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Agentes que trabalham no controle de endemias ameaçam parar atividades

Comissão de trabalhadores quer uma reunião com o governador José Melo. Eles alegam atrasos no pagamento de benefícios 19/09/2015 às 08:23
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Segundo o Sindsep, a cada dia de paralisação dos agentes de controle de endemias, uma média de 10 a 14 mil imóveis deixam de ser visitados por dia no Amazonas
acritica.com ---

A comissão representativa dos Agentes de Combate a Endemias do Amazonas protocolou esta semana um ofício solicitando agenda com o governador José Melo. Caso não seja recebida, a comissão – composta por 11 representantes da categoria – pretende mobilizar os trabalhadores tanto da capital quanto de 31 municípios do interior do Estado para uma paralisação total.

A ideia, segundo o agente de Combate à Endemia do Estado do Amazonas Jeanderson da Costa Paiva, há 15 anos na função, é fazer manifestação em frente à sede do Governo até serem ouvidos pelo poder público. “Os agentes de endemias do Estado estão sendo vítimas de uma crueldade sem tamanho. Não bastasse os mais de 300 colegas que foram dispensados arbitrariamente e estão praticamente mendigando desde junho, agora é o pessoal que está trabalhando, na ativa, que tem que fazer manifestação para receber o auxílio alimentação”, ressaltou Jeanderson.

No início desta semana, os Agentes Comunitários de Endemias (ACE) paralisaram suas atividades tanto na capital quanto no interior do Estado, deixando, por dois dias, 15 municípios sem assistência no combate aos mosquitos causadores da dengue e da malária.

Segundo levantamento do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas (Sindsep-AM) - que abraçou a causa dos agentes de endemias pelo fato de a categoria não ter, ainda, representatividade – para cada dia de paralisação dos agentes uma média de 10 a 14 mil imóveis deixam de ser visitados por dia no Estado, comprometendo a saúde da população.

A paralisação, esta semana, foi para reivindicar o pagamento do auxílio-alimentação do mês de setembro, no valor de R$ 220 que deveria ter sido pago no início do mês. Jeanderson Paiva lembra que, para receberem o benefício do mês de agosto, os agentes também tiveram de fazer protesto. “Eles simplesmente não depositam e só o que informam é que está havendo um entrave na Sefaz e não tem previsão para sair. Enquanto isso, estamos sendo obrigados a trabalhar 8h por dia mesmo sem ter alimentação. É injusto os trabalhadores exercerem suas atividades e não terem o quê comer porque não há com o quê comprar”, desabafou o representantes dos agentes de endemias.

A fim de sensibilizar o Governo, os agentes estão solicitando trabalhar somente um horário devido ao atraso no repasse do auxílio-alimentação. Eles pretendem formalizar o pleito junto à Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). Hoje a carga horária da categoria é de 07h30 às 11h30 e de 13h30 até às 17h30. 

Reivindicação é incorporar o piso salarial

A principal reivindicação dos Agentes de Combate a Endemias do Amazonas é a incorporação do piso nacional em seus vencimentos. Criado pela Lei Nº 12.994, de 17 de junho de 2014 o piso nacional de R$ 1.014 mais gratificações só é repassado aos agentes municipais. Hoje o salário base da categoria lotada na FVS é de R$ 636,16 mais gratificação saúde de R$ 730,90 e risco de vida no valor de R$ 127,23 (mesmo trabalhando com inseticida os agentes de endemias recebem ao invés de insalubridade o risco de vida).


Devido à paralisação, todos os agentes estão com falta, por mais que tenham cumprido o horário de trabalho dentro do seu Distrito. Eles dizem que toda vez que um agente de endemia recebe uma falta há um desconto tanto no salário quanto na gratificação. Caso haja três faltas em um mês a gratificação é cortada.




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