Publicidade
Manaus
Manaus

Alunos de escola estadual são flagrados promovendo ‘festinha’ em sala de aula, em Manaus

Vídeo amador teria sido feito pelos próprios estudantes. Algumas meninas aparecem até de minissaia e a blusa da farda suspensas até a cintura. A trilha sonora do momento é a música 'Parara Tibum' 01/08/2015 às 11:22
Show 1
De acordo com os denunciantes, a “balada” veio acontecendo durante toda a semana, no período da manhã.
Kelly Melo Manaus (AM)

CONFIRA O VÍDEO

Alunos da escola estadual Sebastião Norões, localizada no conjunto Renato Souza Pinto, na Cidade Nova, Zona Norte, parecem ter uma nova disciplina incluída na grade curricular: aulas de funk. Mas a questão só virou um problema, porque, segundo alguns pais, os alunos deixaram de ter aulas durante a semana para realizar “baladas” na sala, durante o horário das aulas.

Um pai de um aluno do 7º ano do turno matutino contou que só descobriu a “rave escolar” após acessar o celular da filha, de 13 anos. “Eu observo tudo o que a minha filha faz, olho no celular e tudo. Até que no início da semana, eu encontrei um vídeo em que vários estudantes aparecem dançando na sala de aula”, contou ele, revoltado com a situação.

O vídeo amador teria sido feito pelos próprios estudantes durante um dos momentos “descontração”, no início da semana. Nas imagens é possível ver vários estudantes, que possuem entre 13 e 14 anos, dançando funk.


Vídeo foi gravado pelos próprios alunos. Foto:Reprodução

Algumas meninas aparecem até de minissaia e a blusa da farda suspensas até a cintura. A trilha sonora do momento é a música “Parara Tibum”, cuja reprodução do conteúdo foi proíbida por questões de problemas autorais na justiça.

Pelas imagens também é possível perceber que se trata mesmo de uma sala de aula, pois ao fundo aparece um quadro branco e as carteiras foram afastadas. A sala estava lotada.

Escola polêmica

De acordo com os denunciantes, a “balada” veio acontecendo durante toda a semana, no período da manhã. As “festinhas” também teriam acontecidos em outras turmas do mesmo turno. E para garantir o acesso, cada aluno ainda tinha que pagar pelo “passaporte”: o ingresso custava R$ 2. A arrecadação seria utilizada para organizar uma festa agostina, prevista para a semana que vem.

Na opinião dos denunciantes, o que mais causa indignação é fato de os alunos deixarem de ter aulas no horário normal. “Minha filha disse que os professores têm ciência disso e mesmo assim  deixam, por causa desse arraial. Os meus filhos vão para a escola para estudar, não para dançar”, reclamou um pai.  Ele disse que pretende procurar a direção da unidade para cobrar explicações sobre o episódio.

Seduc diz que festa foi autorizada

Procurados por A CRÍTICA, a Secretaria de Estado  de Educação (Seduc) confirmou que a escola estadual Sebastião Norões  promoveu, nas duas últimas semanas, atividades internas para arrecadar fundos para a realização de seu Festival Folclórico, que acontecerá no próximo dia 7 de agosto.

De acordo com a gestora da escola, Nelissandra Gurgel, os alunos não foram liberados das aulas, já que as ações foram realizadas sempre nos últimos tempos, não comprometendo o repasse dos conteúdos pelos educadores.

A escola esclareceu ainda que todas as atividades foram realizadas com o consentimento da direção e acompanhadas pelos professores de cada turma.

Mas para muitos pais, a “atividade extra-curricular” não é adequada, por utilizar um horário impróprio. “Isso aconteceu de manhã e não era hora do intervalo. Se meu filho vai para a escola, quero que ele vá estudar”, afirmou os denunciantes, que criticaram a direção do colégio.

Em números

R$ 2 era o valor  do ingresso que cada aluno interessado em participar da “balada matutina” deveria pagar  para entrar na sala. A arrecadação seria utilizada para organizar o Festival Folclórico da escola estadual, previsto para a próxima semana. Segundo os pais, alunos de todas as séries estavam realizando esse tipo de “atividade”. 

Outra confusão

Em maio deste ano, a escola Sebastião Norões, na Zona Norte, foi palco de outra polêmica quando vários estudantes do 5º, 6º e 7º ano do Ensino Fundamental apresentaram comportamentos estranhos após participarem de um ritual que ficou conhecido como “Charlie Charlie”.

A brincadeira consistia em escrever em uma folha de papel as palavras “yes” (sim) e “no” (não) e sobre ela colocar dois lápis em forma de uma cruz. Os participantes precisavam dizer em voz alta a frase “Charlie, Charlie! Você está aqui?” para que o espírito de Charlie se manifestasse, movendo um dos lápis para lado do “sim” ou do “não” na folha.

Publicidade
Publicidade