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Manaus
LUTA CONTRA O FUMO

Ação educativa leva conscientização à população no Dia Mundial sem Tabaco

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas desenvolveu uma programação educativa com foco na conscientização 31/05/2017 às 11:54 - Atualizado em 31/05/2017 às 12:22
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(Foto: Valdo Leão/Secom)
acritica.com Manaus (AM)

Além de prejudicar a saúde do tabagista, o cigarro também é considerado maléfico para os que convivem com quem tem esse hábito. Os fumantes passivos incluem crianças e adultos que, além de inalar substâncias cancerígenas, também ficam expostos a agentes químicos que acabam se impregnando, por exemplo, nas pareces de casa e no forro dos veículos. Neste dia 31 de maio, quando comemora-se o Dia Mundial sem Tabaco, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) desenvolveu uma programação educativa com foco na conscientização. “O ideal é que os dependentes reflitam e busquem mais qualidade de vida, abandonando o fumo e buscando a prevenção, através de hábitos saudáveis”, explicou Marco Antônio Ricci, diretor-presidente da instituição de saúde.

Na manhã desta quarta-feira, 31, cerca de 150 pessoas, entre idosos, ex-fumantes e apoiadores da causa, se reuniram na Fundação Vila Olímpica (FVO), para confraternizar e lembrar que nunca é tarde para mudar de vida. A ação foi desenvolvida pelo Departamento de Prevenção e Controle do Câncer (DPCC), em parceria com a Coordenação do Programa de Controle do Tabagismo no Amazonas e as ONGs Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc) e Rede Feminina de Combate ao Câncer. A autônoma Cícera da Costa Pantoja foi uma das participantes da atividade, que incluiu zumba, treino funcional e atividades de recreação. Ela explica que, dos seus 58 anos de idade, 40 foram como fumante. “Comecei aos 15 anos e só parei aos 55. Não tenho ideia de quanto eu gastava com cigarro, mas com certeza, era muito, porque eu não fumava menos de uma carteira ao dia”.

A autônoma comentou que decidiu parar de fumar porque “muitas pessoas estavam morrendo” por causa do tabagismo. “Eu vivia no pronto-socorro com falta de ar e tinha uma tosse crônica. Minha filha vivia chorando, achando que eu fosse morrer. Quando fui ao médico, ele me disse que eu tinha que parar”. Hoje, ela se diz satisfeita com os resultados e uma pessoa mais feliz. Passou a praticar caminhadas e tem mais qualidade de vida. “Parei após procurar a policlínica do Nova Esperança. Lá, fui acompanhada por uma doutora e uma psicóloga por quase quatro meses”, frisou.

De acordo com a projeção mais recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA), subordinado ao Ministério da Saúde, os cânceres de traqueia, pulmão e brônquios, que estão diretamente relacionados ao tabagismo, devem registrar, juntos, neste ano, 300 novos diagnósticos no Amazonas. Se somado às neoplasias de estômago e bexiga, o número de casos no Estado sobe para 760 (quase 15% do total de casos de câncer estimado para o Estado), quantidade considerada alta por especialistas. Além do câncer, o cigarro também influencia diretamente no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, aumentando o risco de infartos e AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais).

Data simbólica

O Dia Mundial sem Tabaco foi instituído há 30 anos, pela Organização Mundial da Saúde. ‘Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento’ foi o tema adotado para a campanha deste ano. No Brasil, participam todos os estados e o Distrito Federal. De acordo com o coordenador Estadual do Programa de Controle do Tabagismo, cardiologista Aristóteles Alencar, o consumo de tabaco mata, aproximadamente, sete milhões de pessoas a cada ano, um número que deve passar para oito milhões de mortes por ano até 2030, caso as medidas de controle não forem intensificadas. “O tabagismo custa para os governos de todos os países, US$ 1,4 trilhões de dólares com saúde e perda de produtividade. Os resíduos do tabaco contêm mais de sete mil substâncias químicas tóxicas que contaminam o meio ambiente, incluindo substâncias que causam câncer no ser humano e animais”, alertou.

Ele lembra, ainda, que as emissões provocadas pelo fumo do tabaco contribuem com milhares de toneladas de carcinógenos humanos, substâncias tóxicas e gases de efeito estufa para o meio ambiente. “Os resíduos de tabaco são o maior tipo de lixo desprezado no meio ambiente global”, assegurou.

Além disso, obriga o aumento de gastos com a saúde pública e gera uma redução na produtividade, promovendo custos substanciais para a economia dos países. “O consumo de tabaco agrava as desigualdades e a pobreza. Um exemplo é que as pessoas mais pobres acabam gastando menos em necessidades básicas como alimentação, educação e cuidados de saúde, para consumir o tabaco”.

Dados complementares

Até 10 bilhões dos 15 bilhões de cigarros vendidos diariamente são descartados no meio ambiente.

As pontas de cigarro representam 30-40% de todos os itens coletados em limpeza nas praias e em áreas urbanas.

Pobreza: cerca de 860 milhões de fumantes adultos vivem em países de baixa e média renda.

Muitos estudos demonstraram que, nas famílias mais pobres, os gastos com produtos do tabaco geralmente representam mais de 10% das despesas domésticas totais.

Cerca de 80% das mortes prematuras são causadas pelo consumo de tabaco. Esse dado é registrado em países de baixa e média rendas que têm mais dificuldade em alcançar as metas de desenvolvimento.

Dados apresentados em 2011, sobre os custos do tabagismo para o SUS, revelou que, no Brasil, foi despendido cerca de 23,37 bilhões de reais com doenças tabaco-relacionadas.

*Com informações da assessoria de comunicação.

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