RISCO

Além da Covid-19: Aumento de casos de dengue preocupa saúde no AM

Com sintomas parecidos com o do novo coronavírus, a dengue pode pressionar ainda mais o sistema de saúde com as fortes chuvas do 'inverno amazônico'

Lucas Vasconcelos
22/01/2022 às 10:56.
Atualizado em 08/03/2022 às 16:02

(Fotos: Divulgação/FVS-AM)

O Amazonas registrou um aumento de 43% no número de casos de dengue nos últimos dois anos, dos quais pelo menos 20% foram notificações em Manaus, conforme dados divulgados na última quinta-feira (13) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas - Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).

De acordo com a pesquisa, só em 2020 foram registrados 10.251 casos de dengue. Já em 2021, o indicador subiu para 14.740 notificações. Somente em Manaus, foram 2.236 casos (22%) em 2020, e 5.706 (39%) em 2021. Os dados constam no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), oficial do Ministério da Saúde para esse tipo de registro, e são informados pelas Vigilâncias em Saúde municipais para a FVS-RCP, que consolida os registros.

Em 2021, os municípios do Amazonas que mais registraram notificações de dengue foram: Manaus (5.706), Tefé (1.248), Tapauá (936), Envira (698), Iranduba (670), Manicoré (669), Guajará (514), Manacapuru (479), Jutaí (471) e Lábrea (457).

Também foram registrados aumentos nos casos para zika e chikungunya no Amazonas no comparativo nos últimos dois anos. Foram 111 casos de zika em 2020, e 213 em 2021. Já em relação aos casos de chikungunya, foram identificados 28 em 2020, e 359 em 2021.

Sintomas parecidos com a Covid-19

Alguns dos sintomas da dengue podem se manifestar de forma semelhante aos da Covid-19, como dores nas articulações, dores musculares e febre. O paciente com dengue pode também apresentar manchas pequenas na pele e problemas no trato intestinal, como diarréia. Já a tosse e falta de ar são mais comuns na infecção pelo novo coronavírus.

Casos graves

No ano passado, um estudo realizado pelo pesquisador Marcelo Urbano Ferreira, professor da USP, mostrou que pessoas que já foram infectadas pelo vírus da dengue tem duas vezes mais chances de desenvolver sintomas, caso sejam infectadas pela Covid-19.

A pesquisa analisou 1.285 amostras de sangue de moradores do Acre. 

"Não sabemos ainda se há algum fator biológico que explique esses achados. A infecção prévia pelo vírus da dengue, sintomática ou não, poderia resultar em um padrão de resposta mais inflamatório durante uma infecção por Sars-CoV-2, aumentando o risco de sintomas", contou o pesquisador ao A CRÍTICA.

De acordo com o diretor técnico da FVS-RCP, Daniel Barros, a prevenção é fundamental para evitar a infecção pelo Aedes aegypti diante da pandemia de Covid-19. 

“As duas doenças são virais e muito inflamatórias. Quem tem dengue e se contamina com o novo coronavírus têm mais chances de sentir o agravamento da doença. Então, a prevenção é o melhor caminho”, afirmou o diretor técnico da FVS-RCP.

Como combater

Segundo o biólogo Sérgio Bocalini, conselheiro do Conselho Regional de Biologia (CRBio-01), alerta que, com as atenções voltadas para a pandemia de Covid-19, houve uma redução nas fiscalizações para a eliminação de criadouros de Aedes aegypti e na divulgação de campanhas educacionais. Entretanto, a população não pode deixar de fazer sua parte.

“O poder público é fundamental, mas a população precisa fazer a sua parte. A regra básica é aquela já bem difundida: eliminar os criadouros de Aedes. O criadouro é qualquer coisa que permita acúmulo de água. Seria ótimo se os moradores dedicassem cinco minutos do dia para vistoriar seus quintais. Mas essa fiscalização tem que acontecer durante o ano inteiro”, defende o Biólogo.

O acúmulo de água pode acontecer em pneus, vasos de plantas, garrafas, tampas de garrafa, papéis de bala, folhas de árvores, enfim, qualquer recipiente capaz de reter líquidos.

Campanha

Segundo a gerente de Doenças de Transmissão Vetorial da FVS-RCP, Luzia Mustafa, estão programadas visitas técnicas para os municípios do interior do estado com o objetivo de dar suporte às ações das secretarias municipais de saúde no controle da doença.

“As ações de intensificação de combate ao vetor incluem borrifação com inseticidas, visitas domiciliares com ações de educação em saúde nos municípios, sempre destacando a eliminação de criadouros a partir de tratamento focal com larvicida”, destaca Luzia.

O diretor técnico Daniel Barros destaca também que o Amazonas enfrenta período chuvoso, também conhecido como inverno amazônico, que segue até maio. O acúmulo de chuvas é cenário favorável para a proliferação do Aedes aegypti, já que, nessa época, é observado aumento de casos da doença.

“A FVS-RCP está empenhada na intensificação das ações, mas é preciso que a população faça a vistoria dentro e fora das suas casas, procurando espaços com acúmulo de água que podem ser locais de proliferação dos mosquitos”, acrescenta.

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