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Manaus
PERIGO NAS RUAS

Terrenos baldios viram ‘redutos’ de criminosos e preocupam moradores

Outra preocupação com os terrenos abandonados são os incêndios, que ocorrem ocasionalmente ou de forma criminosa 24/08/2017 às 20:52 - Atualizado em 25/08/2017 às 07:59
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Na Avenida Umberto Calderaro, matagal preocupa os usuários de ônibus (Fotos: Winnetou Almeida)
Álik Menezes Manaus (AM)

Apesar de existir uma lei municipal que pune proprietários que abandonam prédios e terrenos, a regulamentação é ignorada na capital amazonense, provocando inúmeros problemas à população, sobretudo aos pedestres, que correm risco de serem vítimas de furtos, assaltos e até estupros. Tomados pelo mato, os terrenos se transformam em lixeiras a céu aberto, esconderijos de criminosos e focos de doença. 

O abandono dessas propriedades é considerado infração, segundo a Lei 003/2014, art. 41, inciso IV (Código de Obras do Município), sendo passível de multa no valor de 10 UFMs, o equivalente a R$ 787,90 (a UFM tem valor individual de R$ 78,79). Em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado.

Mesmo assim, na avenida Jornalista Umberto Calderaro, localizada no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, moradores e trabalhadores que passam pela via, próximo da passagem de nível da avenida Efigênio Salles, relatam medo de assaltos, uma vez que os criminosos se escondam em um terreno baldio abandonado há anos. “Mesmo durante o dia acho esse ponto de ônibus perigoso porque os bandidos podem se esconder aí atrás. Teve casos de estupros, as moças geralmente só ficam aqui se forem acompanhadas. À noite aqui é um breu e também fica bastante deserto”, contou. 

O medo também faz parte da rotina da diarista Marinete Barros, 53, que trabalha em residências próximo ao terreno e precisa passar diariamente pelo local. Segundo ela, além de ter se tornado uma lixeira a céu aberto, o terreno é ponto de encontro de criminosos e usuários de drogas. “A gente passa por aqui porque precisa ir para o trabalho, mas é muito perigoso. Sempre ouço relatos de colegas de que alguém foi assaltado ou viu alguém sendo roubado. Na volta, meu patrões me deixam lá na Efîgênio Salles porque aqui fica mais perigoso ainda”, disse. 

No conjunto Parque das Laranjeiras, a população também reclama dos perigos que os terrenos abandonados causam. O aposentado Raimundo Barros, 74, contou que as diaristas que trabalham nas casas da rua Visconde de Porto Seguro temem serem roubadas e até estupradas. “É perigoso para todo mundo. As diaristas, porque são mulheres, e os donos de casas, que correm risco porque os bandidos podem se esconder dentro desses terrenos. Olha só o matagal, não limpam há muitos anos”, relatou.

Fiscalização

A CRÍTICA entrou em contato com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) para questionar sobre as ações e aplicação da lei, além de saber quantos proprietários foram punidos no ano de 2016 e no primeiro semestre desse ano, mas até o fechamento da edição a reportagem não teve a demanda respondida. 

Assaltantes aproveitam ‘vazios’ em suas ações

Na esquina entre a avenida das Torres e a rua Monte Fugi, no Parque das Laranjeiras, os moradores também sofrem por causa de um terreno abandonado. Segundo o empresário Gean Carlo, 40, além de ser uma lixeira e criadouro de doenças, a propriedade também se tornou refúgio de assaltantes. 

Segundo ele, a casa que fica localizada ao lado do terreno abandonado foi assaltada duas vezes e os criminosos utilizaram o terreno para conseguir acessar a casa. “Eles utilizaram o terreno como esconderijo, entraram na casa de uma forma que ninguém conseguiu perceber e foi mais de uma vez”, denunciou.

Incêndios são outro motivo de alerta

Outra preocupação com os terrenos baldios são os incêndios, sejam ocasionais ou criminosos. No sábado, um incêndio atingiu um terreno localizado na avenida André Araújo, no bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul.  O fogo começou por volta das 20h e às 21h15 havia sido controlado pelo Corpo de Bombeiros.

O terreno pertence ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM). Equipes do Corpo de Bombeiros combateram as chamas e utilizaram cerca de 5 mil litros de água para apagar o fogo. Segundo os bombeiros, esse foi terceiro incêndio no local só na semana passada. 

Segundo pedestres que passavam pelo local, as chamas chegaram próximo da calçada da avenida André Araújo. A causa do incêndio não foi divulgada. Contudo,  trabalhadores que esperam ônibus próximo ao terreno afirmam que ele pode ter sido criminoso. “As pessoas são más, até uma ponta de cigarro jogada no mato seco de um terreno baldio pode causar uma tragédia”, disse empregada doméstica Ana Cláudia Ribeiro, 35.

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