Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
DEPOIMENTO

Afonso Lobo nega ter privilegiado trâmites para empresas de Moustafa

Ex-secretário de Fazenda do Amazonas disse que faria reordenamento de recursos da Saúde, mas Operação impediu medida



WhatsApp_Image_2019-08-07_at_18.47.53_209CEA12-F028-46BB-A97A-7E94FEB4C745.jpeg Foto: Márcio Silva/ A Crítica
07/08/2019 às 18:49

Afonso Lobo, ex-secretário da Fazenda (Sefaz) foi o último a depor nesta quarta-feira (7). Ele, que foi secretário na gestão de Omar Aziz e José Melo, declarou-se inocente do envolvimento nos crimes de desvio de verba da Saúde do Estado. "É um equívoco do Ministério Público", iniciou.

Lobo disse ter conhecido Mouhamad Moustafa durante os processos de contratos do empresário com o governo e, desde então, tornaram-se amigos, mas sem muita proximidade.



Segundo o ex-secretário, Moustafa apresentou Priscila Coutinho como representante do Instituto Novos Caminhos. Lobo rebateu a acusação dos autos de que ele privilegiava os trâmites das empresas de Moustafa e ressaltou que José Melo era muito responsável e preocupado com o uso consciente dos recursos públicos.

"Os contratos com o INC foram reduzidos em $820 mil por mês, e R$ 9,8 milhões por ano. Isso está tudo documentando, mas isso não foi suficiente e depois de analisarmos, vimos que precisaríamos de mais, então estudamos fazer o Reordenamento de Saúde,  que era a desativação de unidades que concorriam entre si e transferir o atendimento básico pela Prefeitura. Três dias antes da implementação, os Ministérios Públicos pediram mais dias para analisar, e o prazo coincidiu com a operação Maus Caminhos, e a reorganização não saiu", explicou.

O reordenamento, segundo ex-titular da Sefaz, reduziria em cerca de R$36 milhões os recebimentos anuais de Mouhamad, o que, para ele, demonstra que não havia privilégios para o empresário.

De cunho pessoal, Afonso disse que os dois participaram de festas dos filhos um do outro, mas por cordialidade.

"Eu não vejo que eu não possa frequentar a casa de empresários, eu não vejo assim. O fato de almoçar na casa dele, não me impedia de cortar contratos que o prejudicaria, por exemplo. Esses eventos não mudavam meu comportamento e meu modo de ser", argumenta.

Questionado sobre o valor mensal de R$50 mil a R$ 60 mil e ingressos como para shows de Roberto Carlos, Wesley Safadão, Villa Mix, para o final da Copa do Mundo, e recebimento de presente, Lobo disse que, por orientação de seus advogados, falará em juízo na audiência que trata de formação de organização criminosa, marcada para o fim deste mês.

Afonso Lobo disse que a Controladoria Geral da União (CGU) errou ao apontar uso de recurso federal ao INC, o que para ele, foi "má fé " da CGU.

Em suas considerações, o ex-secretário reafirmou sua inocência. "Conduzi a economia do Estado em um dos momentos mais difíceis, inclusive fui eleito personalidade no ano na área econômica. Acho que dei meu melhor e não integrei nenhuma organização criminosa. Meus advogados vão provar de maneira cabal minha inocência", finalizou.

Nesta quinta-feira (8), o ex-governador José Melo prestará depoimento, a partir das 9h, encerrando esta fase da audiência.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.