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Alunos de escola estadual são obrigados a fazer a limpeza das salas de aula

Pais de alunos de escola estadual afirmam que diretora ‘escolhe’ estudantes para ajudarem na limpeza das salas de aula 14/05/2015 às 09:16
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Nas imagens registradas pelos próprios estudantes dentro da unidade escolar alunos aparecem com vassouras na mão
kelly melo ---

Pais de alunos da escola estadual Leticio de Campos Dantas, localizada no conjunto Canaranas, na Cidade Nova 2, na Zona Norte, denunciam a direção do colégio por “obrigar” alunos de todas as turmas a permanecerem na unidade após as aulas, para fazerem a limpeza do local, por falta de auxiliares de serviços gerais.

Mãe de duas alunas do 9º ano, Maria Dilza de Castro Cardoso, que é funcionária pública, disse que não concorda com a atitude da direção, pois as filhas vão para a escola para estudar. “A escola é lugar para estudar, não para os alunos fazerem limpeza. O Estado que tem que providenciar funcionários para fazer esse serviço”, afirmou a mulher.

Segundo ela, o caso foi descoberto quando ela percebeu que as filhas começaram a chegar em casa mais tarde que o de costume. “Eu perguntei pra elas o que estava acontecendo e elas me disseram que todos os dias a diretora escolhe quatro ou cinco alunos para ficarem até mais tarde limpando as salas de aula”, contou.

Os alunos escola chegaram até a gravar um vídeo em que outros quatro estudantes de uma das turmas vespertinas aparecem com vassouras na mão, limpando uma sala de aula. “Fiquei indignada quando meu filho me contou que precisou passar por isso também. Eu não concordo que ele tenha que fazer faxina todo dia porque ele está na escola para estudar”, criticou outra mãe de aluno do 9º ano, Cleucides Pereira de Souza.

Indignadas com a situação, a mães disseram que pretendem procurar a direção da unidade na próxima sexta-feira, a fim de cobrar explicações.

A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), responsável pela escola, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Investigação

Denúncia semelhante levou o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE) a instaurar, em janeiro do ano passado, procedimento para investigar a informação de que alunos em recuperação da Escola Estadual Adelaide Tavares de Macedo, no bairro Alvorada 1, Zona Centro-Oeste, foram obrigados a limpar a escola em troca do abono de faltas.

O fato foi denunciado pelo jornal A CRÍTICA em 20 de dezembro do ano passado e levou a promotora de Justiça Nilda Silva de Sousa, da 27ª Promotoria de Justiça Especializada da Infância e Juventude a tomar a iniciativa. A diretora da escola, segundo a Seduc, foi afastada.

Os alunos foram obrigados a limpar com gasolina as cadeiras pixadas, fato que levou pelo menos duas alunas a passarem mal com cheiro do produto, o que causou revolta e indignação das mães.

Professores

Em dezembro, professores da rede municipal de ensino denunciaram, por intermédio do sindicato da categoria, o medo de represálias a quem não participava dos mutirões de limpeza organizados pela Semed. O trabalho envolve profissionais da educação, pais e alunos em atividades que vão desde capinagem dos jardins até limpeza dos banheiros das escolas. A secretaria negou represálias e informou que os mutirões são voluntários e acontecem há mais de dez anos.


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