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Manaus
PRESÍDIO

Agente penitenciário é rendido e espancado por detentos dentro de presídio em Manaus

O caso aconteceu dentro Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). O agente é funcionário da empresa Umanizzare 08/11/2017 às 10:34 - Atualizado em 08/11/2017 às 11:09
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Foto: Divulgação
Vinicius Leal Manaus (AM)

Um agente penitenciário foi rendido e espancado por detentos na tarde de ontem (8) dentro do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no Km 8 da rodovia federal BR-174, em Manaus. A informação foi repassada à reportagem do Portal A Crítica por outro agente penitenciário do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que preferiu não se identificar, e também confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

“Na hora da tranca, os internos seguraram ele e deram uma coça nele. Quase matam. E a empresa (Umanizzare) está querendo ocultar isso aí”, disse o agente, sob sigilo. Segundo ele, o sistema prisional do Amazonas é uma “bomba” que pode “explodir” a qualquer momento. “A cadeia não está nada boa. A qualquer hora, a qualquer momento, podemos ter uma nova rebelião por parte dos presos. Aquilo é uma bomba que a qualquer momento pode explodir”, disse.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, a vítima das agressões é um funcionário da empresa Umanizzare, co-gestora do sistema prisional do Amazonas. Segundo a Seap, o agente espancado recebeu atendimento médico, porém o órgão não divulgou o estado de saúde dele nem a unidade de saúde onde ele permanece.

Levados à delegacia

Conforme a Seap, os detentos que espancaram o agente foram encaminhados a uma delegacia da cidade para prestar depoimento e serem indiciados por agressão. Eles foram colocados em isolamento e poderão responder sanção disciplinar. Um inquérito policial também foi aberto pela Polícia Civil para investigar o caso. Além disso, um processo administrativo deverá ser aberto para apurar o caso dentro da Secretaria de Administração Penitenciária.

“A Seap reforça que será aberto um processo administrativo para apurar a situação de agressão. Os detentos envolvidos na agressão já foram colocados em isolamento prévio de 10 dias e será aberto um conselho disciplinar para o caso, que pode resultar em sanção disciplinar em até 30 dias e a inclusão da infração disciplinar na certidão carcerária dos presos”.

Salários atrasados

De acordo com o agente penitenciário que denunciou o caso ao Portal A Crítica, o sistema prisional pode “explodir” a qualquer momento. A empresa Umanizzare, inclusive, segundo ele, não vem pagando os salários retrativos dos funcionários desde o mês de junho deste ano. “Está muito tenso o presídio, principalmente o Compaj. Não tem nada sob controle como eles dizem e como a empresa fala. Está havendo muito descaso por parte da empresa”, disse.

“Nós estamos ali sendo vendidos. Eles estão sabendo do perigo e do que futuramente pode acontecer, mas não estão tomando providência nenhuma”, relatou o agente. “Inclusive o nosso retroativo da Umanizzare até agora não foi pago. Era pra ter aumento em junho e desde lá para cá, nada. Disseram que foi adiado e não vai ter aumento nenhum esse ano. A gente está sendo prejudicado por essa empresa que não dá resposta de nada”, completou.

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