Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
Entrevista

‘A nossa prioridade é garantir o aprendizado’, diz Raimundo Barradas

Secretário executivo adjunto pedagógico da Seduc fala dos planos que a pasta tem para melhorar os índices nacionais de avaliação e também elenca os investimentos feitos pelo governo Wilson Lima



barradas_086E57FC-8CA5-4163-849F-4F9853FC2A41.JPG Foto: Glenda Dinely
19/01/2020 às 10:07

O ano letivo de 2020 inicia no dia 6 de fevereiro nas 596 escolas convencionais distribuídas na capital e no interior do estado, conforme a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc). De acordo com o secretário executivo adjunto pedagógico da Seduc, Raimundo Barradas, oito projetos são prioritários, contidos no planejamento estratégico 2020-2023 da pasta, para atender as  demandas educacionais previstas na legislação educacional vigente e nos Planos Nacional e Estadual de Educação. Em entrevista ao A CRÍTICA, Raimundo Barradas comentou o desempenho da rede em avaliações nacionais, a preparação para as adaptações à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e ao Novo Ensino Médio, além de investimentos previstos no setor, inclusive, na formação continuada dos professores.

Quais ações são prioritárias?



Os projetos atendem aos seguintes eixos prioritários: Universalizar o acesso a Educação Básica (EB); Garantir a permanência e aumentar a taxa de conclusão do Ensino Fundamental e do Médio na idade certa; Garantir ao longo da EB o desenvolvimento e consolidação das habilidades e competências essenciais a todos os estudantes; Reduzir as distâncias do aprendizado entre alunos de status socioeconômicos diferentes; Garantir aos estudantes da rede o direito de viver experiências significativas para o sucesso na vida social e na carreira; Monitorar e avaliar o desempenho de profissionais da educação, alinhado a programa de aprimoramento profissional; Buscar parcerias com organizações para captação de recursos e parcerias técnicas; E garantir reestruturação física, inovação tecnológica e conectividade às escolas da rede estadual, bem como transporte e merenda escolar de qualidade.

O Amazonas teve queda no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica entre os anos de 2015 e 2017. O estado não alcançou a meta projetada para o Ensino Médio. Como está a preparação para os exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica 2021?

O Ensino Médio a nível nacional é um dos maiores desafios das redes, para o Amazonas isso não é diferente, sendo que uma das nossas ações prioritárias é garantir a aprendizagem dos estudantes. A primeira iniciativa, em 2020, foi garantir os professores em sala. Foram convocados os professores aprovados no último concurso e iniciamos um Processo Seletivo Simplificado para atender as necessidades das escolas. No final de 2019, foi aplicado uma avaliação estadual para mapear as principais dificuldades dos estudantes. Os dados obtidos serão disponibilizados até o primeiro trimestre deste ano para que as escolas trabalhem um plano de intervenção. Em 2019, implantamos o Projeto ‘Hora do SAEB’ com a finalidade de auxiliar as escolas no processo de consolidação das competências e habilidades necessárias para um bom aproveitamento nessa avaliação externa.

O Brasil não conseguiu registrar avanços significativos no desempenho dos estudantes em leitura, matemática e em ciência revelou a avaliação mundial da educação na edição 2018. O que é necessário para reverter esse quadro?

A princípio os investimentos em educação precisam ser ampliados na esfera federal a fim de que as redes (estadual e municipal) tenham possibilidades de investir em programas que garantam a aprendizagem dos estudantes. Quanto à rede estadual, a equipe gestora incluiu no planejamento estratégico a implementação de programas voltados às habilidades de leitura, matemática e ciências. Em 2019, 130 mil livros foram distribuídos e neste ano serão mais 280 mil livros. A leitura é um dos itens mais fundamentais da avaliação porque impacta em todas as outras. Temos a previsão de até 2023 instituir uma política voltada à educação científica que contemple programas de robótica, de melhorias nos laboratórios de ciências, entre outras.

O que tem prejudicado a classificação do Amazonas em avaliações nacionais nos últimos anos?

O Amazonas, nos últimos três anos, teve trocas de secretários de educação por causa das mudanças de governos. Isso quebra o ciclo da política educacional e interrompe sem a oportunidade de avaliar a sua eficácia. Temos no estado a falta de políticas sérias com impactos na leitura, literatura e, sobretudo, interpretação e redação. É um calo da nossa educação nacional. Estamos instituindo uma política para que independentemente do secretário ela possa continuar e apresente resultados efetivos para o estado.

Quais ações estão planejadas para alunos de correção de fluxo?

Temos 40 mil alunos em distorção idade-série. Isso impacta na distorção da aprendizagem e talvez seja um dos maiores males da educação. Queremos atingir um número grande de professores das turmas do projeto Avançar que visa oportunizar ao estudante, em um ano, a regularização do fluxo escolar.

Em 2022 todas as escolas vão obrigatoriamente absorver as reformas  relacionadas à Base Nacional Comum Curricular e do Ensino Médio. Como está a preparação para essa fase?

Iremos adequar as propostas pedagógicas e curriculares, as metodologias e a formação da equipe pedagógica e docentes. A secretaria está elaborando um plano de implementação que contemplará esses aspectos. O passo inicial dessa mudança é o processo de reformulação do currículo que está sendo elaborado pela equipe ‘ProBNCC Etapa Ensino Médio’ com previsão de aprovação do documento e formação ainda este ano. Em paralelo, o Centro de Formação Padre José Anchieta iniciará formações voltadas à proposição do Novo Ensino Médio. Todos os estados estão em processo de elaboração dos planos de implementação.

