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Manaus
ABANDONO

Esperança e empenho para resgatar a praia da Ponta Branca, na orla do Educandos

Balneário bastante frequentado nos anos 1980 se tornou “cemitério de embarcações”. Cenário hoje de degradação começa a voltar a ganhar vida com ações de limpeza e ordenamento, mas faltam obras 23/09/2018 às 05:05
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A Ponta Branca, antiga área do bairro Educandos, na Zona Sul, é chamada assim pela cor alva da sua areia em contraste com as águas do imponente rio Negro. Hoje, o nome mais condizente seria chamá-la de “cemitério de embarcações”, além da existência de outros problemas que fizeram seus antigos frequentadores deixarem de curtir aquela área da capital, hoje deteriorada.

O que há 25 anos era aprazível e belo, hoje é um canteiro de tudo que é desprezado na navegação. Os destroços dos estaleiros e reparadoras envolvem de partes de barcos a embarcações inteiras, “esqueletos” de barcos, partes de peças navais, canoas atracadas, balsas cheias de restos de metais e madeira, troncos espalhados pela praia, muito lixo e até mesmo fios elétricos de instalações clandestinas.

A seca do rio Negro revela todos os anos o “cemitério”, mas a cada dia ele ganha mais espaço na praia: quando a descida das águas chegar ao seu ápice, a Ponta Branca vai revelar os destroços das embarcações que estão submersas. 


Balneário frequentado até a década de 1980 virou “cemitério de barcos” (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Cansados de esperar pela consciência dos donos de estaleiros ou de quem trafega pelo local, e após lutar nos últimos 10 anos pela volta da praia aos bons tempos, os moradores de Educandos decidiram constituir uma comissão e buscar apoio junto à Marinha do Brasil, via Capitania dos Portos da Amazônia, visando realizar operações para conscientizar os empresários da orla e, ao mesmo tempo, retirar as carcaças e qualquer material naval que configurasse lixo na parte da areia, bem como fazer a desocupação da praia.  

O apelo ganhou o reforço dos institutos de Cidadania e Desenvolvimento Social do Amazonas (ICDSAM) e o Amazônico de Cidadania (Iaci) e foram solicitadas as colaborações de órgãos como o Ibama, Ipaam, Sema, Semmas e Semulsp. Há duas semanas houve o encontro dos comunitários com os órgãos, segundo Gil Eanes, presidente do ICDSAM.

Na última sexta-feira (21), houve a segunda ação conjunta, com a participação da Semulsp – que fez a limpeza de boa parte do lixo existente – e de membros da Capitania dos Portos – que conversaram com donos de estaleiros. Duas embarcações atracadas irregularmente na praia foram rebocadas e encaminhadas à capitania.  E nas semanas seguintes a esperança é que os outros órgãos entrem maciçamente nesse reordenamento da orla da praia.


Só em duas ações a Semulsp retirou uma tonelada de lixo do local (Foto: Euzivaldo Queiroz)

A Semulsp informa que retirou cerca de uma tonelada de resíduos nas duas ações, sendo feita, além da limpeza, a conscientização junto aos moradores. 

Mas o que foi feito nos dois últimos fins de semana não é o bastante: é necessário que as ações sejam permanentes e que ocorram paralelo a atividades como a revitalização da área como um todo, tanto de forma turística quanto comercial.

“Estamos, com apoio da Marinha do Brasil, começando a ter, após 10 anos de luta, os primeiros resultados. Aqui acontecem crimes ambientais há 25 anos”, diz Gil Eanes. Há cerca de uma semana, banhistas voltaram a se arriscar a entrar nas ainda poluídas águas da Ponta Branca. A esperança é que, com ações objetivas, esse cenário (mas com segurança) seja frequente num futuro próximo.

Criminalidade é a poluição social

O tráfico de drogas é outro problema sério não apenas na Ponta Branca, mas em toda a orla de Educandos, denunciaram moradores à equipe de A CRÍTICA. “O que verificamos é que de um lado para o outro abandonaram a orla, há muitos está abandonada. Hoje é essa feiura, lixo, sujeira, degradação e tráfico de drogas, invasão. Todas as atividades são poluidoras”, disse o radialista Erasmo Amazonas.

“Aqui é local para assaltos, homicídios, comércio e consumo de drogas”, afirmou Gil Eanes, do ICDSAM. As críticas ao tráfico encontram eco também entre os donos de estaleiros, inclusive os que tinham documentação atrasada atestada durante a ação da Capitania dos Portos. “Deveriam se preocupar com a maconha e  os casos de estupro que acontecem aqui”, declarou à reportagem Ivo Miranda Ferreira, dono do Estaleiro e Náutica Empresarial.

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