Domingo, 16 de Junho de 2019
ENSINO SUPERIOR

Alunos da Ufam protestam contra corte de verba para cursos de Filosofia e Sociologia

Ato com apoio de professores e estudantes de outras universidades foi planejado após declarações do presidente Jair Bolsonaro



WhatsApp_Image_2019-04-29_at_15.16.24_64AB2ECD-0EEE-454B-B75A-8750DBB4D244.jpeg Foto: Márcio Silva
29/04/2019 às 18:04

Estudantes e professores dos cursos de Ciências Humanas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) se reuniram, na tarde desta segunda-feira (29), para protestar contra o corte de verba para os cursos de Filosofia e Sociologia, anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro, na semana passada.

“O que estamos fazendo aqui é alertando as autoridades para que elas repensem o que estão fazendo”, afirmou o coordenador do curso de Filosofia, Nelson Noronha.

Concentrados no hall da universidade, eles discutiram os prejuízos que a extinção dos cursos traria, como a formação do pensamento crítico e a compreensão do mundo. Além dos cursos de licenciatura em Filosofia e bacharelado em Sociologia, as disciplinas estão na grade curricular do Ensino Médio e de cursos do Ensino Superior.

O ato foi organizado por movimentos estudantis e teve apoio de professores e alunos de outras universidades. O movimento que, por ora, está ocupando a Ufam pode tomar as ruas.

"A gente acha que isso pode ser um ataque a um conjunto de disciplinas que produzem conhecimento dentro do espaço acadêmico. O objetivo do presidente é criar uma massa de pessoas não pensantes, que não queiram problematizar a sociedade que a gente vive. Dependendo da postura que o presidente tiver, a gente vai ter que tomar umas posições mais radicalizadas, como fazer manifestações de ruas, que tem um enfrentamento maior”, avalia Christopher Rocha, estudante do 9º período de História e membro da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O coordenador do curso de Filosofia diz que as próximas gerações podem ficar sem professores de Filosofia e Sociologia e que isso seria um grande estrago.

“A filosofia já está presente desde a educação infantil. Quando um pedagogo está com as crianças, ele está ensinando valores, o que é certo, o que é errado. Isso é filosofia. As pessoas não precisam apenas saber calcular, precisam ter o espírito crítico, a capacidade de discernimento, a capacidade de reflexão”, defende Noronha.

Declaração

Na última sexta-feira (26), o presidente twittou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, estuda “descentralizar” investimento no ensino das duas áreas para “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte como: veterinária, engenharia e medicina”.

"A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta", afirmou.

OPINIÃO

Ana Letícia dos Santos, aluna do 5º período de Ciências Sociais

"Isso é um reflexo do tipo de sociedade que ele propõe, da sociedade sistemática que o governo dele, no geral, defende. Extinguir o direcionamento para os cursos de Filosofia, que as Ciências Sociais tem como base, que tem Antropologia, Sociologia e Ciências Políticas, é extinguir uma sociedade pensante. Ele quer construir uma sociedade sistemática, de pessoas que não pensam, que não criticam e que não chegam a um senso de contraponto a esse tipo de governo. Não é só dificultar o pensamento crítico, mas o conhecimento social, porque a Filosofia e a Sociologia não são só matérias que estimulam isso, mas para viver nossa vida como cidadãos. Extinguir isso é extinguir todo e qualquer pensamento científico. A filosofia é mãe de todas as ciências."

Repórter de A Crítica

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