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PERDIDOS

Jovens que estavam há dois dias perdidos na mata relatam medo que sentiram

Wilker Marques contou, neste sábado (26), o drama vivido nas 48 horas em que ficou perdido na mata junto com seu colega Wendril Brito e comentou o medo que sentiram, principalmente quando anoiteceu. Há inclusive relatos de encontro com onça-pintada e cobras 26/03/2016 às 16:29 - Atualizado em 27/03/2016 às 16:51
Show perdidos
Jovem foi internado assim que foi encontrado (Foto: Evandro Seixas)
Joana Queiroz

Voltar para casa e comer pão esse era o maior desejo do adolescente Wilker Marques, 13, durante as 48 horas que passou perdido na mata da Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte, com o amigo Wendril Brito, 13. Eles foram encontrados no início da noite de sexta-feira por homens do Corpo de Bombeiros em área de mata fechada, bastante debilitados.

Ontem, já em casa, o adolescente revelou aos pais que entrou na mata para tomar banho com um grupo de amigos. Ele e o colega resolveram voltar antes para casa, porém acabaram pegando uma trilha errada que levava para o centro da mata. Ele disse que está arrependido e prometeu nunca mais entrar na reserva.

De acordo com Wilker, ele e o colega nunca desistiram de tentar voltar para suas casas, que andavam sempre em direção a clareiras achando que já era a rua e que na primeira noite fizeram uma cama de folhas de açaizeiro para dormir, que se alimentaram de frutas do mato e beberam água dos córregos que encontraram na mata, mas quando a fome batia a vontade que sentiam era de comer pão.

O menino conta que sentiram muito medo, principalmente à noite, de onça, cobra e de outros animais. A emoção de voltar para casa e voltar para junto dos familiares ele disse que não consegue explicar. Os dois receberam cuidados médicos assim que foram resgatados e já estão em casa. O pai de Wilker disse que o filho já estava em casa.

Wendril disse que o pior momento para ele e o amigo foi  na primeira noite que tiveram que dormir na mata. “Fizemos uma cama de palhas e quando estávamos deitados, uma onça pintada passou perto de nós. Ficamos parados, não mexemos com ela e nem ela com nós”, disse. Além da onça, os adolescentes disseram que passaram por outros animais, como cobras.

Wendril disse que não sentiu medo, e não ficou desesperado, pois sabia que a sua mãe,  Michele Brito, assim que sentisse a sua falta, ia procurá-lo. Ele assegurou que nunca mais vai entrar nas matas da Reserva Duque para tomar banho. 

Já passava das 20h desta sexta quando todos foram encontrados no mesmo local, a aproximadamente três quilômetros da Base Sabiá 1, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), dentro da Reserva Ducke. Após o resgate, todos foram levados para o Pronto Socorro Dr. Plantão Araújo, na Zona Leste.

Jovens moradores das redondezas disseram que muitos adolescentes e adultos costumam adentrar aquela localidade com frequência para tomar banho de igarapé. “Achei que eles não iriam sobreviver, pois o local, no final da tarde, fica bastante frio. Agora imagina durante a noite, sem contar a escuridão da mata”, comentou um morador da área, que preferiu não ter o nome divulgado.

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