Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Manaus

‘A meta é ficar entre os melhores do País’, afirma Kátia Schweickardt em entrevista

A gestora da Secretaria Municipal de Educação destaca os avanços e novas metas que devem ser implementadas até o final do ano para dar uma nova dinâmica às escolas da rede pública de Manaus



1.jpg Kátia Schweickardt, Secretária da Semed
03/05/2015 às 19:12

ASSISTA ENTREVISTA AQUI 

Estabelecer metas voltadas para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem e elevação dos índices educacionais da capital amazonense estão entre os objetivos da atual gestora da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Kátia Schweickardt.

Em entrevista ao A CRÍTICA, ela revela as várias frentes de trabalho que a gestão pretende “atacar”, tais como melhoria da infraestutura, qualificação de professores e o fortalecimento na educação rural do município.

Kátia, que esteve à frente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), pontua ainda que precisa atuar de forma célere para “recolocar algumas coisas no eixo”. Segundo a secretária, este ano a educação municipal irá colher bons resultados que “soarão de modo positivo na percepção das pessoas”.

Quando a senhora foi chamada para assumir a pasta educacional, qual foi sua reação?

Recebi a notícia de forma impactante, porque nunca pensei que estivesse no horizonte do prefeito Arthur Neto; a ideia de que eu poderia assumir uma pasta de gestão num momento tão crítico.

 Sob qual ponto de vista?

Da percepção da população em relação à cidade. Pois quando Arthur assumiu a prefeitura percebi que haveria nesse governo uma expectativa muito grande em função da nova equipe. Montar uma equipe formada por experientes pessoas novas era uma atitude arrojada. Passado esse período e diante do bom desempenho, ele (Arthur) achou que eu deveria ir para uma secretaria maior.

A Semed conta com um orçamento expressivo e com muitos gargalos, como a senhora analisa a questão?

A Semed cuida do que eu considero a área mais importante para o município, que é a educação, que forma cidadãos. Mas, do mesmo modo que ela é muito importante para os políticos, ela é uma incógnita, porque todas as vezes que você dá aos cidadãos a capacidade para eles se tornarem críticos e exercerem sua cidadania plena, você pode comprometer o “status” da política.

 Todos falam que querem dar educação, mas na prática, de fato, querem mesmo?

 Eu acredito que o Arthur quer e muito.

Qual foi a sua impressão quando chegou à Semed?

Embora sendo membro do governo municipal, a imagem que tinha era de desordem e da falta de foco, mas não foi bem assim, tive uma grata surpresa. A secretaria vem, nesses dois últimos anos, tentando trabalhar um programa de gestão de qualidade da educação. Temos fontes constitucionais e fontes do tesouro, porém estamos passando por uma grande retração financeira, então isso vem trazendo um decréscimo das verbas federais e estamos no momento de crise diante da verba do tesouro.

Qual a prioridade a curto prazo?

Diminuir a grande quantidade de prédios alugados onde funcionam as escolas por prédios próprios da secretaria, construídos com projetos voltados para a educação. Muitas são as adaptações feitas ao longo da história, porque a rede veio crescendo e a infraestrutura não acompanhou o crescimento da demanda.

Que planos há para avançar com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)?

Nós já avançamos de 2013 para cá, saímos do 20º lugar das series iniciais e passamos para o 13º e saímos do 20º nas séries finais e passamos para o 7º. Entre as capitais já mudamos de status, mas é pouco para o Arthur. A meta é que a figuremos entre as dez capitais brasileiras ainda este ano. Isso implica uma série de estratégias, como programa de reforço escolar no contraturno.

Que tipo de apoio há nesse sentido?

Temos um trabalho forte no programa “Mais Educação” e com o Instituto Ayrton Senna, que atua há 20 anos para a melhoria da educação e que vem atuando conosco. No ano passado tivemos 3,3 mil crianças e este ano teremos 10.480 crianças nos programas de reforço, que têm por meta trabalhar as fragilidades e as competências que já foram diagnosticadas na rede de ensino, além das crianças que estarão envolvidas com as avaliações.

Como está o andamento da parceria entre a Semed e o Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID)?

Estamos com os projetos prontos e nosso processo está no Ministério da Fazenda, assim como o de todas as capitais do Brasil. Precisamos do estudo e aprovação do ministro Joaquim Levy, entretanto, em relação à nossa contrapartida posso dizer que estamos bem adiantados, principalmente com a aceleração da aprendizagem, reforço escolar e toda a parte pedagógica. Montamos uma unidade gestora específica para este programa, para administrar e trabalhar a desapropriação das áreas que a gente já mapeou. Já definimos boa parte desse locais onde virão a ser construídos os centros escolares.

Como está o contrato de manutenção das escolas?

Tínhamos um contrato de um determinado valor e que cobria 400 escolas, então conseguimos repactuar com as empresas a redução de 10% e o atendimento de toda a rede. Claro que esse contrato de manutenção não resolve tudo porque temos muitos prédios alugados e com problemas estruturais, mas muita coisa estamos conseguindo fazer e faremos mais. Vale ressaltar que esse contrato também foi adequado para as escolas rurais.

O que falta para dar mais eficácia à qualidade do ensino?

Precisamos de fato, implantar plenamente a Hora de Trabalho Pedagógico (HTP) de 1ª a 5ª, que é um compromisso e que já temos hoje a do 6º ao 9º. Também já fizemos o chamamento de 155 professores concursados, sendo 150 pedagogos e 5 educadores físicos, e estamos lançando o Processo Seletivo Simplificado (PSS) para mais 270 professores com o objetivo de completar a grade e implantarmos a HTP.

A secretária pode traçar um panorama da educação municipal?

Considero que a gestão de políticas públicas voltadas para a educação é, de fato, um conjunto de política mais importante de qualquer governo. Junto com a saúde, é a base de formação da sociedade. Não é responsabilidade só do governo, tem que haver a participação ativa da sociedade e, no nosso caso, das famílias, porque lidamos com a educação infantil e fundamental, precisamos das famílias que cuidam e se preocupam com as crianças.

Esse elo entre a família e a rede educacional é fundamental para a qualidade do ensino?

Sim, claro, as famílias têm que assumir a responsabilidade e não despejar só na escola toda essa expectativa de mudança e de qualidade do aprendizado da criança. Se tivermos essa aproximação com as famílias, com o trabalho de qualidade de gestão, não tenho dúvida que iremos sentir uma grande diferença na educação do município.

Perfil Kátia Schweickardt
Idade: 45
Nome: Kátia Helena Serafina Cruz Schweickardt
Estudos: Formada em Agronomia e em Ciências Sociais. Tem doutorado em Sociologia e Antropologia.
Experiência: Atualmente, é professora adjunta do Departamento de Ciências Sociais da Ufam. Ocupou o cargo de secretária da Semmas de janeiro de 2013 até março de 2015.



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