Sábado, 31 de Outubro de 2020
PRIVATIZAÇÃO

Aeroporto Internacional Eduardo Gomes vai a leilão até final de 2022

Governo quer passar para iniciativa privada o aeroporto de Manaus, enquanto deixa com as prefeituras aeródromos do interior



aeroporto_B5B43F39-FC17-4369-B8B7-00BF9B0DEEB4.JPG Com investimentos para 30 anos de concessão estimados em R$ 1,6 bilhão, o Bloco Norte I, do qual faz parte o Aeroporto Internacional de Manaus, movimentou em 2019 cerca de 4,6 milhões de passageiros. Foto: Junio Matos/Free lancer
30/07/2020 às 05:41

O Brasil terá mais 100 leilões de ativos até o fim de 2022. Na terça-feira, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, destacou os projetos de concessão de duas rodovias e a sexta rodada de concessão de 22 aeroportos brasileiros, entre os quais o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes - em Manaus. O plano inclui também os terminais de Tabatinga e Tefé.

A estatização do aeroporto da capital  levanta divergência entre políticos e autoridades no assunto, tendo em vista que  a maioria dos terminais do interior não é alcançada pelo projeto. O Eduardo Gomes  é um empreendimento lucrativo, com alta rentabilidade, ao passo que aeroportos do interior, que realmente precisam de investimento maior seguem sob a administração pública.



Apesar de não ser contra privatizações ou concessões, o deputado estadual e economista Serafim Corrêa (PSB) acredita que “administrar aeroportos não deve ser função prioritária do Estado brasileiro”.

‘Filé e ossos’

“Discordo que se dê a concessão do aeroporto rentável (o filé) para uma empresa e se mantenha os aeroportos do interior que são deficitários (os ossos) para as prefeituras administrarem. Por que não fazer um pacote contendo o filé e os ossos?  Dentro da lógica da privatização faz muito mais sentido”, afirmou.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), informou que  apoia a continuidade do processo de concessões aeroportuárias, iniciado pelo governo federal em 2012.

“Esse programa promoveu melhores condições para a aviação comercial, com grande ganho de agilidade para a expansão da capacidade operacional, o que possibilitou mais opções de voos, conectividade e sensíveis melhorias na experiência de voo dos passageiros”, disse a associação.

A Abear disse ainda que espera que os investimentos previstos para a malha aeroportuária nos próximos anos atendam ao planejamento de expansão das operações aéreas, no momento de retomada da aviação.

Reforma

Somente em 2018, foram investidos R$ 27 milhões em obras na pista de pouso e decolagens do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Os trabalhos foram realizados em caráter preventivo, com o objetivo de manter os níveis de segurança do terminal de operações.

 

“Entregar para a iniciativa privada, um investimento público, com recurso da população, não tem muito sentido”, disse o deputado federal José Ricardo (PT-AM).

O deputado ressalta que, nos últimos anos, houve um investimento muito grande na ampliação do terminal manauara, a fim de que este fosse “uma estrutura preparada para o crescimento econômico de Manaus nos próximos vinte anos”. “Na verdade, está se perdendo um patrimônio, uma instituição, e uma operação que dá lucro, e não prejuízo. Vão entregar esse lucro para empresas que nada fizeram, não investiram um centavo. Portanto, quem perde é o Amazonas, quem perde é o Brasil”, pontuou.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) está otimista. “Normalmente, a privatização traz novos investimentos e agilidade. A gente espera que toda privatização seja para melhorar. A princípio, não vejo grandes mudanças, grandes diferenças. Eu só espero que eles cumpram com o que realmente se propõem, que é mais dinheiro, mais celeridade, mais objetividade. Eu torço para que isso aconteça”, afirmou.

Blog: Denise Kassama, economista

“A privatização dos aeroportos, de maneira geral, iniciada lá no governo Fernando Henrique Cardoso, tem se mostrado bem eficiente. Os maiores aeroporto do Brasil como Guarulhos, Galeão, Brasília e Confins, foram privatizados.

Após a privatização, houve injeções de investimentos privados, que aumentaram a capacidade desses aeroportos. Também quero destacar, por exemplo, o aeroporto de Viracopos (Campinas), que hoje, configura entre os cinco melhores do mundo para fins logísticos.

Entretanto, toda privatização tem que ser analisada com cautela. Não necessariamente o investidor privado acaba realizando os investimentos que deveriam ser feitos. O privatizador tem total domínio das operações e pode colocar a situação do jeito que quer.

A gente enxerga um certo risco, principalmente para a aviação regional, que pode ficar desguarnecida devido à baixa demanda, como ocorre aqui no Amazonas, ocasionando um aumento muito grande das passagens aéreas para o interior. Na prática, a privatização tem melhorado a malha aérea, de uma forma geral. Então, vamos torcer que isso ocorra aqui no nosso Eduardo Gomes”.

Aeroporto de Coari receberá melhorias

Em junho deste ano o Ministério da Infraestrutura anunciou investimento de mais de R$ 60 milhões para reconstruir o Aeroporto Regional de Coari, município situado a 362 quilômetros de Manaus. As melhorias, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), vão possibilitar adequar o aeroporto à operação de jatos.

"Conheço bem a Amazônia e sei da necessidade de melhorarmos a conectividade entre as cidades da região para facilitar a vida dos cidadãos e beneficiar a economia local", disse o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, sobre esta questão.

O investimento é resultado de uma parceria entre o Ministério da Infraestrutura e o Comando da Aeronáutica, cujas ações envolvem a elaboração de estudos e projetos, além da execução de melhorias em diversos aeroportos regionais da Amazônia.

Já foram entregues obras realizadas em Oiapoque (AP) e Barcelos (AM), além das melhorias em andamento no Estirão do Equador (AM), Iauaretê (AM) e Oriximiná (PA). O valor dos investimentos em aeroportos da região soma mais de R$ 170 milhões.

A MAP Linhas Aéreas, presente em 14 destinos nos Estados do Amazonas e do Pará, iniciou o ano operando de forma reduzida no município de Parintins alegando instabilidade na operação da estação meteorológica do Aeroporto Regional Júlio Belém. Da média de nove voos por semana, a empresa aérea passou a realizar apenas um diário.

Estrutura passou por duas reformas

Inaugurado em março de 1976, em cerimônia presidida pelo então presidente da República Ernesto Geisel, Aeroporto Internacional de Manaus – Eduardo Gomes, foi o primeiro da Rede Infraero a ter pontes de embarque e todo sistema automatizado, fazendo com que se tornasse o mais moderno do país na época de sua inauguração.

De acordo com a Declaração de Capacidade mais recente emitida pela Infraero, o aeroporto possui terminal de passageiros com área total de 79.501,59 m² e uma estrutura capaz de processar 13,5 milhões de passageiros. De março a outubro de 2020, existe a expectativa de que o terminal receba 1.760 voos de chegada e 460 partidas internacional. Para voos domésticos, a previsão é de 3.080 de chegada e 920 de partida.

Em novembro do ano passado, o ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas havia previsto que  Eduardo Gomes seria privatizado até outubro deste ano. A ideia era transformá-lo em um hub do Norte, principal centro concentrador de voos na região. “Em janeiro vamos lançar a consulta pública, depois enviaremos o relatório ao TCU e o leilão deve ser realizado em outubro”, disse  Tarcísio Freitas quando esteve em Manaus à época para a inauguração do navio porta-contêiner Polares, da Log-In Logística.

O aeroporto passou por uma reforma de mais de R$ 400 milhões ainda no Governo Dilma, e outra de R$ 27 milhões em 2018.

Repórter de A Crítica

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