Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
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Alimentos que iam para o lixo em feiras de Manaus são reaproveitados

Iniciativa busca minimizar o desperdício mensal de 90 toneladas de produtos em feiras da capital amazonense. Mais de 65 entidades recebem os alimentos recolhidos



alimentos_2_378D7A59-D536-4762-BABE-6E74A82265B2.JPG Foto: Sepror/ Divulgação
21/10/2019 às 07:49

Evitar o desperdício e ajudar projetos e comunidades carentes. É esse o foco de uma ação que já arrecadou, em sete meses, 31 toneladas de alimentos que seriam jogados no lixo. A medida, que hoje acontece em três feiras da capital, tem parceira de órgãos públicos e deve ser intensificada para minimizar o desperdício de 90 toneladas de frutas, verduras e legumes que vão para o lixo todos os meses na cidade de Manaus.

O levantamento feito pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), uma das apoiadoras do “Programa de Redução de Desperdício nas Feiras”, é a junção do que é jogado fora em pelo menos 45 feiras presentes na cidade e não contabiliza ainda o desperdício nos supermercados e o que é feito também pelo produtor.



A ideia é que futuramente o projeto seja ampliado evitando o maior número de desperdício o possível, para assim o Estado atingir o previsto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estipulados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Esse programa faz parte do Plano Safra Amazonas, que foi lançado oficialmente em maio. É um dos objetivos da nossa secretaria reduzir o desperdício. É um programa também conectado com os ODS estabelecidos pela ONU. Destacando que o  primeiro deles que é erradicar toda a pobreza em todas as suas formas e lugares e o  segundo,  por meio de uma agricultura sustentável, garantir soberania alimentar as populações. Portanto, estamos alinhados  a isso  através desse programa, e estamos obtendo excelentes resultados”,  defende o secretário da Sepror,  Petrucio Magalhães Júnior.

Ele destaca que mais de 65 entidades recebem os alimentos recolhidos em parceria com o programa mesa Brasil. “Nós fizemos uma aliança com o Sesc, por meio do programa pelo qual vamos semanalmente em três feiras, definidas nessa parceria. Fazemos o recolhimento  desses alimentos que estão maduros. Sendo bom destacar que não são alimentos estragados, que não podem ser consumidos pelo ser humano.São alimentos que apenas não estão sendo  comprados pelo consumidor e que os feirantes separam para que eles possam ser triados, lavado, preparados e a partir daí serem distribuídos”,  pontua ele, lembrando que o programa também conta com a ação social do Município.

A ideia, segundo o secretário, é ampliar o programa em 2020. A medida, avalia Carlos Henrique Silva, idealizador do projeto e coordenador do programa junto à Sepror, é boa e precisa também do apoio das entidades privadas. “É importante que o setor privado abra os olhos e possa ajudar. Ou contratando mão de obra ou ajudando com os caminhões usados para recolher o alimento. Isso vai ajudar o programa a ser ampliado e atingir novas feiras que precisam desse tipo de trabalho”, afirma.

Para Silva, outro desafio é atingir os supermercados de médio e grande porte para que eles possam ajudar, aumentando a quantidade de produtos recolhidos e de pessoas beneficiadas. “Hoje nós sabemos que tem desperdício de mercadoria, mas infelizmente eles não trabalham no programa para reduzir e destinar corretamente esse material. Hoje nós coletamos aproximadamente 31 toneladas de material que iria ser jogando no lixo e nós conseguimos aproveitar. O material doado não é estragado, é um que, comercialmente falando, não tem mais valor. Aquele que normalmente o cliente não escolhe”, explica o coordenador.

De três para até 15 feiras em 2020

Apenas a Feira da Banana, a Manaus Moderna e a Feira de Produtos Regionais da Agência de Desenvolvimento Sustentável no Shopping Ponta Negra participam do Programa de Redução de Desperdício nas Feiras. Nelas são recolhidos aproximadamente uma tonelada de alimentos por semana. A ideia, segundo o secretário da Sepror, é ampliar para até 15 feiras participantes no ano que vem.

FAO: causas das perdas são diversas

Na semana passada, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou um novo estudo  sobre o desperdício global de alimentos. De acordo com o relatório, América Latina e o Caribe são responsáveis por 20% da quantidade total de alimentos perdidos  em todo mundo.

O relatório, disponível apena em inglês, apontou que em todo o planeta  as causas de perda e desperdício de alimentos diferem amplamente ao longo de toda a cadeia de abastecimento e produção, sendo avaliada  a manipulação desde a colheita até o destino final, que é a chegada até o consumidor. A intenção do levantamento é identificar os problemas causados por conta do desperdício e apontar as alternativas para reduzir ou minimizar o impacto disso em todo o mundo.

Beneficia 1,2 mil pessoas todos dos dias

As instituições que recebem o material coletado, após uma triagem, estão cadastradas no banco de dados do “Mesa Brasil”, que é uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício. No Amazonas, são mais de 60 instituições entre cozinhas  comunitárias, associações e abrigos cadastradas no programa. 

“Os alimentos recebidos ajudam a alimentar mais de mil pessoas por dia, isso somente quando falamos das atendidas pelas cozinhas comunitárias administradas pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc)”, conforme explica a nutricionista Lenize Guimarães Barbosa.

“Os alimentos recebidos ajudam a complementar as refeições servidas pelas cozinhas e alimentam 1.200 pessoas diariamente, entre crianças, adultos, adolescentes e idosos. Nós captamos os alimentos, higienizamos e armazenamos para serem utilizados durante toda semana nas nossas seis cozinhas. Todo o produto captado, tanto da iniciativa pública como privada, faz muita diferença no resultado final das refeições, pois ajuda a combater a fome de pessoas em situação de vulnerabilidade social”, ressalta Lenize.

Os alimentos arrecadados, em três feiras da capital, são armazenados nos caminhões do Programa Mesa Brasil e encaminhados para o Balneário do Sesc, na avenida Constantinopla, Campos Elíseos, onde é feita a triagem e a distribuição.

A intenção da secretaria é que no próximo ano o número de feiras seja ampliado, saindo de três para até 15 feiras espalhadas pela cidade.

“É um programa fabuloso. Queremos ampliá-lo e estamos reforçando  a nossa equipe para em 2020 obter uma meta ainda maior em recolhimento de alimentos e doação”, afirmou o secretário da Sepror, Petrucio Magalhães Júnior.  

Futuramente, além do recolhimento do material ainda próprio para consumo, a ideia é abrir  portas para outra possibilidades com a agricultura familiar urbana. “Também temos a ideia de fazer isso, porque hoje nas feiras existe uma parte de resíduo que ainda não é coletada e que pode virar compostagem. Sendo realmente um material muito deteriorado que não podemos aproveitar ele no consumo humano, mas pode ser utilizado para adubo orgânico”, destacou o coordenador do programa, Carlos Henrique Silva.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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