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Alegorias do bumbá Garantido são destruídas e jogadas no meio da rua em Parintins

Retroescavadeira e trabalhadores retiraram material dos galpões, à mandado de uma imissão de posse assinado pela juíza Melissa Sanchaes em favor do empresário Francisco Vasconcelos, danificando estruturas e comprometendo o bumbá na arena 15/03/2013 às 08:33
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Uma retroescavadeira e homens contratados pelo empresário que arrematou a Cidade Garantido deixaram alegorias na rua
Jonas Santos Parintins-Am

A nação vermelha e branca sofreu um baque nesta quinta-feira (14) ao ver as alegorias do boi serem despejadas da Cidade Garantido, em Parintins (a 325 quilômetros de Manaus). Um oficial de Justiça, acompanhado de dez policiais militares, cumpria uma mandado de imissão de posse assinado pela juíza Melissa Sanches Silva da Rosa, da 2ª Vara da Comarca local, em favor do empresário Francisco Vasconcelos, o “Chiquinho da Auto-peças”.

O empresário havia arrematado, em 2012, o galpão de alegorias no valor R$ de 120 mil, por conta de uma dívida da agremiação folclórica com o compositor do Caprichoso, Cezar Moraes, que é o autor da toada “Louco Torcedor”, que fez sucesso no boi vermelho.

Uma máquina retroescavadeira e homens contratados pelo empresário retiraram dezenas de alegorias do galpão principal. As alegorias foram jogadas no meio da rua e outras ficaram reviradas na praça do mastro da Cidade Garantido. A rodovia Odovaldo Novo ficou interditada. Poucos sócios do Garantido acompanharam, revoltados, a destruição de parte das alegorias. Na quarta-feira 400 brincantes e artistas deixaram a Cidade Garantido e viajaram de barco para participar do show de gravação do DVD dos 100 anos do bumbá, que acontecerá neste sábado (16), no Sambódromo, em Manaus.

Por volta das 17h, o oficial de Justiça Sandro Martins, que acompanhava a remoção das alegorias, atendeu a um telefonema da juíza Melissa informando que a ordem judicial estava suspensa naquele momento, mas que o despejo teria continuidade nesta sexta-feira, às 7h30.  A CRÍTICA tentou falar com a magistrada, sem sucesso.

No ano passado, a diretoria do Garantido tentou renegociar o bem imóvel com o empresário, que queria vender o galpão ao boi pelo valor de R$ 1 milhão. Chiquinho desmente esse fato. Mas ontem, mesmo após a ordem de suspensão da juíza, em conversa com o diretor jurídico do boi, Fábio Cardoso, o empresário comentou: “O meu problema é grana. Meu problema é o cacau”.

Nesta quinta-feira (14), a diretoria do Garantido, informou que ingressou com pedido de urgência no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) solicitando a suspensão de posse. A presidência do TJ-AM deve apreciar o caso nesta sexta.

O sócio do Garantido, advogado Vander Goés, considerou que o ato do cumprimento do mandado foi desproporcional. “Poderia dar posse, sem a necessidade de retirar as alegorias agora, sem o uso da força, até que todos os recursos fossem julgados. As alegorias não são bens perecíveis. Isso é mais um capricho do arrematante”, afirmou. 

O diretor-secretário do bumbá, Leopoldo Buretama, disse que o Garantido ainda vai avaliar os prejuízos causados com a quebra de várias alegorias. “Compromete o festival. As bases de alegorias estão reviradas, retorcidas e roldanas quebradas. Estávamos em processo de montagem das bases. Vamos cobrar o empresário”.

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