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Abandonados, praças e anfiteatros de Manaus são os alvos preferidos dos vândalos e alcoólatras

Espaços públicos amplos que poderiam receber atrações culturais e de lazer estão esquecidos pelo poder público e pela população 04/03/2016 às 15:18
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Calçadão da Suframa, no Distrito Industrial de Manaus
SILANE SOUZA Manaus (AM)

Eles são espaços amplos, que poderiam receber shows e outros tipos de atrações culturais e de lazer, mas nem a população, e muito menos o poder público, se apropriam deles para gerar convivência social. Resultado: hoje estão em situação de completo abandono. Alguns sem condições de uso e com mato por todos os lados. São os anfiteatros das praças de alimentação da cidade e do “calçadão da Suframa”.

A Crítica visitou uma série de espaços públicos que atenderia essas reivindicações, mas que, primeiro, precisam de revitalização, e segundo, ações que os tornem mais atrativos.

Enquanto isso não acontece, mato alto ao redor desses ambientes é a cena mais comum. Como exemplo, o anfiteatro do “calçadão da Suframa”, no Distrito Industrial, Zona Sul. Esse é o mais abandonado de todos. A mata invade o espaço e a cobertura encontra-se deteriorada. O local só é usado para o consumo de bebidas alcoólicas e muitas pessoas costumam fazer festinha particular e depois jogam todo o lixo na área.

Para quem trabalha naquela região, ver o anfiteatro e as quadras se acabando é desolador. “É muito triste ver que o pessoal não sabe aproveitar o que tem. Não sabe conservar os espaços públicos de lazer e entretenimento. Um lugar como esse muito bonito deveria está bem preservado, mas não. Encontra-se desse jeito, entregue a deus dará”, declarou o entregador de carga Mário de Souza Batista, 52.

No anfiteatro da praça de alimentação da Cidade Nova, Zona Norte, parte do espaço é ocupado por um parque de diversão. Para brincar nos brinquedos é preciso pagar. Em relação à conservação, até que a área não está tão depredada, mas precisa de uma reforma. A mesma situação é vista nos anfiteatros das praças do conjunto Tocantins e da Escola Superior de Tecnologia (EST/UEA), ambos na Zona Centro-Sul, e do bairro Dom Pedro (Zona Centro-Oeste). 

“Está destruído. Precisa de uma reforma”, foi o que disse a estudante Dayane Carvalho, 16, sobre o anfiteatro da praça de alimentação do bairro Cidade Nova. Ela mora nas proximidades e relatou como o local é usado. “Dificilmente esse anfiteatro é usado para algum evento. Só tem esse parque de diversão mesmo. Dia de sexta-feira tem um pagode que dá muita confusão. O ambiente não é próprio para famílias”, afirmou.

No Amarelinho, bairro Educandos, Zona Sul, os bancos e calçadas estão quebrados, o mato impera no local também. Quanto aos quiosques, a impressão que dá é que estão para desabar. Para o autônomo João Oliveira Ramos, 62, a área é linda, mas não é bem cuidada. “Acredito que a população tem que ajudar. Se cada um fizer a sua parte o espaço não fica abandonado”, ressalta.

Arte e gastronomia são opções

A Praça do Dom Pedro é administrada pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) é responsável pela concessão da permissão de uso dos mobiliários públicos da Praça da Cidade Nova e do Amarelinho, no Educandos. O anfiteatro da EST-UEA é gerido pela própria Universidade do Estado do Amazonas e o da praça de alimentação do Tocantins, por uma associação do próprio conjunto.

A Manauscult informou que realiza em alguns dos espaços citados na reportagem eventos culturais, como o Réveillon de Manaus, que também acontece no Amarelinho.  A pasta estuda a ocupação de espaços públicos com arte e gastronomia, uma ocupação cultural que envolverá a população do entorno.

Os editais de Cultura da Manauscult também contemplam o apoio a projetos de ocupação artística de espaços públicos como escolas, praças e bibliotecas que podem ser de propostos por qualquer pessoa ou empresa. No último edital, realizado no ano passado, a pasta informou que recebeu projetos apenas para ocupação de escolas com projetos artísticos.

Recentemente, a Prefeitura de Manaus também publicou o decreto nº 3.280 (DOM do dia 24/2/16) instituindo o Programa de Adoção de Praças Públicas, Áreas Verdes e Áreas Públicas Municipais, que prevê edital de chamamento público para a manutenção desses locais pela iniciativa privada, com contrapartida municipal.

A Manauscult ainda esclareceu que a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) é parceira da prefeitura na realização destes eventos em locais público, pois não é do escopo municipal a segurança pública.

Manutenção

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que compartilha das preocupações em relação à área do ‘calçadão da Suframa’, a autarquia ressalta que a manutenção não está entre as suas atribuições.

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