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Altas temperaturas aumentam a ocorrência de incêndios

Trinta e seis casos registrados e contidos pelo Corpo de Bombeiros desde o início de agosto em Manaus - 15 ocorreram somente nesse fim de semana 16/08/2015 às 21:59
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Incêndio atingiu toda extensão do terreno do MP-AM
Natália Caplan Manaus (AM)

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Um incêndio no terreno do Ministério Público do Estado (MP-AM) assustou que passava em frente ao local, na avenida André Araújo, Aleixo, Zona Centro-Sul. Esse foi mais um dos aproximadamente 36 casos registrados e contidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM) desde o início de agosto. Deste total, 15 ocorreram somente nesse fim de semana. A previsão é de que o número de queimadas deve superar o do ano passado.

“Ano passado, tivemos 304 ocorrências de incêndio florestal ao todo, em Manaus. Até julho, já tivemos 108 e, somente até o último dia 13 de agosto, quando fizemos o levantamento, foram mais 21 ocorrências. Mas acredito que, de lá para cá, chegamos a 36 ocorrências somente nestes primeiros dias de agosto”, contabilizou o tenente Jander, responsável pela assessoria de comunicação da instituição.

De acordo com ele, por conta das altas temperaturas do verão amazônico — que começa em junho e tem picos de temperatura, entre setembro e outubro —, os riscos desse tipo de incêndio aumentam significativamente em relação a outros períodos do ano. Entretanto, ressaltou, 2015 deve surpreender até mesmo os profissionais da área, que estão acostumados a arriscar as vidas para apagar as chamas.

“A quantidade aumenta consideravelmente. No início de agosto, temos um acréscimo. Nessa época já começa uma questão do ressecamento da vegetação, com calor mais intenso e altas temperaturas. Existe a possibilidade de superar o ano passado porque agosto começou muito intenso. Só a alta temperatura sobre uma vegetação ressecada, por tempo prolongado, pode gerar um incêndio”, ressaltou o tenente.

O representante do Corpo de Bombeiros, entretanto, ressaltou que o risco é ainda maior por conta de dois fatores extremos: terrenos não capinados pelos proprietários ou simplesmente  queimados para facilitar a limpeza. Ambos estão incorretos, podendo gerar prejuízos e colocar vidas de moradores nas adjacências em perigo. Por isso, devem ser cobrados ou, até mesmo, denunciados.

“É comum alguém decidir capinar um terreno e tocar fogo numa parte sem perceber que o vento pode levar essa chama para o restante da área. O ideal é que as pessoas próximas a essa áreas possam observar os terrenos abandonados, capinarem para evitar riscos às demais residências. Se alguém avistar uma pessoa fazendo capinagem com chamas, deve chamar o Batalhão do Meio Ambiente, que atua rapidamente, antes de sermos acionados”, alertou.

PUNIÇÃO

O Batalhão de Policiamento Ambiental do Amazonas é um dos parceiros do Corpo de Bombeiros para atender ocorrências de incêndios florestais. Porém, casos de queimadas criminosas, com destruição de mata nativa, são as que mais preocupam. As denúncias devem ser feitas pelo Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), no 190, ou disk denúncia direto do setor policial, no 98842-1547.

“Há uma diferença entre foco, que são em pequenos locais, e queimadas, que são de grandes proporções. Foco pode ser uma combustão natural; o restante são pessoas desinformadas que vão limpar um terreno, queimar folhas e geram esse tipo de incidente. Somos treinados para apagar, temos ferramentas de contensão para resolver pequenos focos, como abafadores”, disse o major Navarro.

Segundo ele, apesar de existir a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Demma), quase não há punição para quem coloca fogo em terrenos. Sem contar os incidentes, causados por bitucas de cigarro e até mesmo garrafas de vidro — que funcionam como uma “lente de aumento” sob o sol e podem incendiar vegetação seca. “Não existe punição. A princípio a Justiça entende que não houve o dolo”, declarou.

Conforme a proporção do incêndio e se houve danos aos animais selvagens e às árvores nativas é que os responsáveis são detidos e levados ao distrito policial especializado. “Aí é conduzido à delegacia, registrado, e o delegado vê a pena proporcional. Mas, geralmente, ele paga uma multa e responde em liberdade”, disse, ao enfatizar que a tendência é piorar. “Daqui para frente vai se tornar mais rotineira”, alertou.

Reflexo do EL Niño na vazante

E o calor não apenas resulta no risco de mais incêndios florestais. De acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a vazante do Rio Negro deverá baixar bastante o nível das águas em Manaus em relação aos anos anteriores. Em média, o rio seca de 3 a 4 centímetros por dia, mas o órgão acredita que esse ritmo de descida deve aumentar em setembro. Isso, por conta da influência do El Niño.

Segundo o superintendente do CPRM, Marco Antônio Oliveira, o fenômeno meteorológico pode aumentar as temperaturas na Amazônia, retardando o período chuvoso, que geralmente se inicia em outubro.  “Por conta disso, a vazante pode ser maior, porque o verão deve ser mais quente e deve chover menos na região”, afirmou.

Para Oliveira, os reflexos do El Niño na vazante deste ano vão poder ser notados a partir do próximo mês, quando a vazão costuma ser maior, de até 30 centímetros por dia.

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