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Alunos de escolas públicas municipais vão embora mais cedo por falta de merenda

Segundo denúncia, há dois meses alunos são liberados mais cedo por falta de comida na escola; professores e pais fazem ‘cota’ para comprar suco e salsicha 17/09/2014 às 19:16
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Diretor de uma escola disse que Semed tem conhecimento do problema
Jhonny Lima Manaus (AM)

Parte das 506 escolas da rede municipal de ensino, que atende aproximadamente 220 mil alunos, estão sem merenda há vários dias e, em algumas escolas, o problema já ultrapassa dois meses. Para piorar a situação, muitas escolas estão liberando os alunos mais cedo por não terem comida para oferecer aos estudantes e, em algumas delas, para não prejudicar o aprendizado, os professores e diretores compram, do próprio bolso, o lanche dos alunos.

Para os pais dos estudantes, o problema da falta de merenda começou, coincidentemente, quando iniciou o período eleitoral. Crianças carentes e em situação de vulnerabilidade social, segundo eles, muitas vezes vão para a escola na certeza de que terão café da manhã, lanche e almoço, mas ultimamente retornam para casa sem comer nada e antes do horário previsto.

Pai de um aluno de cinco anos de idade que cursa o 2º período da Educação Infantil, o vigilante Matteus Menezes, 30, reclama que o filho está há dois meses sem almoçar e merendar no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Maestro Dirson Costa, na rua Coronel Ferreira de Araújo, Petrópolis, Zona Sul. Segundo ele, a solução que a escola utiliza para amenizar o problema da falta de merenda é vender picolés para arrecadar dinheiro e, assim, comprar o lanche dos alunos.

“O diretor relatou o problema e disse que a Semed (Secretaria Municipal de Educação) tem conhecimento. A recomendação no início do ano foi que era para os pais levarem os alunos para a escola e lá eles iriam ter café, merenda e almoço. Agora, a escola está tirando dinheiro da venda de picolé para comprar bolacha e suco”, explicou o vigilante, ao acrescentar que, se não fosse essa alternativa, os alunos teriam que ser dispensados mais cedo.

‘Cotinha’

Há duas semanas sem merenda escolar e há uma saindo mais cedo da aula, os alunos da escola municipal Tereza Rosa Aguiar Abtibol, na rua Girassol, São Francisco, Zona Sul, por alguns dias tiveram que levar R$ 1 para a escola para ajudar na merenda escolar. Segundo o pai de uma aluna de cinco anos que cursa a 1ª série da Educação Infantil,  Otávio Carlos, 49, com o dinheiro, a escola comprava salsicha para servir no lanche.

“Muitas crianças carentes que moram próximo à escola vão à aula por causa da merenda. Desde a semana passada que todos estão saindo cedo, sem merendar”, declarou Otávio.

Uma funcionária da escola municipal Francisca Soares dos Santos, no loteamento Castanheira, Zona Leste, confirmou que a falta de merenda escolar é “geral, em todas as escolas do município”. Segundo ela, depois de 15 dias com os alunos tomando somente suco no intervalo, na última quarta-feira chegaram mais pacotes de suco e peixe. “Para a Semed parece que está tudo bem, mas não está. Os professores chegam até a comprar alguns itens. Às vezes tem suco, mas não tem açúcar”, frisou.

Só suco na merenda

Os alunos do CMEI Abelhinha, na rua Dom Bosco, Coroado 2, Zona Leste, passaram todo o mês de agosto tomando suco no horário da merenda. Eles só conseguiram lanchar nesse período porque a escola orientou os pais para que os filhos levassem o lanche, diferente do que acontecia na escola até o final do primeiro semestre, quando os alunos tinham todas as refeições do dia.

Semed diz que atraso está normalizado

 

Apesar das denúncias de pais, alunos e funcionários, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que nenhuma escola ficou totalmente desabastecida e que apenas “alguns itens deixaram de ser distribuídos”. Segundo a Semed, houve atraso no abastecimento porque empresas entraram com recurso no processo de licitação, mas a distribuição voltou ao normal e não vai prejudicar o ano letivo dos alunos.

Em números: 33% das escolas da rede municipal não contam com cozinhas ou espaços adequados para a produção do alimento que é servido aos alunos, segundo o censo escolar. Entre as escolas da rede estadual, 14% (94 unidades) não possuem cozinha. Ainda segundo o censo, todas as escolas da rede pública do Amazonas oferecem merenda escolar.

 


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