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Manaus
OUTRO LADO

Advogado diz que é vítima e nega agressão contra policiais e ameaça à delegada

Luciano Eduardo de Sousa, que foi expulso da Polícia Civil, responde na Justiça por homicídio e lesão corporal. No último domingo (28), ele se envolveu em confusão com policiais e com delegada do 19° DIP após ter a moto roubada 29/05/2017 às 18:38 - Atualizado em 29/05/2017 às 19:09
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Foto: Divulgação
Rafael Seixas Manaus (AM)

O advogado Luciano Eduardo de Sousa conversou com exclusividade com o Portal A Crítica sobre a sua prisão em flagrante realizada no último domingo (28) e negou as acusações formalizadas contra ele que o levaram à prisão.  Segundo o titular do 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP), delegado Paulo Benelli, ele estava visivelmente alterado e fora do seu estado de consciência e, após muita discussão, tentou agredir com um soco um delegado e ameaçou de morte a delegada Juliana Viga.

O fato ocorreu nas dependências do próprio 19° DIP, no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, mas Luciano diz que não ameaçou ninguém e falou somente de forma mais exaltada por ter sofrido um assalto à mão armada e por ter sido levada a sua motocicleta, uma Honda CG 160 Titan, de cor vermelha e placas PHN-0161, minutos antes de procurar o DIP.

“Fui na condição de vítima, porque sofri assalto, e quando cheguei lá sou tratado como criminoso. Um investigador covarde quebrou meu nariz com um soco quando eu já estava imobilizado. Em seguida me levaram para a carceragem da delegacia. Fiquei sangrando muito tempo até uma ambulância do Samu [Serviço de Atendimento Médico de Urgência] chegar. Eu, na condição de advogado, fui tratado assim pela autoridade policial, imagina como um cidadão que mora na periferia é tratado?”, indagou Luciano, complementando que a delegada de plantão fez prevaricação, ou seja, não cumpriu seu dever por má-fé.

“A delegada virou e disse que não era atribuição da Polícia Civil e que deveria procurar a Polícia Militar. No primeiro momento considerei a prevaricação da parte dela e me dirigi à Cicom [Companhia Interativa Comunitária], sendo que quando cheguei não tinha nenhuma viatura da PM. A PC deveria ter sim, nesse momento, ido no encalço dos criminosos e fazer uma investigação para que fossem presos. Havia investigadores. Teve descaso da autoridade policial”, afirmou Luciano, que é ex-investigador da PC.

Até o momento, ele não registrou a ocorrência do roubo/assalto porque tem que ir à delegacia da área, no caso o 19° DIP, e teme que os policiais e investigadores acreditem que o retorno ao local seja para intimidá-los. “A delegada só me auxiliou a procurar a PM, então para o que serve a PC? Só para fazer B.O. [Boletim de Ocorrência] e tirar RG [Registro Geral]?”, questionou.

Passado do ex-policial

Conforme consulta no site do Tribunal de Justiça do Estado Amazonas (TJ-AM), Luciano responde na Justiça por homicídio simples e lesão corporal. Em 2010, na época investigador da PC, ele foi acusado de matar um policial a tiros durante uma briga no estacionamento de um bar. Esse processo foi encaminhado ao Tribunal do Júri e aguarda pauta para ser julgado no plenário.

Sobre esses outros casos, ele disse que é algo que não se vincula com o que ocorreu no 19° DIP.  “Todo e qualquer cidadão que responde a processo é inocente até ele ser julgado. Mesmo tendo sofrido uma situação criminal, todo cidadão tem que ser tratado com humanidade e essa proteção do Estado pela PC não pode ser negada. (...) Não pesa sobre mim uma sentença judicial com trânsito julgado”.

Em entrevista, o titular do 19° DIP, informou que o ex-investigador da PC foi exonerado da instituição após ter matado a tiros o policial militar em 2010.

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