Como será o projeto de escolas-piloto do novo Ensino Médio?

Em 2019, a Seduc orientou e acompanhou as escolas-piloto na construção de suas Propostas de Flexibilização Curricular (PFCs), que foram elaboradas a partir de dados do Questionário de Escuta realizados com a equipe escolar (docentes, estudantes, pais e/ou responsáveis e comunidade do entorno) dessas escolas. As ações serão executadas neste ano e contribuirão para a escolha de itinerários formativos a serem implementados em 2021. Em 2019, o total de 147 escolas foram atendidas, sendo 76 na capital e 71 no interior em 35 municípios. Neste ano, a estimativa é atender 92 mil estudantes na capital e no interior.

O Centro de Mídias da Educação do Amazonas recebeu, em 2019, um prêmio em inovação na educação.

O Centro de Mídias leva, sobretudo, educação a nível de Ensino Médio para comunidades muito distantes no interior. É educação presencial mediado por tecnologia. Estamos implementando uma boa dose de educação à distância. Em 2019, lançamos o Ambiente Virtual de Aprendizagem, da Seduc, visando diversificar as estratégias de ensino dos estudantes e o fortalecimento de processos formativos dos servidores da educação.

A Seduc irá inaugurar novas escolas em tempo integral?

A rede estadual é formada por 85 escolas em tempo integral. Em 2021, a secretaria pretende ampliar o atendimento para 100 escolas. Temos escolas na capital e nos municípios, entre elas 49 ofertando o Ensino Médio e fundamental. Temos a primeira escola indígena bilíngue (português - nheengatu) em tempo integral do Brasil, no município de São Gabriel da Cachoeira.

De que forma a pasta estimula a formação continuada dos professores?

A Seduc dispõe do Centro de Formação Padre José de Anchieta e convênios firmados com a UEA, para especialização lato sensu em letramento digital e em matemática, e a Ufam para mestrados em educação, letras e geografia. Está em negociação com o Ifam a especialização na Educação de Jovens e Adultos e na Capes o Projeto Ensino Presencial com mediação tecnológica (formação inicial e continuada). Para os anos de 2020-2023, esta gestão instituirá uma Política de Formação alinhada aos planos Nacional e Estadual de Educação, ancorada na BNCC, contemplando os professores nas suas áreas de conhecimento. Além disso, ampliaremos a oferta de formação continuada lato e stricto-sensu firmando parcerias com as diversas Instituições de Ensino Superior públicas e privadas. 

Em 2019, a Seduc divulgou que estava estudando a implantação de projetos pedagógicos com ênfase na saúde mental dos alunos. Quais ações foram implementadas e as previstas?

Criamos a Coordenação de Atenção Psicossocial que conta com psicólogos e assistentes sociais nas coordenadorias Distritais/Regionais para promoção de ações preventivas no cuidado com a saúde mental, por meio de campanhas, palestras, rodas de conversas e escuta especializada aos estudantes. Neste ano, a proposição é ampliar e intensificar essas ações.

Como você avalia as políticas públicas para educação? Há algum exemplo que mereça ser copiado?

Ações fundamentais que têm ocupado os secretários de educação: a BNCC, o novo Ensino Médio e as escolas de tempo integral. Pernambuco e Ceará já caminharam muito. Ceará vem em um crescente. Eles municipalizaram todo o Ensino Fundamental e focaram no Ensino Médio. A rede ficou muito mais leve e com o foco na educação de tempo integral e no monitoramento das políticas públicas. Quase todas as escolas de Pernambuco são de tempo integral. Alguns estados no Norte do País tiveram avanços significativos como o Amapá e o Pará que deu um salto com o regime de colaboração. Desincha a rede e o município cumpre a sua parte e deixa o estado dedicar-se ao Ensino Médio. Tem viabilidade e o Amazonas deveria começar esse processo de colaboração, pelo menos, do 1º ao 5º do fundamental, inclusive, em Manaus.

Como o senhor avalia o projeto de implantação do ensino militar e quais são os avanços desse modelo?

São dez escolas militares no estado com foco na disciplina. É necessário que as escolas, como um todo, recuperem a disciplina na sala de aula. Os militares fazem isso muito bem e pode, na forma civil, ser copiado para outras escolas. Os professores são os mesmos do restante da rede. Essas escolas foram criadas, inicialmente, em áreas de vulnerabilidade por causa de uma demanda grande e hoje atende todo o público. Nesse ano não fizemos seleções para essas escolas, foi aberto para toda a rede.

Perfil

Nome: Raimundo Barradas

Idade: 45 anos

Nome: Raimundo de Jesus Teixeira Barradas

Formação: Filósofo (Universidade Católica de Brasília), Especialista em Docência (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Mestre em Educação (Universidade Federal do Amazonas) e Doutor em Ciências da Educação (Universita Pontificia Salesiana, em Roma-Vaticano)

Experiência: Professor de formação, atuou em todos os níveis de ensino. Tornou-se o primeiro diretor eleito da Escola de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), sendo releeito para o segundo mandato. Foi vice-reitor da UEA e é secretário executivo adjunto pedagógico da Secretaria de Estado de Educação e Desporto.

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