começa a demonstrar com tudo que ela aprendeu a viver o seu mundo de fantasia”, diz Salete.

Ela descreve a sua satisfaçao como de forma imensa. “É muito satisfatório ver, de poder contar para a criança, de forma clara e que ela entenda e vivencie tudo isso, e que possa continuar tendo a vontade de ler, ouvir. E também há o trabalho que temos para que os pais dêem continuidade a tudo isso”, conta ela.

Guia turístico

Já o guia turístico Cláudio Abrahim tem 19 anos e é responsável por orientar os visitantes do Chaminé pelos setores do espaço e contar, entre outras coisas, sobre a história do famoso centro cultural. “Nosso trabalho é mostrar para as pessoas um pouco da realidade do ambiente amazônico, sobre a importância da Amazônia através dos elementos que eles encontram aqui, da importância do meio ambiente e de forma interativa, além do histórico do prédio”, explicou ele.

Contação teatral

Uma curiosa contação de histórias em forma de encenação teatral é a feita pelo grupo de teatro local Criatê, que coloca em evidência o livro e a leitura em suas várias formas e moldando isso para as crianças, conta a atriz e diretora Camila Duarte.

Um desses espetáculos é “Meninos do Quintal”, escrita pela própria Camila e pelo também ator Clayson Chaves, onde as crianças Pé-de-Moleque, Pereba e Formiga levam o público a vivenciar e experimentar “o querido quintal, lá do fundo da casa da vovó, pode trazer!”. Isso através da contação de histórias, aliada a muitas brincadeiras, cantigas, poesias e convívio com a natureza. É o redescobrimento da infância no quintal, um mundo antes do videogame e da Internet.

Outro exemplo é “De Encontro”, que fala das histórias de encontros inesperados, de duas amigas, um primeiro encontro, até com um assaltante e outros. Tudo contado pelos atores Camila e Clayson. No último sábado (18) o espetáculo foi apresentado no Teatro Manauara, e ontem, no mesmo local, foi a vez de “Meninos do Quintal”.

“Vivenciamos isso em nossas infâncias, com nossos avós, passamos para nossos primos e começamos a compartilhar essas histórias até surgir a brincadeira ‘Meninos de Quintal’. É a nossa história que estamos colocando no palco para as crianças de hoje, com as brincadeiras de antigamente”, disse a atriz Camila Duarte.

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