Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
Manaus

Adolescentes burlam a fiscalização e trabalham como arrais no transporte de passageiros

É comum encontrar adolescentes transportando passageiros em canoas motorizadas ou em barco de alumínio na Marina do Davi, Zona Oeste de Manaus



1.jpg Aparentando ter entre 12 e 1 5 anos, adolescente conduz voadeira de transporte de passageiros entre a Marina do Davi e comunidades do baixo Rio Negro; para piorar ele não usa e nem disponibiliza aos passageiros o colete salva-vidas
28/07/2015 às 09:40

De camiseta, bermuda e sem coletes salva-vidas, um adolescente, aparentando ter entre 12 e 15 anos, estaciona uma canoa motorizada e aguarda por cerca de cinco minutos os passageiros embarcarem. Três homens e uma criança entram na embarcação carregando um aparelho de ar condicionado e seguem viagem, também sem coletes.

Minutos depois surge outro adolescente pilotando um barco de alumínio. Não se trata de uma coincidência, mas sim de uma cena muito comum que acontece diariamente na Marina do Davi, Zona Oeste. Às vezes são crianças ainda menores que pilotam os barcos, colocando as vidas delas e de outros passageiros em risco. “Isso prejudica bastante quem trabalha com o transporte fluvial. Alguns deles moram nas comunidades e vem para a cidade para comprar alguma coisa. Mas outros trabalham fazendo esse frete e cobram quase a mesma coisa que nós, que somos autorizados”, conta Luiz Martins, o “Luizão”, da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi.



Alguns botes que têm capacidade para no máximo oito pessoas chegam a navegar com até 15 passageiros. “Sem contar que muitos pilotam em alta velocidade”, complementa Martins.

A cooperativa de transporte fluvial conta com 27 lanchas. Todos os condutores são habilitados e autorizados para fazer o transporte de passageiros até as praias da Lua e do Tupé, e comunidades Nossa Senhora de Fátima, Livramento, Ebenezer, São Sebastião, entre outras do baixo rio Negro.

“Nós cobramos entre R$ 6 e R$ 15 dependendo da localidade. Os ‘piratas’ cobram um pouco menos. A Capitania dos Portos até faz fiscalização, mas é impossível ficar de olho o tempo todo, e eles agem toda hora, na cara dura”, relata o piloto profissional.

Lei

Segundo a legislação, para pilotar um jet ski,  lancha, ou até mesmo barco com motor de popa, é preciso ter a habilitação, que, no caso de embarcações náuticas, chama-se Arrais, além de ter 18 anos completos.

Embarcações de transporte de passageiros devem apresentar um Laudo Técnico por Engenheiro qualificado, com comprovante da Anotação da Responsabilidade Técnica (ART) e o piloto deve ter qualificações e passar por vários cursos de formação, adaptação e atualização de profissional marítimo, o que nem sempre acontece.

Imprudências são muito comuns

Imprudências acontecem a todo momento no meio do rio Negro. Lanchas, jet skis, praticantes de Stand Up Paddle (SUP) e outros esportes aquáticos se confundem nas águas. É comum, por exemplo, ver uma lancha passando bem ao lado de quem está praticando esportes, ou um jet ski próximo de banhistas ou de consumidores em flutuantes.

Dono de um restaurante flutuante, Diogo de Vasconcellos, acredita que falta mais conscientização por parte de quem pilota as embarcações. “Há lanchas que passam em alta velocidade e não se preocupam com os banhistas que estão frequentando o mesmo espaço. Precisamos de mais fiscalização e principalmente educação. É preciso ter uma discussão do que é público e de uso de todos”, afirmou o comerciante.

A cabeleireira Simone Fonesa, 34, conta que escapou de sofrer com a irresponsabilidade de um condutor de jet ski ao se divertir na praia.  “Eu estava na praia e um homem, que estava segurando uma latinha de cerveja, completamente bêbado, veio com a lancha dele em direção a mim em alta velocidade. Foi um susto muito grande. As pessoas não têm noção e a preocupação de reduzir a velocidade”, afirmou a cabeleireira. 


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