Sábado, 04 de Abril de 2020
DENÚNCIA

Advogada denuncia seguranças por agressões sofridas no bloco do Parque 10

Luana Haddad, 24, usou as redes sociais para denunciar agressões cometidas, segundo ela, por seguranças que trabalharam no 'Bloco do Parque 10'. "Me deram tapas na cara e pontaram uma arma para a minha cabeça", disse a jovem



ARQUIVO_PESSOAL_0F8BD24B-464E-468C-A885-D2FC8BCB3BDD.jpg Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
28/02/2020 às 15:42

A advogada Luana Haddad, 24 anos, por meio das redes sociais, denunciou um caso de violência cometido, segundo ela, por seguranças do Grupo Ronin, empresa de vigilância patrimonial contratada pela organização do 'Bloco do Parque 10'. As agressões teriam ocorrido durante o bloco de carnaval, realizado na última terça-feira (25), no estacionamento de uma universidade particular, localizada no bairro Flores, conjunto Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul de Manaus.

Luana, segundo informou, trabalha no setor de eventos da Companhia de Bebidas das Américas, a Ambev. A cervejaria é uma das patrocinadoras do bloco do Parque 10, responsável por fomentar a festa com cervejas produzidas pela empresa. Segundo a advogada, ela estava na área VIP do evento em frente ao palco principal acompanhada de amigos. Em um momento da festa, Luana teria subido na divisória de ferro, que separa a área vip da área de pista.



“Eu estava em pé dançando em uma prateleira que fica no gradil. Uma segurança mandou eu descer. E eu respondi que desceria. Ela (a segurança) me puxou de lá de cima. E eu gritei com ela, disse para me soltar. E nisso, outro segurança pegou meu braço, o colocou para trás e saiu me conduzindo para fora do evento. Comecei a me debater pedindo para me soltarem. Meus amigos vieram atrás de mim. Um amigo meu foi imobilizado e também conduzido para fora do evento”, declarou Luana.

Arma de fogo apontada

De acordo com o relato de Luana, após a abordagem da equipe de seguranças, ela foi levada para dentro de um contêiner, localizado atrás do palco principal. “Durante o trajeto até o contêiner, dois seguranças me pegaram pelos pés e um pelos braços, ou seja, eu fui carregada até para fora da festa. E nisso o top que eu vestia caiu, eu fiquei com os seios à mostra e nenhuma segurança mulher me ajudou”, pontuou a advogada.


Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Já dentro do contêiner, a advogada relata que os seguranças puxaram a pochete dela, retiraram o aparelho celular de dentro do acessório, e utilizaram a própria pochete para amarrá-la. Luana relatou que uma amiga, também advogada, tentou entrar no contêiner para acompanhar a situação, no entanto, foi barrada pela segurança do evento.

“Eu fui deitada de bruços, com a cara no chão e fui amarrada. A todo momento os seguranças ficaram me chutando. Eu estava sentindo dor e pedir para me soltarem. Apareceu um outro homem, descaracterizado, sem farda nem nada. E disse ‘bora ver se ela não vai ficar quieta agora’. E ele deu dois tapas na minha cara e apontou uma arma de fogo para o meu rosto. E depois disso foi embora”, relatou Luana.

Liberados após 1h

Somente após 1h dentro do contêiner uma pessoa da organização compareceu no local para entender o ocorrido. “O último a aparecer foi o Kleber Romão. Ele disse que era para eu procurar uma delegacia para registrar Boletim de Ocorrência (B.O) e ir até o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito para não deixar para a última hora. Ele (Kleber) também pediu para eu não divulgar, para eu não falar nada”, afirmou Luana.

O B.O foi registrado no 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP), localizado no bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus. Luana recorda que no total foram seis pessoas, integrantes da equipe de segurança do evento, que participaram de toda a ação. Sobre a ocorrência, uma audiência está marcada para a próxima segunda-feira (2), na unidade policial.

“Quando eu cheguei à delegacia para registrar a ocorrência durante a madrugada, lá estava o chefe de segurança que bateu no meu celular para não deixar filmar, as duas seguranças mulheres que me carregaram no meio do bloco. Eles (os seguranças) me filmaram, mas como o meu celular estava confiscado, eu não consegui filmar nada”, pontuou Luana.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Organização se manifesta

Por telefone, o CEO da Smart Burau, empresa organizadora do bloco do Parque 10, Kleber Romão, afirmou que está ciente do caso desde o dia do evento.

“A situação é totalmente à versa do que está sendo vendido.  A gente tem em posse imagens de câmera de segurança do evento, imagens feitas pelos próprios seguranças. Temos a declaração da equipe toda. Esse caso envolvendo a Luana Haddad é total averso do que está sendo divulgado”, declarou Romão.

O empresário afirmou que caso seja comprovado que a equipe de segurança do evento agiu de maneira agressiva, os responsáveis serão punidos.

“A gente não compactua com o erro. A gente não tem compromisso com o erro. Se houve excessos por parte dos seguranças, eles irão responder. O que não pode ocorrer é tentar criminalizar centenas de pessoas por uma ação isolada”, frisou Kleber Romão.

Luana afirmou que o Grupo Ronin, empresa responsável pela segurança do bloco do Parque 10, até o momento não entrou em contato com ela ou prestou alguma assistência sobre o ocorrido. O Portal A Crítica entrou em contato com o Grupo Ronin por telefone. Uma funcionária da empresa informou que a assessoria jurídica entraria em contato com a reportagem. Até o fechamento desta matéria não houve retorno por parte da assessoria jurídica da empresa.

Ambev lamenta ocorrido

Por meio de nota, a Cervejaria Ambev, informou que presta total assistência para Luana Haddad, funcionária da empresa. "A Ambev lamenta profundamente o ocorrido com uma de nossas funcionárias no último dia 25 de fevereiro. Assim que fomos avisados, entramos em contato e nos colocamos à disposição dela para prestar toda a assistência necessária. Vale esclarecer que os seguranças não são contratados da Ambev, mas sim da organização do bloco", informou a nota.

Em complemento a empresa declarou que repudia qualquer ato de violência. “Prezamos, acima de tudo, pelo bem-estar e segurança de quem trabalha conosco e repudiamos qualquer tipo de violência. Assim, seguimos em contato com todos os envolvidos para garantir que a situação seja resolvida da melhor maneira possível”, concluiu o comunicado.


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