Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
POSIÇÃO

Acusação sustentará em julgamento que Sotero atirou três vezes para matar

"Segundo o laudo necroscópico, dos cinco tiros, três atingiram Wilson. Um atingiu o braço, outro o peito (o que foi fatal) e um a orelha", destacou o perito criminal Ricardo Molina



ricardo_molina_4414BA51-A9C8-45BC-ADE8-7E23B0D07D8C.JPG Foto: Junio Matos
28/10/2019 às 14:56

O delegado Gustavo Sotero desferiu três tiros no advogado Wilson de Lima com a intenção de matar, não para se defender. Essa será a tese defendida pelos assistentes de acusação, amanhã, na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, quando terá início o julgamento do delegado, acusado de homicídio contra Wilson.

Ele também é acusado de tentativa de homicídio contra Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira (esposa do advogado morto), Maurício Carvalho Rocha e Yuri José Paiva Dácio de Souza. O crime ocorreu no dia 27 de novembro de 2017 em uma casa de show localizada na Zona Oeste de Manaus.




Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira esposa do advogado Wilson Justo Filho morto a tiros por Sotero 

Em coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (28) no mini-auditório da OAB Amazonas, Zona Sul de Manaus, os assistentes de acusação, capitaneado pelo perito criminal Ricardo Molina, apresentaram um laudo técnico sobre as imagens que captaram o homicídio triplamente qualificado do advogado Wilson Justo Filho.

Numa análise minuciosa das câmeras do circuito interno da casa noturna (cerca de 20), o laudo preparado pelo perito aponta que Sotero estava realmente olhando para Fabíola por bastante tempo (e não para o palco, como alegou a defesa). "De fato, o Wilson foi tirar satisfação e após uma troca de palavras deu um soco em Sotero, mas ele revidou esse soco de forma exacerbada. O Gustavo, enquanto autoridade policial, poderia ter dado voz de prisão, mas, ao invés disso, desferiu cinco tiros em um ambiente fechado, e só não deu um sexto tiro porque a arma travou", disse.

Molina explicou que a prova que derruba a tese da defesa de que o delegado agiu em legítima defesa é o laudo que aponta que o primeiro tiro atingiu o cotovelo do advogado, o que aponta uma tentativa de se proteger do tiro.

"Segundo o laudo necroscópico, dos cinco tiros, três atingiram Wilson. Um atingiu o braço, outro o peito (o que foi fatal) e um a orelha. As imagens mostram Sotero iniciando uma caçada a Wilson dentro da casa noturna. Em nenhum momento há ataques consecutivos por parte da vítima. Pelo contrário, ao perceber que Sotero estava armado, ele se defendeu, correu, tentou se proteger, em nenhum momento atacou. Isso é fantasia da defesa", apontou ele, que levou aproximadamente três meses analisando as imagens.

A advogada e assistente de acusação Catharina Estrella destacou que o vídeo em 3D apresentado pela defesa não está em ordem cronológica. "Esse vídeo camufla que as pernas do delegado não estavam paralelas, o que indica que não há ataque. A defesa não aponta isso para ludibriar o público. O laudo prova que o Wilson tentou se defender com o braço, onde ele levou o primeiro tiro. Todos veem que ele fugiu da linha de tiro. A defesa manipulou o vídeo", disse.

Atingidas pelos outros tiros desferidos pelo delegado dentro da casa noturna, as vítimas Maurício Carvalho Rocha e Yuri José Paiva Dácio de Souza também compareceram na coletiva acompanhado de seus advogados, mas preferiram não falar com a imprensa.

Muito emocionada, a esposa de Wilson, Fabíola Rodrigues, disse que só deseja que a justiça seja feita. “Estou há dois anos sofrendo a  ausência do meu marido. Todos os dias eu tenho que explicar para as minhas duas filhas que o pai delas está no céu. Esse cara (Sotero) destruiu a minha família’’, disse.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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