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Manaus
Risco Social

Ação iniciada por conselheiros tutelares busca alternativa para retirar crianças da rodoviária

A promotora informou ao conselheiro tutelar da Zona Centro-Sul, Marcelo Medeiros, responsável pela ação, que irá convocar as secretarias municipais e estaduais que atuem na área para uma reunião nesta semana, para buscar soluções 13/03/2017 às 09:44
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Conselheiros tutelares iniciaram a ação após denúncias sobre maus-tratos e risco social a que eram expostas as crianças (Robson Jander)
Isabelle Valois Manaus (AM)

A promotora de Justiça Nilda Sousa, do juizado da Infância e da Juventude, solicitou que os conselheiros tutelares de Manaus envolvidos na ação que ocorreu durante o final de semana, de resgate de 12 crianças indígenas venezuelanas que estão vivendo na rodoviária com os pais, em condições precárias, entregassem o mais rápido possível um relatório sobre a ocorrência, para que sejam adotadas as medidas necessárias.

A promotora informou ao conselheiro tutelar da Zona Centro-Sul, Marcelo Medeiros, responsável pela ação, que irá convocar as secretarias municipais e estaduais que atuem na área para uma reunião nesta semana, para buscar soluções.

A ação teve início quando o conselheiro Marcelo Medeiros foi conferir de perto as várias denúncias que vinha recebendo sobre maus-tratos e péssimas condições de moradias às quais as crianças estavam submetidas. O conselheiro afirmou ter se assustado com o que viu. “As crianças estão em uma situação precária. Todas sujas e com sintomas de doenças. Comem no chão, passam a comida no chão e colocam na boca, uma situação totalmente preocupante”.

Após comprovar a denúncia, Medeiros acionou os demais conselheiros que atuam nas outras zonas de Manaus para buscar uma solução. “Nós só iremos sair daqui quando essas crianças forem para um abrigo. Sei que eles são indígenas de outro país, mas como estão aqui em território brasileiro é nosso dever cumprir com a lei e dar um conforto maior para elas”, comentou o conselheiro.

Durante a vistoria, uma equipe da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) foi até o local. A diretora do Departamento de Direitos Humanos da secretaria, Vera Queiroz, afirmou que servidores da pasta já tentaram conduzir os venezuelanos para um abrigo, porém eles não quiseram ir. “Não somos a favor de levarem essas crianças e as separarem dos pais, pois é a cultura deles viver assim e precisamos respeitar. Tentamos levá-los ao abrigo, mas eles não aceitaram, então não podemos fazer muita coisa. A responsabilidade é do poder federal”, reforçou.

Mesmo assim, os conselheiros tentaram convencer os indígenas a levarem as crianças para um abrigo. Durante a conversa, um dos indígenas, Osvaldo Ardufs, que entende o português, contou que eles chegaram a ir para o abrigo, mas foram maltratados por uma funcionária do local. “Ela nos expulsou de lá e disse que índio não era gente”, revelou.

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