Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
ACERVO IMORTAL

Academia Amazonense de Letras completa 101 anos no dia 1º de janeiro

Local se consolida como uma das instituições mais antigas do Estado em funcionamento



Capturar_C1A6CD4A-E8B7-47A0-83A7-473B725FB725.JPG Foto: Winnetou Almeida
30/12/2018 às 15:06

A Academia Amazonense de Letras (AAL) está prestes a completar 101 anos no próximo dia 1°, e se consolidando assim como uma das instituições mais antigas do Estado em funcionamento. Mesmo assim ainda continua sendo um lugar que costuma despertar muita curiosidade entre as pessoas que passam em frente à sede, um prédio pequeno e charmoso pintado em azul e branco (é assim desde a sua fundação), localizada na rua Ramos Ferreira, Centro de Manaus.

Sobre a sua função nos dias de hoje, na prática, a ideia é que a AAL seja um ambiente de trocas intelectuais e um espaço de realização de conferências, oficinas, lançamento de livros e outras atividades culturais. Também funciona como uma instituição de memória, ou seja, preserva os acervos (livros, artigos, fotografias) de muitos dos membros que a compuseram – aqui também chamados de “imortais”, como nas academias Brasileira de Letras (ABL) e Francesa - que existe desde os tempos de Luís XIII e serve de modelo a todas as academias ao redor do mundo.

Nos tempos de sua inauguração a AAL possuía 30 cadeiras; atualmente possui 40 vagas. Apesar de ter “letras” no nome, a instituição é um clube que reúne pessoas de destaque de diversas áreas do conhecimento – como acontece em outras academias. Por isso encontramos não somente nomes de peso da literatura local, como o poeta Thiago de Mello e o dramaturgo Márcio Souza, mas também políticos, médicos, diplomatas, até mesmo religiosos, entre outras profissões.

“A academia é uma dama elegante que precisa ser cortejada”, explica o atual presidente da AAL, Robério Braga,acadêmico desde 1981 e um dos mais jovens a assumir a presidência da casa, de 1996 a 1999.

Se depender dos atuais membros, a AAL seguirá os próximos anos mantendo os pés na tradição, mas abraçando a modernidade na medida do possível para se aproximar cada vez mais das novas gerações.

A nova biblioteca, prestes a ser inaugurada, é um espaço pequeno e aconchegante que contém as obras impressas dos acadêmicos que são ou pertenceram à casa, organizadas em prateleiras interativas, que contam com pequenas telas que exibem as fotografias dos imortais.

Mesmo marcando presença nas mídias sociais, a AAL segue com a sua missão mais básica: promover a leitura e a interpretação crítica dos fatos - algo tão em falta ultimamente.

“Nossa função hoje [em tempos em que as pessoas se informam mais nas telas do que pelo papel impresso] continua sendo a promoção da leitura e da reflexão crítica, não importa o meio’’, explica Robério Braga, cujo mandato vai até 2019.

Primeira vez de um aluno na sede da Academia

O projeto “Academia de Portas Abertas”, sucesso de público esse ano, terá continuidade a partir do 2º semestre de 2019 com a missão de aproximar ainda mais o público da AAL com visitas guiadas, saraus e palestras com os imortais. “Por alto, aproximadamente 12 mil pessoas visitaram os salões da academia esse ano”, conta Robério Braga.

Um desses visitantes foi o estudante do 4º período do curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Victor Libório, 20, que foi convidado pela reportagem de A CRÍTICA a entrar na sede da AAL pela 1ª vez. De olhar atento e crítico, Victor percorreu todos os salões do prédio com a nossa equipe, atento às explicações de Robério Braga.

“É reconfortante pensar que eu não era o único estudante de Letras a nunca ter visitado o prédio. A mim veio a teoria de que a ALL é elitista, assim como praticamente qualquer ideia ou artefato acadêmico é. Um fato é: a entidade é reclusa. É criteriosa”, comentou Libório, após a visita.

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