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Manaus
EDUCAÇÃO

Alunos estrangeiros que ingressarem na rede municipal passarão por provas em Manaus

A exigência começa a valer a partir deste ano em Manaus. A escola deverá encaminhar o estudante à equipe pedagógica para realização do exame de classificação 05/03/2018 às 07:16 - Atualizado em 05/03/2018 às 09:08
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A Semed atendeu 372 alunos estrangeiros, de 18 nacionalidades, em 2017 (Foto: Evandro Seixas)
Danilo Alves Manaus (AM)

A partir deste ano, alunos estrangeiros que ingressarem na rede municipal de ensino neste ano precisarão realizar exames de classificação, conforme conteúdo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).  A exigência foi publicada mês passado no Diário Oficial de Manaus, junto com outras sete instruções normativas que servirão de manual para as escolas municipais da capital.

Conforme o documento, ao receber estudantes estrangeiros sem documentação de comprovação de vida escolar, a gestão da unidade deverá, primeiramente, proceder ao registro de cadastro do estudante, além realizar a reserva de vaga.

Ainda segundo a instrução, publicada no último dia 16 de fevereiro, após o cadastro do estrangeiro, a direção deverá encaminhar o estudante à equipe pedagógica para realização do exame de classificação, atendendo ao BNCC adequado para a série e idade do aluno.  A organização e elaboração dos exames devem obedecer aos critérios estabelecidos em orientações pedagógicas da Semed.

O estudante que não demonstrar as habilidades e conhecimentos necessários para o ano e série que indicou, a equipe pedagógica realizará o exame do ano ou série anterior.  O documento detalha que a equipe pedagógica procederá à análise e correção dos exames com a atribuição das notas e encaminhará à secretaria.  A partir disso, a escola procederá a inserção do exame de classificação, emitirá a ata de classificação e confirmará a matrícula.

O documento de instrução também informou que em casos omissos serão resolvidos no âmbito da Secretaria Municipal de Educação e seus setores competentes.

Em 2017, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), a rede atendeu 372 alunos estrangeiros, de 18 nacionalidades, sendo os três maiores quantitativos do Haiti (129), Venezuela (117) e Peru (53).

 Experiência

A professora Rejane Chagas é gestora da Escola Municipal Sérgio Pessoa, uma das instituições que mais atende alunos estrangeiros na capital. A escola fica localizada no bairro São Raimundo, na Zona Oeste de Manaus. Ela explicou que, antes, o procedimento administrativo de acolhida do estudante estrangeiro já era parecido com  exigido pela instrução. Alguns alunos não realizaram testes.

“Na maioria das vezes, os alunos de outros países se adaptam muito bem ao nosso idioma. Como a maioria dos estudantes do nosso sistema é do ensino fundamental, a facilidade de assimilação é melhor. A avaliação é feita apenas pela idade da criança. Em casos especiais, nós encaminhamos o estudante à central de matrícula”, disse.

A diretora disse ainda que outros alunos estrangeiros ajudam os novatos a se comunicar para que, assim, a barreira linguística seja quebrada.

“Além da ajuda dos estudantes, temos nosso processo de inserção pedagógica. Nós ajudamos o aluno a realizar as tarefas básicas  dentro da escola. Em seguida, nós iniciamos o conteúdo, sempre observando o desempenho deste aluno”, afirmou.

Idioma

Aos 12 anos, a estudante haitiana Rosiguerda Theard já domina o português. Para ela foi mais fácil porque a vizinha da jovem era professora de português.  “Além da minha vizinha, o auxílio também foi dentro de sala de aula. Elas fazem de tudo para nos sentirmos em casa. Até festa especial com almoço típico”, explicou.

Aluna da Escola Municipal Sérgio Pessoa, situada no bairro Presidente Vargas, na Zona Centro-Sul de Manaus, ela se tornou a intérprete oficial de novos alunos estrangeiros de lá, principalmente haitianos. Mais de 15 alunos, a maioria de nacionalidade haitiana, estudam no local. Alguns deles, como Ralph Ouberd, de oito anos, não sabem nada da língua portuguesa.

“Sinto saudade de casa, mas é muito legal ver os outros falando português, inclusive meus pais. Dá vontade de aprender também”.

Com um sorriso maior que o próprio nome, Mylove (ou ‘meu amor’, em inglês), de oito anos,   saiu do Haiti  com a família há três anos. Em Manaus ela conheceu a melhor amiga e uma palavra em português que não possui tradução: saudade.  “Eu amo minha melhor amiga, mas senti saudade de casa. Quero continuar estudando, quem sabe eu volte por lá”, disse.

Haiti e Venezuela

No ano passado, de acordo com levantamento feito pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) a pedido da reportagem do jornal  A CRÍTICA, a rede municipal de ensino  atendeu 372 alunos estrangeiros, de 18 nacionalidades, sendo os três maiores quantitativos do Haiti (com 129 alunos), Venezuela (com 117) e Peru (com 53).

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