Sábado, 24 de Agosto de 2019
Acidente aéreo

Autônomo conta detalhes sobre acidente que vitimou seis pessoas em Manaus

O autônomo Geilson de Souza Marcolino foi o primeiro a prestar socorro às vítimas do trágico acidente ocorrido na capital amazonense



08/12/2016 às 05:00

“Estava andando pela mata quando vi o momento em que o avião caía. Poderia sair correndo após a explosão, mas algo dentro de mim dizia para ver  se havia alguém vivo e ajudar. Saí perguntando: Tem alguém vivo? Quando vi um dos homens dando com as mãos tentando me responder. Enquanto o ajudava, ouvi a menina pedindo socorro: ‘Titio me ajuda’, ela dizia, mas não deu tempo, outra explosão veio de baixo e o fogo a consumiu. Fiquei com meu coração destruído, mas sei que fiz tudo o que pude”, contou, emocionado, o autônomo Geilson de Souza Marcolino, após socorrer uma das vítimas do acidente aéreo que ocorreu às 7h45 de ontem, quando a aeronave Embraer 720, prefixo  PT-REI, partia com destino ao Município de Novo Aripuanã (a 227 quilômetros de Manaus) com   seis ocupantes  e caiu em uma área verde do bairro  Parque Dez, Zona Centro Sul.

Geilson  socorreu o empresário  Jefferson Luiz Juarez, 39, que estava em Manaus há poucos meses. O autônomo contou que pedia para que a vítima pudesse colocar todas as forças que tinha para conseguir sair do local. “Sou grato a ele, pois se não fosse por essa força de vontade de sobreviver, talvez não estivesse aqui relatando o ocorrido, pois houve a segunda explosão”, lembrou Geilson.

O autônomo contou que ouviu um barulho estranho vindo da aeronva, como se o motor estivesse em  pane. “O piloto foi inteligente, pois conseguiu jogar o avião na  mata. Se caísse em outro lugar teríamos uma comunidade de vítimas”, comentou.

Não resistiu

Jefferson foi o único a sobreviver a queda. Conforme o tenente do Corpo de Bombeiros, João Filho, ele deu entrada no Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto, com 85% do corpo queimado. A direção do hospital informou  que Jefferson foi operado, mas não resistiu e morreu às 12h de ontem.

Além de Jefferson, estavam na aeronave o geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) Frederico Cruz, o Fred; o universitário Ruan Lemos com a filha de 6 anos, Ana Alice Ribeiro da Silva, o engenheiro florestal Henrique Tiez Neto e o comandante  João Jerônimo da Silva Neto.

A empresa

O representante da empresa Moreno Viagens, responsável pelo  vôo, Antônio Macedo de Mendonça, disse que a aeronave realizaria um vôo particular com a duração de 1h e destino a Novo Aripuanã, retornando a Manaus em seguida. Macedo explicou que o avião tinha capacidade máxima de seis pessoas e que algumas estavam pegando carona. “Não posso dar informações a mais até que o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa) o órgão investigador, se posicione. O que sei é que o avião estava com a manutenção em dias e estava abastecido”, reforçou. O representante informou que o responsável pela Moreno Viagens, Daniel Dias Moreno, se encontrava em estado de choque e  atendido por médicos.

O vôo durou poucos minutos  e os corpos das vítimas foram todos conduzidos ao Instituto Médico Legal (IML). O caso foi registrado no 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e as causas do acidente estão sendo investigadas pelo Seripa. O advogado da empresa Moreno Viagens, Jerry Lúcio Dias da Silva Júnior, informou que a empresa segue dando a atenção necessária aos familiares das vítimas.

Familiares foram ao local da queda

Enquanto o Corpo de Bombeiros retirava os corpos das vítimas do acidente dos destroços da aeronave, alguns conhecidos de uma das vítimas – Ruan Lemos – foram até o local onde a aeronave havia caído, no bairro da União com a intenção de manter os familiares das vítimas em Novo Aripuanã informados. A CRÍTICA entrou em contato com o cunhado da vítima, Allan Pantoja, que se encontrava no município, e relatou que Ruan  veio  para Manaus na companhia da filha para um tratamento médico da criança. “Eles (Ruan e a filha) tinham conseguido uma carona no vôo para retornarem para casa. Estávamos todos aguardando quando soubemos do acidente. É lamentável. Estamos todos abalados”, disse Pantoja.

A esposa do primo do comandante  João Jerônimo da Silva Neto, Sandra Leite, também esteve no local do acidente acompanhando o marido, Mário Jorge Pinho Júnior, e nos contou que João era casado e tinha uma filha de nove anos. O piloto e toda a família eram de Natal (RN), mas há anos moravam em Manaus. Sandra contou que João amava o trabalho e conhecia muito bem a região. “João chegou a fazer alguns pousos forçados e de emergência. Ele era um ótimo piloto, a mãe dele toda vez que ouvia alguma história de como João tinha conseguido escapar de uma queda sempre pedia que ele largasse a profissão, mas o que ele gostava era de estar voando pela Amazônia terra que o acolheu com a família”, contou.

Os demais familiares das vítimas que se encontravam em Manaus, se deslocaram para o Instituto Médico Legal (IML).

Investigação Iniciada

Os investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa) não quiseram se pronunciar sobre o acidente  e nem deram um  parecer sobre o caso para a imprensa. O Seripa é o órgão responsável por periciar e preparar o laudo que irá informar as possíveis causas do acidente. Os procedimentos podem durar até seis meses.

BLOG: Tenente João Filho - Corpo de Bombeiros

Chegamos em poucos minutos para atender a ocorrência. Assim que chegamos fomos verificar se haviam vítimas com vida, dar a extinção do foco de incêndio e acionar os demais órgãos que atuariam nesta tragédia. Das seis vítimas, o comandante da aeronave foi o único jogado da cabine e o corpo ficou a mais de 10 metros dos destroços. Este foi também o único corpo que não foi carbonizado. O  Corpo de Bombeiros ficou responsável pela retirada dos corpos dos destroços da aeronave e repassamos ao Instituto Médico Legal (IML). A aeronave ficou totalmente destruída pois foi uma colisão bastante violenta e, como ela havia saído há pouco tempo, e completamente abastecida. Não temos condições de informar neste momento o que poderia ter ocasionado o acidente. Conseguimos resgatar uma pessoa - o empresário Jefferson Juarez -, conduzida ao hospital 28 de Agosto, mas não sabemos como se encontra o estado de saúde dele. Vale reforçar que a vítima saiu do local do acidente com mais de 85% do corpo queimado e inconsciente.

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