Sábado, 17 de Agosto de 2019
Manaus

Aids: Jovens correm risco ao fazer sexo sem preservativo

Uma pesquisa realizada na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) apontou que a maioria dos mais de 80 pacientes atendidos na instituição, com diagnóstico de HIV/Aids, foram contaminados de forma horizontal, ou seja, diretamente, por relação sexual sem preservativo



1.jpg Jovens que tiveram até 80 parceiros não usaram camisinha, espanta-se a médica infectologista Sílvia Leopoldina Almeida
05/05/2013 às 14:13

Correr o risco, arriscar na aposta, viver perigosamente ainda é uma característica do comportamento adotado na adolescência e juventude por grande parte das pessoas. No entanto, em vez de rachas de carros, brigas entre turmas rivais, disputa de território, o risco que os jovens de hoje preferem correr é o da roleta russa do HIV.

Uma pesquisa realizada na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) apontou que a maioria dos mais de 80 pacientes atendidos na instituição, com diagnóstico de HIV/Aids, foram contaminados de forma horizontal, ou seja, diretamente, por relação sexual sem preservativo. Muitos, quando questionados, afirmavam ter tido mais de 50 parceiros diferentes nos últimos cinco anos.

“Alguns chegaram a contabilizar 70, 80, parceiros”, afirmou a médica infectologista Sílvia Leopoldina Almeida, doutoranda em saúde pública pela Fiocruz. Esse tipo de comportamento foi o que motivou a pesquisa orientada por ela e desenvolvida pela acadêmica de Medicina da Universidade Nilton Lins (UniNiltonLins), Lucienne Barbieri Victoria. O relatório final foi entregue em abril.

Conforme a pesquisa, 36,4% dos pacientes continuaram tendo relações sexuais sem o uso do preservativo e 63,6% passaram a adotar medidas preventivas durante as relações sexuais. O número ainda é considerado alto

Vírus era ‘ilustre desconhecido’
A pesquisa intitulada 'Perfil Epidemiológico de adolescentes vivendo com HIV/Aids atendidos no ambulatório de DST/Aids da FMT-HVD no período de 2011 a 2012', apontou ainda que 41,8% dos pacientes disseram não sabem como o vírus é transmitido e 36,4% revelaram que não faziam ou fazem o uso do preservativo nas relações sexuais.

“É um número preocupante, que me intrigou em saber o porquê do aumento de casos nos jovens”, explicou Sílvia Almeida. Os questionários foram aplicados em pacientes com idades entre 13 e 24 anos. “Quando aplicava os questionários, perguntava se eles sabiam como era a contaminação e via que quando tentavam responder, não sabiam”, completou Lucienne Victoria.

Para ela, os dados são preocupantes, pois colocam em risco a sociedade. “Atendemos um caso, inclusive, de um menino que foi contaminado com o vírus de forma direta, por relação sexual, quando tinha 11 anos. Hoje ele está com 13”. A estudante de medicina informou que o objetivo foi caracterizar os adolescentes e jovens que vivem com HIV/Aids em relação ao sexo, idade, escolaridade, renda familiar e prática de relações sexuais com preservativo.

Os casos de HIV notificados no Amazonas entre 1986 e 2013 chegou a um número de 8.147, segundo dados da FMT-HVD. Entre os anos de 2011 e 2012, houve um aumento de 25,5% dos registros, passando de 583 para 783.

Gosto por viver perigosamente
A necessidade de experimentar coisas novas, os hormônios em ebulição na adolescência, período da vida caracterizado por transformações físicas, psicológicas e sociais, são um dos motivos apontados pelas pesquisadores que aumentam as chances dos jovens de adquirirem a infecção por HIV.

“É aquela coisa de que ‘não vai acontecer comigo’. São jovens de classe média, a maioria, muitos universitários, tanto de faculdades públicas como particulares, e que, embora saibam como se dá a contaminação, não utilizam meios de prevenção”, explicou a médica infectologista Sílvia Leopoldina Almeida. Além disso, os que costumavam usar preservativo para sexo vaginal e anal, não o utilizavam no sexo oral. “Encontramos também muitos casos de jovens que sofreram abuso sexual dentro da própria família, o que contribuiu para esse comportamento. Além disso, temos aqueles que se prostituem”, disse.

Embora a reação da maioria ao saber do diagnóstico seja de perplexidade e tristeza, algum tempo depois os jovens passavam a agir como se nada tivesse acontecido, segundo a médica. “É uma forma de esquecer”.

Hiv positivos
Atualmente, 1.527 pessoas que vivem com Aids no Amazonas não realizam o tratamento. “São várias as situações que levam a esse comportamento: vergonha da família, dos amigos do trabalho... É a não aceitação da doença”, afirmou a diretora-presidente da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, Graça Alecrim.

Ela acredita que o pensamento de que hoje existe tratamento está sendo maléfico para a sociedade. “O que as pessoas não pensam é que não existe cura, você terá que tomar remédio para o resto da vida, isso sem contar que fica mais sensível às infecções oportunistas e mesmo às mais comuns, que podem levar à morte”, explicou Graça Alecrim.

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