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Adrenalina e estresse na rotina dos policiais em Manaus

Militares que atuam no policiamento da capital escolheram um ‘estilo de vida’ que os coloca, diariamente, em risco de morte  09/06/2013 às 15:57
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O tenente Alberto Neto em ação, na madrugada de quinta-feira: uma traficante presa com óxi, cocaína e pasta-base
Naferson Cruz Manaus (AM)

Eles estão expostos a situações de risco e estresse na maior parte do tempo em que estão trabalhando. A rotina dos policiais militares que trabalham com o policiamento preventivo e ostensivo nas ruas de Manaus é de adrenalina. Entre os militares, é unânime: não se trata apenas de profissão, mas de um estilo de vida. E, como tal, exige muito esforço e determinação daqueles que a escolheram.

Entretanto, o lado negativo da carreira militar é ter que lidar com situações de conflito e, muitas vezes, correr risco de morte. Alberto Neto, tenente da Força Tática da Polícia Militar (PM) relata que, em 2011, passou por uma dessas situações e descreve como o dia de “vitória” em sua via. “Houve um tiroteio no instante que chegávamos ao local onde estava acontecendo o crime, um supermercado, na Zona Norte. Foi um momento angustiante lidar com aquela situação, pois a quadrilha estava fortemente armada e não tínhamos outra opção a não ser enfrentá-los”, contou.

Outra situação de risco descrita por Alberto Neto ocorreu no mesmo ano, em janeiro. Os militares foram incumbidos de checar a denúncia, no bairro Mauazinho, na Zona Sul, de que havia pessoas armadas no velório do traficante Luciano Reati de Araújo, 28, o “Índio”, assassinado na madrugada do dia 1º daquele mês, junto a outro traficante conhecido como “Batata”. “Quando chegamos lá, tivemos que montar uma estratégia para entrar no local e, durante a investida, conseguimos efetuar a prisão do traficante Melquisedeque Monteiro de Oliveira, 25, o “Melque”, considerado na época, como um dos pretensos líderes do tráfico na área. Mas a ação foi ‘sinistra’, ter que entrar num velório com vários traficantes armados”, lembrou.

Ação

A CRÍTICA acompanhou uma das operações da equipe do tenente Alberto Neto e pôde conferir, de perto, a tensão com que os policiais precisam lidar. O local, identificado como área vermelha pela polícia, fica no final da rua 11, no bairro Alvorada, na Zona Centro-Oeste, e também é conhecido como “Boca da Onça”. Ali, na madrugada de quinta-feira, a doméstica Estefany Oliveira da Silva, 21, foi presa com porções de cocaína, maconha, óxi e pasta-base. Um adolescente de 17 anos foi apreendido.

De acordo com o tenente, a casa de três andares servia de ponto de venda de drogas. “Quando chegamos ao local identificamos um homem não identificado que estava no andar de cima, com uma arma apontada em direção da viatura da polícia. Por pouco não aconteceu um tiroteio”, disse Alberto. Em média, 40 pontos de drogas ou ‘bocas de fumo’ são desarticulados por mês na capital.

Saiba mais

A Força Tática atua no apoio ao combate e saturação de pontos de drogas, roubos e assaltos. De acordo com informações do 1º Batalhão de Companhia de Força Tática, sete equipes atuam nos finais de semana. Um kit tático serve de suporte. São munições menos letais e de borracha, granadas de gás lacrimogêneo, de luz e som e feito moral, além de escudos e capacetes. O batalhão conta com 140 policiais integrados a Força Tática. De acordo com o Batalhão, as equipes da Força Tática também são destacadas para municípios vizinhos onde há em situação de conflito e operações.

Combate ao tráfico é a prioridade

O comandante do Comando de Policiamento Metropolitano, tenente-coronel Andrade Gouvêa, destacou que o objetivo das ações e prisões é combater a comercialização de drogas feitas em residências que são conhecidas popularmente como “bocas de fumo”, onde são comercializados os entorpecentes, prática que acabam revoltando a população.

De acordo com Andrade Gouvêa, as equipes atuam com ações de repressão em áreas de risco, em razão disso há um trabalho feito com bastante cautela. “São policiais altamente capacitados para atuar neste tipo de situação, por isso contamos com a ajuda de informações que partem da população, para que vidas de civis e militares não corram perigo”, comentou.


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