Sábado, 28 de Novembro de 2020
Manaus

Alunos fazem faxina para abonar faltas em escola da Zona Oeste

Faxina proposta pela direção foi aprovada por alguns pais e alunos, mas outra parte reclama e diz que houve excesso



1.jpg Equipe de A Crítica flagrou alunos durante faxina na escola
21/12/2013 às 09:42

Os alunos que estão em recuperação da escola estadual Adelaide Tavares de Macedo, na avenida Desembargador João Machado, bairro Alvorada, Zona Oeste,  estão limpando a escola desde a segunda-feira  em troca do abono de faltas .

Segundo alunos, a maioria dos pais e responsáveis não foram informados sobre a iniciativa da diretora em abonar faltas após a limpeza das salas.



De acordo o aluno do 3º ano André Felipe Figueiredo, 18, na última terça-feira, eles  foram obrigados a limpar com gasolina  as cadeiras pichadas,  o que levou  pelo menos duas alunas a passarem mal com cheiro do combustível.

André diz que durante o ano acumulou 218 faltas, pois cada dia de aula  perdido significa cinco faltas, porém ele explica que os atestados médicos apresentados e os dias que ele representou a escola nos jogos escolares não foram abonados pela direção. Para a mãe de Andre, Elzinete Figueiredo, 38, a atitude da gestora ultrapassou o limite do bom senso, pois segundo ela essa não é a primeira vez que acontecem conflitos entre a direção da escola, os pais e alunos.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) o aluno para não ser reprovado por falta precisa ter 75% de presença em cada disciplina.

A vendedora Keully Cristina Farias, 35, mãe da aluna, Eliza Gabriele Farias, 17, do 2º ano conta que precisou intervir pela filha várias vezes na escola por que a diretora é intransigente e não considera a opinião dos alunos e pais. Ela  explica que no ano passado precisou transferir a filha para o turno da manhã por que a menina conseguiu um estágio, mas diretora não queria trocá-la de horário. “Precisei brigar para conseguir mudar minha filha de turno”, acrescentou Keully.

Professores, que não quiseram se identificar, contaram que constantemente há conflitos entre os pais e a direção. Segundo o professor Artur Silva (nome fictício), durante a reunião de entrega de notas na última semana foi colocado em votação a alternativa levantada pela diretora para abonar faltas. “Os pais decidiram pelo abono, mas se eles acham que esse tipo de educação é a correta não  cabe a nós dizer”, disse o professor.

Para alguns alunos que fazem parte do grupo em recuperação a atitude da diretora, Elizabeth Lacerda é correta, pois os próprios alunos sujam a escola e, portanto, devem limpar.

Limpeza faz parte da socialização

Em nota a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que a realização do mutirão de limpeza realizado ao final do ano letivo na escola  Adelaide Tavares de Macedo faz parte de um projeto de sensibilização para a conservação do espaço público e mobiliza os estudantes que aderem de forma voluntária ao ato.

Apesar de a diretora Elizabeth Lacerda dizer que apenas ela conseguiria abonar falta,  a nota da Seduc diz  que a participação na ação de sensibilização pela conservação do espaço escolar não está associada à obtenção de médias, abono de faltas ou benefícios similares aos alunos. 

A Seduc acrescentou o lançamento de nota e faltas dos alunos da rede estadual de ensino é feita pelo próprio professor no Sistema de Gestão Escolas do Amazonas (Sigeam) e, portanto,  é inviolável, além disso uma equipe será enviada até a escola para verificar a situação e caso seja constatado qualquer irregularidade os responsáveis serão penalizados.

Acordo com pais

A diretora da escola Elizabeth Lacerda informou que a limpeza da escola foi feita em comum acordo com pais durante reunião para entrega de notas. A diretora acrescentou ainda, que somente ela pode abonar as faltas e essa foi a forma encontrada para ajudar os alunos. Ao ser questionada se a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) estava ciente da compensação a diretora a mesma informou que sim e que estava agindo de acordo com os pais.

 Chamada

Depois da chegada de A CRÍTICA os alunos foram levados para as salas de aula para responder a presença e em seguida liberados. Na opinião de um professor, os alunos que não possuem a presença exigida deveriam ser reprovados.


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