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Ações do dia-a-dia revelam negligência e apresentam riscos de acidentes em Manaus

Negligência? Estresse? O que leva as pessoas a estarem sempre com a vida em perigo? 14/03/2015 às 14:33
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Fora da faixa, pedestre se arrisca bem à frente dos veículos em movimento
NELSON BRILHANTE ---

Segundo o dicionário Michaelis, risco é a possibilidade de perigo, incerto, mas previsível, que ameaça de dano à pessoa ou a coisa. Em Manaus, não precisa muito esforço para documentar inúmeras atitudes comprometedoras em plena via pública. É gente fumando em posto de gasolina, pintando nas alturas sem cinto de segurança, saindo de banco com somas consideráveis de dinheiro, morando em áreas de risco, atravessando vias fora da faixa de pedestre e fazendo “malabarismos” no trânsito.

Neste último item, a realidade é gravíssima e apresenta números alarmantes de vítimas, a maioria por negligência. Nesta semana, uma blitz flagrou quatro carretas sendo dirigidas por motoristas sem habilitação.

Para adquirir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) , o candidato precisa fazer o curso de Formação de Condutores, ministrado por psicólogos. Quando o condutor completa 20 pontos perdidos na CNH num só ano, ou é detido em blitz de Lei Seca, para recuperar a habilitação é obrigado a fazer o curso de reciclagem. O curso nada mais é do que a tentativa de recuperar o infrator e evitar que ele coloque em risco, inclusive, sua própria vida.

Para o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sintracomec), Cícero Melo, em alguns setores, como o dele, é possível conscientizar as pessoas e reduzir o índice de ocorrências por negligência. De 2011 a 2012 morreram, em Manaus, 21 trabalhadores em obras. Segundo ele, depois de uma campanha, envolvendo inclusive o Ministério Público, houve uma queda de 80% nos acidentes fatais. “Muitos casos são de empresas ilegais, que não fornecem equipamentos de segurança, mas há muitos trabalhadores que se recusam a usar o equipamento”, admite.

Apesar de ser assunto “batido”, muita gente também continua correndo o risco de contrair uma doença sexualmente transmissível (DST). O caminho mais curto para a contaminação é o consumo de álcool, drogas e a prática de atividade sexual sem proteção. De acordo com o Ministério da Saúde, apesar de consciente sobre o risco, metade da população jovem da Região Norte não usa preservativo.

Impulsivas e suicidas

Especialista na abordagem cognitiva comportamental, a psicóloga Alessandra Pereira defende algumas teorias para justificar o problema. “As pessoas mais impulsivas costumam ter um padrão de comportamento mais arriscado, porque não sabem conter o impulso. Do ponto de vista cognitivo, vemos pessoas que pensam a vida de maneira distorcida. Se expõem demais, achando que nunca vai acontecer nada com elas. Do ponto vista emocional, ela se expõe para chamar atenção (suicida), e do ponto de vista comportamental, são as pessoas que não sabem lidar com os limites. Quando criança, não tinha controle dos pais e achava que podia fazer tudo”, argumenta a psicóloga.

Culpados

Para o psiquiatra Rogélio Casado, a reação do cidadão é uma consequência do meio em que vive. “Não podemos condenar só o cidadão pelo que acontece com a sua reação, seja estressada ou acomodada. Se me provarem que as administrações públicas fizeram sua parte, digo que o problema está do outro lado”, argumenta.

Campanha

O presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, anunciou uma campanha para conscientizar pedestres e condutores. “Percebe-se que há muita desatenção. Por exemplo, o pedestre que atravessa a pista com fone no ouvido não ouve a buzina do carro”, alerta.

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