Publicidade
Manaus
Manaus

Abandonada, Mini Vila Olímpica vira ambiente propicio para doenças em Manaus

Moradores temem contágio com a dengue e febre chikungunya, uma vez que a piscina do Centro de Esporte e Lazer do Santo Antônio Jair Sampaio, acumula água parada e está abandonada há anos. Complexo está em reforma 16/12/2014 às 11:43
Show 1
Na piscina olímpica do complexo, localizado no bairro Santo Antônio, na Zona Oeste, a água acumulada atrai animais, como sapos, e também insetos, como o Aedes aegypti, que coloca ovos na água
Luana Carvalho Manaus (AM)

Enquanto aguardam, há mais de dois anos, pela reativação do Centro de Esporte e Lazer do Santo Antônio Jair Sampaio, conhecido como “Mini Vila Olímpica”, na Zona Oeste, os moradores do bairro temem contágio com a dengue e febre chikungunya, uma vez que a piscina olímpica do local acumula água, contribuindo para a proliferação do mosquito Aedes aegypti e provocando riscos à saúde pública.

O espaço inaugurado em 2002 era referência para a prática de esportes. Hoje o local está tomado por lixo e mato. Além disso, os moradores denunciaram que a área serve apenas para abrigo de usuários de drogas e assaltantes. Sem segurança, qualquer pessoa consegue entrar no local.

As duas piscinas não têm proteção e o mato ao redor colabora com o cenário de abandono. “É uma vergonha o que fizeram com este patrimônio. Era tão lindo ver nossas crianças praticando esporte, fazendo natação. Até os idosos praticavam exercícios e hoje tudo está se acabando. Eles falam que estão reformando, mas a gente nunca vê resultados”, reclamou a aposentada Joaquina Soares, 67.

O estudante Daniel Tavares de Souza, 17, lembra do sonho de ser um nadador olímpico. “Aprendi a nadar nesta piscina e sonhava em ser um atleta profissional. Lembro que o professor passou a não vir mais e com isso a frequência dos alunos também diminuiu. Um dia eles informaram que o local fecharia para reforma e hoje a piscina está completamente abandonada”, lamenta.

Lentidão

Em setembro de 2013, o A CRÍTICA publicou uma reportagem, mostrando que o centro esportivo estava parado, em estado precário. Na época, a conservação dos banheiros era feita por guardas municipais. Atualmente, alguns banheiros ficam trancados com cadeados e outros foram arrombados e servem de esconderijo para usuários de drogas. O mau cheiro é insuportável, conforme relatou o aposentado Jairo Conceição Soeiro, 57. “Hoje em dia a gente não consegue mais nem entrar na mini vila olímpica porque está tudo quebrado e fedido. É revoltante que um espaço que já nos serviu tanto tenha sido esquecido pelos governantes”, desabafou.

Mais de um ano depois, o único avanço que se percebe são as novas pinturas nas paredes, que já foram pichadas por vândalos. O complexo esportivo, inaugurado em dezembro de 2002 , já abrigou aulas de natação, hidroginástica, programações para pessoas com deficiência e outras atividades esportivas.

Sem prazo para fim da reforma

O titular de Divisão de Esportes da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel), Thiago Durante, não tem uma previsão de data para o término da reforma.

“O centro está em reforma há três meses. No momento não podemos precisar ou emitir uma previsão exata do término das obras. A reforma está sendo feita pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). As atividades estão parcialmente suspensas no local, mas continuamos fazendo a manutenção da piscina apenas de forma preventiva, para evitar doenças como a dengue, mas não estamos mais utilizando o espaço”, explicou.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), no entanto, informou que está fazendo a reforma geral do local e que aproximadamente 70% da obra já foi concluída. A pasta ressaltou, ainda, que entrou em contato com a Semjel informando que alguns locais de áreas desportivas já podem ser utilizados.

Já a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que a equipe de endemias do Distrito de Saúde (Disa) Oeste irá vistoriar e apurar os possíveis focos de mosquito Aedes aegypti, bem como providenciar a pulverização do local.

O jornal A CRÍTICA questionou como estão funcionando as ações de borrifação em prédios públicos, mas a secretaria respondeu apenas que “cada Disa está fazendo um levantamento de prédios públicos de sua área”. Recentemente, a Prefeitura de Manaus lançou a campanha “Combata um, previna dois - orientando e combatendo o Aedes, previne-se o Chikingunya e a dengue”.

Na ocasião, o secretário municipal de saúde, Homero de Miranda Leão, afirmou que as ações da prefeitura já estavam ocorrendo em 400 pontos da cidade, com a distribuição de 20 mil cartazes, 100 mil flyers e 5 mil adesivos para carros.

Publicidade
Publicidade