Domingo, 21 de Julho de 2019
SEM SERVIÇO

Abastecimento precário dificulta rotina de moradores no bairro São José 3

Em muitas casas do bairro da Zona Leste, o abastecimento só chega durante a madrugada e moradores precisam aproveitar para captar água



sem__gua.JPG A dona de casa reza pelo que ela já considera um ‘milagre’: não ter mais que reservar a água em garrafas e baldes. Foto: Gilson Melo/Freelancer
16/09/2017 às 13:09

Acordar às três da manhã para verificar se há água nas torneiras de casa já se tornou rotina para a doméstica Tânia Maria da Silva, 54. Isso porque, segundo ela, desde o fim do ano passado, a área onde mora, na rua  2, do bairro São José 3, na Zona Leste, passa por racionamento do serviço. Na casa dela, o abastecimento só chega durante a madrugada.

“Sempre que posso, vou verifico a torneira da cozinha. Quando a água não chega  e vejo aquela louça suja na pia, eu me desespero. Não posso lavar roupas, nem fazer coisa simples como passar pano na casa. Pra tudo isso eu preciso de água”, contou.

Depois de ligar diversas vezes para a Manaus Ambiental, a única solução que Tânia encontrou foi abastecer de água garrafas pet, bacias e baldes, tudo durante a madrugada. Os recipientes ficam espalhados por toda a casa. “Eu oro a Deus todas as noites para que o serviço se normalize. Vocês não têm noção do que é para uma dona de casa ficar sem o abastecimento. A rotina muda completamente”, reclamou.

No improviso

O filho de Tânia, Vinícius Renato da Silva, 15, começou a trabalhar há pouco tempo em uma drogaria e precisa acordar cedo toda a semana para ir ao trabalho. A rotina dele também mudou. Sem água, ele precisa ‘improvisar’ para tomar banho e escovar os dentes. “Quando tem água nos baldes, é mais fácil. O problema é quando a reserva acaba. Já cheguei a ir sem tomar banho para o trabalho”, reclamou. “A situação fica mais complicada a cada dia  porque o período de racionamento só vem aumentando durante os meses”.

Já na rua 4, onde mora a autônoma Rosimeire Matos da Silva, 47,  a água vai e volta em horários diferentes do dia. “De 0h às 4h, o serviço é perfeito. Depois disso, só às 11h e o fluxo da água fica muito fraco. Se eu não tivesse uma bomba compressora, que suga essa água para torneira, o problema seria pior”, afirmou.

Assim como Tânia Maria, a autônoma também ligou para a Manaus Ambiental e a resposta da concessionária foi que “ocorrem constantes quedas de energia” que afetam o reservatório de água que abastece o bairro, por isso, às vezes, não há abastecimento. “Às vezes, nem somos atendidos pelo call center deles. Enquanto isso, a pilha de louças lá de casa só aumenta”, denunciou.

Conta fica mais cara a cada mês

A doméstica Tânia Maria da Silva, 54, também denunciou que, apesar da precariedade no serviço, o valor da conta de água na casa dela vem aumentando a cada mês.   Em Janeiro deste ano, a cobrança foi de R$ 60,19.  De acordo com ela, o preço da fatura de setembro subiu para R$ 96,18.

“Como eu vou pagar uma conta absurda dessa, se só moram três pessoas na minha casa e o serviço nem funciona? Além do mais, eu não tenho condições de quitar essa dívida. Sou doméstica e sustento meus dois filhos”.

A Manaus Ambiental informou que a falta d’água no Bairro São José 3, já foi solucionada. Apesar da resposta da concessionária de energia, os moradores citados na matéria afirmaram, no final da tarde de ontem, que continuavam sem água até o fechamento desta edição.

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