Domingo, 26 de Maio de 2019
SAÚDE

Aedes aegypti pode trazer casos de febre amarela para Manaus, alertam especialistas

Diretor-presidente e infectologista, Bernardino Albuquerque, alerta que mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya também é vetor da febre amarela. Último caso da doença no Amazonas foi em 2016 em Manacapuru



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Especialistas afirmam que vacinação é a melhor forma de prevenir a doença (Foto: Arquivo/AC)
19/01/2017 às 14:48

Embora a capital não registre casos de febre amarela há 10 anos, o risco de disseminação da doença existe, explica o infectologista e diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque. Segundo ele, a incidência do mosquito Aedes Aegipty - um dos vetores da doença – não elimina o surgimento de pessoas infectadas na capital. Conforme Albuquerque, em uma década, sete casos foram registrados no Amazonas, sendo todos eles nos municípios do interior.

De acordo com o infectologista, diferente da realidade encontrada no estado de Minas Gerais, onde mortes foram registradas por conta da doença, Manaus se enquadra numa situação diferenciada por ser uma região endêmica. Apesar de a cobertura vacinal ser “boa”, Bernardino explica que a região está em período de chuvas, o que ocasionaria na maior incidência de mosquitos da dengue. Eles são transmissores do ciclo urbano da doença.

“O Aedes é um vetor urbano e o ciclo urbano foi erradicado no Brasil na década de 40. No Brasil, apenas o ciclo silvestre registra esses casos. É o caso de Minas Gerais e Espírito Santo. No entanto, há a possibilidade do retorno do ciclo urbano, caso a população não se vacine e não tome as devidas precauções contra a proliferação do mosquito”, explicou Bernardino.

O diretor diz ainda que sete casos de febre amarela foram registrados no Amazonas nos últimos 10 anos. O último, segundo ele, ocorreu no ano passado no município de Manacapuru. Ele defende que o governo tem trabalhado junto aos municípios para evitar o surgimento de novos casos. “Emitimos nota técnica para intensificar as vacinações no interior do estado. As unidades básicas também oferecem vacinas gratuitas”, declarou.

No ciclo silvestre da doença, ocorrido principalmente em áreas de floresta e periferias, os mosquitos Haemagogus e Sabethes se contaminam ao picar um macaco infectado e, ao picar uma pessoa, transmitem o vírus.

De acordo com a prefeitura de Manaus, a doença não é registrada na cidade há uma década, porém, além das doses existentes nas UBSs, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que tem um estoque extra de 30 mil doses. No período de 2013 a 2016 a Semsa aplicou 647.127 doses da vacina contra a febre amarela, entre doses únicas, doses iniciais e revacinação.

Vacinação

O pesquisador e diretor do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Sérgio Luz, explica que a vacinação contra a febre amarela dá cobertura de 10 anos contra a doença. O Amazonas é um estado endêmico, e por isso, são necessárias pelo menos duas vacinas durante toda a vida.

“A vacinação inicial pras crianças é a partir dos 9 meses e outra de reforço aos 4 anos. Quem toma vacina pela primeira vez a partir dos 5 anos, toma uma segunda dose de reforço. Como a nossa região é uma região que sem dúvida nenhuma é recomendada, por termos a floresta, os animais, os mosquitos, temos a recomendação de tomar vacina. Então o que é preciso fazer é que a população mantenha a sua caderneta de vacinação em dia”, disse o pesquisador.

Além da vacinação, ele alerta para a importância da eliminação dos criadouros do Aedes Aegypti. “Se eliminar os criadouros, você consegue eliminar quatro possíveis doenças, no caso a febre amarela, chikungunya, dengue e o zika”.


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