Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
CUSTO DE PRODUÇÃO

Alta recorde do dólar afeta empresas do polo industrial, avalia Cieam

Especialistas ouvidos por A CRÍTICA alertam que a alta do dólar que, na sexta-feira, bateu cotação recorde, afetando a indústria nacional que depende de insumos importados



polo_industrial_50AAD031-44B2-4B3A-B959-F1A878A79075.JPG Foto: Arquivo/A Crítica
24/02/2020 às 07:17

Os representantes de entidades das indústrias do Amazonas afirmaram que a alta da cotação do dólar pode impactar negativamente nas importações de insumos ao Polo Industrial de Manaus (PIM). O dólar comercial encerrou a sessão vendido a R$ 4,39, com pequena alta de R$ 0,001 (+0,04%), na última sexta-feira, o que aponta o maior valor nominal desde  a implementação do plano real.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Wilson Périco, afirmou que a alta cotação do dólar pode influenciar no aumento dos custos dos produtos no mercado interno nos próximos dois meses. Wilson Périco ressaltou que o mercado brasileiro sabe reagir diante das oscilações e disse, ainda, que é necessário um  equilíbrio na definição da cotação ideal para o dólar. 



“O custo dos produtos para o mercado interno, principalmente aqueles produtos que se utilizam de grande parte da matéria-prima importada esse pode ser que tenha um aumento. Mas não é porque o dólar aumentou na sexta-feira que o preço vá subir amanhã. Então é aguardar os próximos dias e meses e esperar, quem sabe uma redução do dólar para que a gente tenha uma tranquilidade maior”, disse o presidente.

Impacto

O presidente do Grupo Simões, que é responsável pela fabricação da Coca-cola, Aristarco Neto, afirmou que a flutuação do dólar sempre tem dois lados. Ele ressaltou que no Brasil a alta cotação é positiva porque facilita as exportações, mas disse que para o Grupo Simões, o aumento do dólar traz impactos.

“O Brasil importador sofre o impacto de matéria-prima e produtos mais caros. No grupo nosso custo em dólar gira em torno de 25%. Desta forma, quanto mais elevado mais nos impacta. Normalmente as empresas fazem hedge, ou seja, busca uma proteção tanto cambial, quanto de insumos contra as oscilações de mercado”, disse o presidente.

O diretor executivo da Associação PanAmazônia, Belisário Arce, explicou que a produção das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) é dependente de insumos importados e que os setores de eletroeletrônicos e duas rodas podem ser os mais afetados. Ele acrescentou que a alta coração reflete o cenário mundial da economia.

“Com a alta do dólar, os componentes ficam mais caros em real. Com efeito, a diferença do reajuste impacta no preço do produto final. Ou seja, os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus (ZFM) ficam mais caros para o mercado doméstico,  com reflexo nas vendas, pois o produto mais caro é mais difícil de comercializar”, ressaltou Belisário.

O gerente executivo do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), José Marcelo Lima, também afirmou que a alta do dólar pode favorecer a economia do país, mas pode prejudicar as importações do PIM, porque, segundo ele as importações são superiores às exportações. 

“As exportações no Amazonas estão baixas. Em 2019, atingiu US$ 1 bilhão. Já estivemos em outras ocasiões até com US$ 2,5 bilhões. Mas com essa crise, tivemos uma redução significativa nas nossas exportações”, disse.

"Brasil exporta pouco produto"

O deputado federal Marcelo Ramos (PL) disse que a alta do dólar é ruim para indústria porque o Brasil exporta pouco produto industrializado, mas compra muitos insumos para produção.

“A ZFM, por exemplo, depende muito de compra de insumos importados e praticamente só vende para o mercado interno, portanto, compra em dólar e vende em real. O dólar alto é ruim para a economia em geral, apesar de ter um efeito positivo para o Agronegocio exportador”, disse o parlamentar. 

O deputado federal Alberto Neto (PRB) afirmou que a  desvalorização do real vai melhorar as exportações das commodities, mas afirmou que há a necessidade de encontrar o câmbio ideal por conta da indústria nacional.

“A nossa moeda não pode ser muito valorizada, porque vai atrapalhar tanto a indústria nacional quanto as commodities e também não pode ser muito desvalorizada porque pode influenciar na inflação e também na indústria nacional. O Ministério da Economia deve encontrar o câmbio ótimo. Precisamos desenvolver a indústria nacional. Esse deve ser o foco do governo”, disse o parlamentar.


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