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Adeptos dos papagaios usam o brinquedo para lançar drogas em cadeia pública de Manaus

Os riscos oferecidos pelas linhas de cerol também são alvos de críticas nos arredores da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa. As práticas ilícitas não são percebidas pela polícia 24/06/2013 às 08:45
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Diante da fragilidade da segurança da cadeia pública, que ontem não contava com policiamento no muro, a entrada de drogas pelo ‘céu’, por meio de pipas, é mais fácil
Adan Garantizado ---

O hábito de empinar pipas ou “papagaios” de papel é antigo e ainda sobrevive nos dias atuais, mesmo com a grande oferta de brinquedos “tecnológicos”. Mas, a brincadeira está longe de ser unanimidade. Os riscos oferecidos pelas linhas de cerol, por exemplo, são alvos de críticas.

A avenida Lourenço Braga, no Educandos, Zona Sul, é um dos pontos que mais concentra “papagaieiros” aos domingos em Manaus. Mas lá, uma minoria infiltrada entre os frequentadores que estão em busca de diversão vem utilizando a brincadeira a favor do crime.

De acordo com alguns vendedores e pessoas que soltam pipas no local ouvidas por A CRÍTICA, é comum ver pessoas jogando “boles” (pequenas pedras amarradas em linhas, que têm o objetivo de pegar um papagaio que foi “cortado”) com drogas para dentro da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.

“Isso é comum de ver aqui. Alguns caras ficam no gramado do Largo Mestre Chico ou na ponte de ferro, jogam a droga lá para dentro, entram no carro e vão embora”, disse um frequentador, que preferiu não ser identificado. De dentro da cadeia, os presos também empinam seus papagaios. E novamente, a brincadeira serve de pano de fundo para uma prática ilícita. “Tem gente que gruda a droga no papagaio e embioca (ataca o papagaio tentando cortá-lo) com os dos presos. Assim, eles caem lá dentro”, denunciou outro frequentador.

Como milhares de pessoas brincam de papagaio no local nas tardes de domingo, as práticas ilícitas não são percebidas pela polícia. A reportagem tentou falar com o diretor do de Sistema Penitenciário do Estado, Divanilson Cavalcanti, pelo telefone 81XX-XX55, sem sucesso. 

Espaço

Porém, a maioria das pessoas que solta papagaios em locais como a avenida Lourenço Braga, a rua Borba, na Cachoeirinha, Zona Sul, o igarapé do Passarinho, na Zona Norte, ou na avenida do Samba, no  Alvorada, Zona Centro-Oeste, estão apenas em busca de lazer. O mestre de obras Márcio Ricardo, 37, disse que empina pipas há mais de 20 anos. Ele e alguns outros “experientes” que frequentam o local aos domingos fundaram o “Clube da Pipa”, que além de orientar os mais novos, procura garantir a segurança de todos. “A gente se espalha entre todo mundo e procura evitar que a garotada saia correndo pelo meio da rua ou entre os carros em busca do papagaio. Temos que ter esse cuidado. As pessoas vêm pra cá porque nos bairros não existe uma área adequada e há o risco de a linha tocar nos fios dos postes”, disse Márcio.

Proposta de fechar ruas aos domingos

O autônomo André Souza, 44, outro frequentador da avenida Lourenço Braga, sugeriu que a via fosse fechada nas tardes de domingo, para que os amantes da pipa possam brincar com tranquilidade.

“Bastava colocar alguns cones no cruzamento antes da cadeia. O trânsito de veículos aqui já é pequeno. E se o desviassem pela ponte de ferro, não teria prejuízo algum. O motorista continuaria tendo acesso ao Educandos, Cachoeirinha, Santa Luzia. Não custaria nada”, frisou.

No dia 24 de abril deste ano, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) promulgou o Projeto de Lei nº 260/2010, de autoria do vereador Gilmar Nascimento (PDT), que cria “Pipódromos” em Manaus. O prefeito Artur Neto chegou a vetar a lei, mas a CMM derrubou o veto. O projeto estabelece que a prefeitura crie locais próprios e seguros para a prática de soltar papagaios, em todas as zonas da cidade. Mas até o momento, não foram anunciados projetos nesse sentido.

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