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Manaus
PREOCUPAÇÃO

Museu Amazônico da Ufam funciona na precariedade e com problemas elétricos

Gerido com recursos federais assim como o Museu Nacional, destruído por incêndio, espaço em Manaus sofre com danos estruturais, carência de profissionais e falta de verba adequada 04/09/2018 às 12:11 - Atualizado em 04/09/2018 às 17:07
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O Museu fica localizado na avenida Ramos Ferreira, no Centro de Manaus (Fotos: Winnetou Almeida)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

O incêndio que destruiu o valioso acervo de 20 milhões de peças do Museu Nacional, na cidade do Rio de Janeiro, deve servir de alerta para o governo federal quanto à administração de outros museus e prédios históricos brasileiros. Em Manaus, o Museu Amazônico da Ufam, gerido por uma universidade federal assim como o Museu Nacional pela federal do Rio (UFRJ), tem funcionado com uma estrutura precária, o que preocupa os funcionários. A Ufam diz buscar recursos para melhorar a estrutura do local.

Fundado no dia 21 de junho de 1991, o Museu Amazônico da Ufam é de responsabilidade da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e possui um acervo capaz de reconstituir a história do Estado. O local, que possui coleções de objetos de uso doméstico de diferentes etnias indígenas, cerâmicas populares e materiais arqueológicos, funciona com problemas no sistema elétrico.

Ao chegar ao antigo prédio-sede do Museu Amazônico, localizado no número 1036 da rua Ramos Ferreira, no Centro de Manaus, o visitante encontra portões enferrujados, paredes sem pintura e fios à vista. O problema se agrava quando o teto do local é conferido. É possível encontrar infiltrações nas paredes e o forro de madeira sendo corrompido rapidamente por cupins.

A situação preocupa funcionários. Quando a equipe de reportagem do Portal A Crítica chegou ao local nesta segunda (3) uma das servidoras disse: "pode acontecer aqui o que aconteceu no Museu do Rio de Janeiro".

O diretor do Museu Amazônico, Dysson Teves Alves, afirmou que o prédio histórico só funciona diariamente porque a administração tem conseguido contornar algumas "questões básicas". "O Museu tem um projeto de reforma que até agora não foi efetivado. Na medida do possível, a gente solicita uma vistoria da universidade para fazer pequenos reparos. De maneira geral, o Museu Amazônico precisa também de uma reforma bem significativa, principalmente na parte elétrica. Este é o grande risco que corremos aqui. No mais, a gente procura eliminar os problemas", destacou Dysson.

Questionado da possibilidade de acontecer uma tragédia no Museu Amazônico como ocorreu no Museu Nacional do Rio, nesse domingo (2), o diretor destacou que "ninguém vai tapar o sol com a peneira". "A preocupação de acontecer como no Rio existe. Mas aqui no Museu a gente já teve cuidado de pedir uma reforma na parte elétrica, além de pedir extintores atualizados e ter água suficiente. A gente procura estar sempre atento a esse possível risco, mas de certo modo ninguém está livre. A qualquer momento um acidente pode acontecer", afirmou.

Além dos problemas estruturais, a falta de segurança do acervo do museu também preocupa o diretor do prédio. "Não existe a preocupação só na parte da estrutura, mas na segurança do acervo. Nós não temos agentes de portarias e os nossos guias são bolsitas. Temos carências de profissionais, como museólogos, arqueólogos e historiadores", disse.

Investimentos

Segundo o diretor, como o Museu Amazônico é um órgão suplementar da Ufam, os recursos repassados são do governo federal. "O reitor da Ufam faz solicitações anualmente das nossas demandas, mas tudo depende do governo federal. Depende de aprovação do Congresso e de liberação de verba. Ficamos a mercê do governo federal. Se tivéssemos um investimento regular, porque projeto nós temos", comentou o representante do museu.

O diretor também reclamou da falta de repasses federais para a manutenção de prédios históricos brasileiros. "Não é novidade para ninguém que o governo federal está cortado tudo que é verba. O descaso com a questão da nossa própria cultura é muito grande. O governo raramente, ou quase nunca, investe nesta área", comentou o diretor.

Museu histórico

O Museu Amazônico da Ufam conta com uma biblioteca especializada em assuntos relacionados à Amazônia; setor de museologia, arqueologia, história e documentação; departamento de difusão cultural e antropologia, entre outros. A partir do acervo, segundo o diretor, é possível reconstituir a história do Amazonas. "Tudo que temos aqui faz parte de maneira geral, da história da Amazônia, e especificamente, do Amazonas. O valor histórico é gigante, o financeiro, não temos como mensurar. Tudo depende de como as autoridades olham para a cultura do país", completou o representante do Museu da Ufam.

Ufam diz buscar recursos

A Ufam disse em nota que busca constantemente recursos para manutenção predial da instituição, seja para Unidades Acadêmicas quanto para os órgãos suplementares, como o Museu Amazônico. A universidade não informou qual o valor do investimento repassado ao museu mensalmente ou até anualmente, como questionado pela reportagem.

A universidade declarou que realiza vistorias periódicas nos extintores de incêndio das unidades. "Tanto a manutenção preventiva quanto a corretiva e as atividades de prevenção e combate a incêndio são uma preocupação da administração, que realiza vistorias periódicas nos extintores de incêndio das unidades, por meio da Prefeitura do Campus, que possui canal direto com as unidades da Ufam para resolução emergencial de problemas identificados", informou. 

A Ufam disse ainda que em 2007, foi ministrado curso para criação de Brigada de Incêndio da instituição pelo corpo de bombeiros. Atualmente, a universidade afirma ter uma equipe de Gestão de Riscos, formada por servidores e gestores. 

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