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Abalada após operação da PF, facção ‘Família do Norte’ pretendia financiar candidaturas

A facção criminosa amazonense FDN teve, ao longo desta sexta-feira (20),  integrantes  presos e líderes transferidos para presídios nacionais dentro da Operação La Muralla 20/11/2015 às 20:04
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Entre os presos está “Zé Roberto”, líder da facção FDN
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Dezessete traficantes de drogas que integram o alto escalão da facção criminosa Família do Norte (FDN) foram transferidos dos presídios de Manaus para presídios federais em outros estados na tarde desta sexta-feira (20). Nove deles já estavam presos no regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e sete foram recapturados durante a operação “La Muralla”, deflagrada por agentes da Polícia Federal (PF).

Entre os presos estão os mais perigosos e violentos da organização, como os líderes José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, e Alan de Souza Castimário, o “Nanico”. A dupla é apontada como sanguinária e responsável por várias mortes, entre elas uma chacina.

No curso das investigações foi verificado que a organização criminosa pretendia financiar a candidatura política de integrantes da quadrilha para as eleições de 2016 e 2018, conforme revelou a Polícia Federal. 

“Durante as investigações foi possível perceber que eles ensaiavam um passo mais ousado, como lançar integrantes do grupo em cargos eletivos nas próximas eleições. O propósito da liderança era lançar representantes em cargos municipais em 2016 e até federais em 2018”, explicou Marcelo Rezende.

De acordo com o superintendente da PF, Marcelo Rezende, aproximadamente 90 mandados de prisão preventiva, de 127 expedidos pela Justiça Federal, foram cumpridos durante a operação. Entre os presos estão sete advogados e um vereador de Tonantins, município do interior do Amazonas.

A ação ocorreu simultaneamente nas cidades Tonantis e Tabatinga, no Amazonas, Cratéus, Caucária e Fortaleza, no Ceará, e nas capitais Natal, Boa Vista e Rio de Janeiro, além de prisões efetuadas no Peru, Colômbia, Venezuela e Bolívia. A investigação teve início em abril de 2014.

Os advogados presos foram são responsáveis, segundo Marcelo Rezende, por corromper servidores públicos e movimentar contas bancárias da organização criminosa. De acordo com o delegado da DRE, o vereador Radson Alves de Souza, preso em Tonantins, recebia quantias altas em dinheiro em sua conta bancária.


“Foi verificado vários depósitos na conta e ele usava o dinheiro para pagar entorpecentes”, revelou. Os advogados presos foram identificados como Lucimar Vidinha Gomes, Rosângela Amorim da Silva, Aldemir da Rocha Silva Júnior, Luiz Sérgio Vieiralves Donato Lopes Filho e Janderson Fernandes Ribeiro.

Crime organizado

A ação da polícia tem como finalidade desestruturar o comando da facção na capital e em outros Estados. Para isso, o superintendente da PF, Marcelo Rezende, transferiu os principais membro da FDN para os presídios de segurança máxima de Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR).

Além de Zé Roberto e Nanico, estão na lista também o traficante Cleomar Ribeiro de Freitas, o “Copinho”, o pistoleiro Gregório Graça Alves, o “Mano G”, Geomilson de Lira Arantes, o “Roque”, Joleardson o “Giba”, Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Francisco Alves Pereira, vulgo “Bicho do Mato”, o “Machuca”, entre outros traficantes do alto escalão ad facção. O filho de Zé Roberto, Luciano da Silva Barbosa, está foragido.

O narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, era alvo da operação, porém não foi localizado - ele está foragido há cerca de um ano, e a PF acredita que ele está escondido na Venezuela. João Branco é mandante e um dos executores do assassinato do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso, com pelo menos 20 tiros, há mais de um ano.

Segundo dados repassados pela Polícia Federal, nos últimos meses foram realizadas 11 grandes apreensões de drogas pertencentes à FDN, aproximadamente 2,2 toneladas, avaliadas em R$ 18 milhões de reais. Durante a operação foram apreendidos também R$ 880 mil reais em espécie, dólares, armas e drogas, como cocaína.

Conforme a PF, a facção tinha uma grande estrutura hierarquizada, planejava e coordenava as ações do grupo de dentro dos presídios do Amazonas, com o objetivo de controlar o sistema prisional da capital amazonense, mas com “braços” fora do Estado e até do País. Segundo Rezende, a organização atuava em vários estados da região nordeste e tinha ligação com narcotraficantes internacionais. Durante a operação, a PF contou com apoio da difusão vermelha da Interpol.

Nas ruas e presídios

Dos 17 que foram transferidos, nove já estavam presos no regime fechado do Compaj. O restante foi preso em via pública e em suas residências. O maior transportador e intermediador de drogas da região, Geomilson, o Roque, e o traficante Copinho, segundo o delegado Rafael Caldeira, da Delegacia de Repreensão a Entorpecentes (DRE), foram retirados das celas por volta das 6h.

Agentes da PF, com apoio de grupamentos especializados das polícias Civil e Militar, como Choque, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e grupo Força Especial de Resgate e Assalto (FERA), participaram também da ação. “Nós transferimos 17 do alto escalão dessa facção criminosa e também seus ‘xerifes’ para eles não terem como colocar outros susbstitutos”, disse o delegado.

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